A Song To Her
Autora: Lilah Poynter
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: Dougie Fics
Sub-Categoria: Romance - SongFic
Nota pelo desafio: 9,0.
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There is, no escaping from the heartache[não há escapatória da dor do coração]
[...]
always better late than never [sempre melhor tarde do que nunca]"
Eu não conseguia me concentrar na música que tocava e só podia ver os caras comemorando o ótimo show que tínhamos feito. A única bebida da noite, de coloração azulada e um forte sabor de vodca, repousava ao lado de minha mão na mesa, enquanto eu fingia me sentir bem. Eu não conseguia não lembrar dela...
Eu e minha banda estávamos de passagem pela Califórnia, para a divulgação de nosso mais novo álbum, que eu, particularmente, considerava o melhor de todos. Não por falar da boca pra fora, ou coisa do gênero, mas era o álbum que melhor expressava nossos objetivos, nossos sonhos e desejos e, principalmente, nosso passado amoroso. Não tenho vergonha de dizer que fiz músicas baseadas nas fossas pelas quais passei há tempos, mas apenas uma delas ainda me faz querer gritar para tirar as minhas dúvidas sobre o que foi certo e o que foi errado.
Virei todo o restante da bebida num só gole e me levantei, avisando a meus companheiros de banda que ia para o hotel. Não ficava muito longe, então não demorei a chegar. Eu precisava de um tempo sozinho. Fui até a janela do quarto, onde a vista não era das melhores, mas dava para ver, ao menos, o céu. Ah, o céu da Califórnia, aquele onde você pode realmente achar que todos estão sob a mesma lua. Peguei um cigarro e o acendi. Eu não queria que aquele nome me atormentasse de novo, mas era quase inevitável.
. A causa da minha frustração. Eu diria o meu problema.
Eu tinha certeza de que aquele lugar e todo o clima americano conspiravam contra mim, porque foi como se a história se passasse toda de uma vez na minha cabeça.
- Então estamos quites? - eu perguntei, enquanto terminava de vestir a camisa listrada dela. Ela olhou para mim e deu um risinho.
- Nada disso, Dougie - ela acenou com o dedo - ainda me deve uma explicação.
Franzi a testa. Explicação? Eu não tinha feito nada de errado.
- O quê?
- Sua volta para Londres. Precisa me explicar.
Era isso, pensei, eu queria dizer que estava atrasado para encontrar com os caras, mas não poderia mais fugir. A data já estava prestes a chegar e, logo, eu teria que deixá-la para voltar à minha vidinha de rockstar inglês. Mas como eu ia explicar isso à ela?
- Não vai dizer nada? - ela insistiu, deitando-se do meu lado na cama, enquanto eu pensava em milhões de palavras para usar e comunicar de forma sutil que eu ia embora. Sem ela.
- Ainda não sei quando vamos para a Inglaterra - menti.
suspirou baixinho.
- Mas não vai demorar - ela disse com certa tristeza na voz - vi vocês conversando sobre os shows, acho que o produtor quer apressar as coisas, é provável?
- Sim - eu falei, mas não estava com vontade de machucá-la - mas não vamos pensar nisso, vamos aproveitar enquanto eles estão decidindo.
- Está bem, mas prometa que vai me avisar - ela pediu e eu concordei, beijando seu rosto.
- Eu prometo, pequena...
Wishing I could be with you [Desejando que eu pudesse estar com você]
To share the view [pra compartilhar a vista]"
Tínhamos nos conhecido por acaso, enquanto gravávamos uma entrevista para uma tv americana qualquer. Ela cuidava de alguns retoques com os empresários e não pude não notá-la ali, do lado do Fletch, acertando mais confirmações de entrevistas. Eu tive que chamá-la para sair. E foi como tinha de ser, ela recusando, eu insistindo, ela dizendo que iria pensar, eu insistindo. Quem ganhou? Minha vontade de sair com ela, é claro. Eu nunca quis tanto estar com alguém.
- Então não gosta muito de viajar? - me perguntou, dando um gole em seu vinho.
Eu a tinha levado à um restaurante bonito, só pra conseguir uma cena mais séria.
- Não é que eu não goste, é só que prefiro ficar em casa, não sei, ter um tempo pra me dedicar à minha família... - respondi e ela sorriu.
Era o sorriso mais lindo que eu já havia visto.
Nós passamos a noite falando sobre o que fazíamos. Eu e a música, ela e produtores de todas as espécies, dos chatos aos atirados e assim por diante. Fora uma noite extremamente agradável.
As outras noites também não deixaram a desejar, já que agora saíamos com mais freqüência.
Eu não a levava para casa, porque ela não deixava. Ela sempre ficava comigo no hotel. Nós aproveitávamos para ficar na janela, abraçados e enrolados em lençóis macios, às vezes observando a lua desenhada no céu, ou saboreando com os olhos a chuva que batia nos vidros. O som era maravilhoso. Estar com ela era maravilhoso.
Mas eu não ia ficar na Califórnia para sempre.
And it's, getting later every morning [E está ficando mais tarde a cada manhã]"
Eu simplesmente adorava acordar e ver do meu lado. Sentia que aquele velho clichê que misturava admiração com desejo invadia meu corpo e me fazia ter sensações boas e variadas, todas ao mesmo tempo. Eu não sei se isso era estar apaixonado.
Com o tempo eu percebi que não, não era nada de mais, só uma química comum entre os sexos opostos.
Eu passava o dia todo com os caras e me encontrava com nos fins de tarde, ou à noite, quando ela não estava enfiada dentro de um escritório com uma planilha nas mãos. Me lembro muito bem de quando nós fomos até a praia e ela me apresentou ao céu. Ao verdadeiro céu da Califórnia.
- É realmente uma bela vista - eu elogiei, sendo puxado pela mão por , pela areia morna da noite - vamos pra água?
- Você está maluco neah? A essa hora a água está super gelada! - ela disse, sorrindo.
- Pra onde está me levando? - eu quis saber.
- Já estamos chegando, olha.
Ela apontou para uma casinha, aparentemente utilizada por salva-vidas durante o dia. Muito parecido com aquele lugar peça-chave daquele seriado, The O.C. Nós subimos uma pequena escada e nos sentamos no último degrau. Ela suspirou e encostou a cabeça em meu ombro.
- Eu sempre quis vir aqui... com alguém especial - começou, falando baixinho. Seu sussurro podia se confundir com o murmúrio das ondas do mar e parecia uma melodia tão bela.
Será que por ser músico, eu possuía uma percepção mais aguda com relação aos sons? Eu não sei, eu só queria poder ter um gravador pra jamais esquecer a respiração dela contrastar com o barulho da água mais a frente. Era perfeito demais.
- Eu sou alguém especial? - perguntei, brincando com seus cabelos. Eram muito cheirosos.
- Não sei... você é? - ela sorriu e encarou-me nos olhos. Eu me curvei para beijá-la.
- Sou especial? - insisti, assim que partimos o beijo.
- Vejamos... você tem uma banda famosa, muitas fãs, pode ter quem quiser e está aqui, comigo... - ela enumerou nos dedos - acho que você é especial sim...
- E você... - eu apontei para o nariz dela - também é uma pessoa especial. Quem me mostraria o céu noturno na Califórnia de um jeito tão bom?
- Está falando sério? Eu só apontei pra algumas estrelas, espero que não nasçam rugas nos meus dedos - ela zombou e eu toquei seu rosto, frio e corado por causa da brisa fria.
- Você me mostrou muito mais que o céu - eu falei - você me fez sentir o céu...
Ela me fitou séria e depois de um tempo começou a rir.
- Qual é, o que foi? - eu não tinha entendido.
- Essa cantada foi muito barata, Dougie! - ela esclareceu e eu acabei rindo junto com ela.
- Certo, eu sou meio patético às vezes - eu falei, um pouco sem graça. Ela percebeu e pôs uma mão na minha nuca, me causando um grande arrepio.
- E é muito lindo também - ela beijou meu rosto e me encarou de novo - às vezes.
Nós rimos e ficamos assim a noite toda. Éramos brincalhões, gostávamos disso. Era sempre melhor que o esperado.
And I've, wasted half my life to throw it away [E eu desperdicei metade da minha vida pra jogar isso fora]"
Os dias se foram e cada vez mais eu sentia que precisava estar com . Ela me fazia bem. O problema era que eu não sentia que aquilo tinha futuro, apesar de saber que ela realmente sentia alguma coisa por mim. Era difícil até de pensar.
Depois de uma entrevista para um revista teen local, eu e os caras fomos até um bar para beber alguma coisa. Então fiquei sabendo que voltaríamos para casa em menos de uma semana. Me lembrei que tinha prometido conversar com sobre isso, mas eu não me sentia com coragem. Seria como finalizar a nossa história em seu auge, nada mais.
E eu procurei adiar ao máximo esse ponto final. Até que não pude mais detê-la. Ela tinha o direito de saber o que estava pra acontecer. Ou não.
- Então quer dizer que você vai arrumar as suas malas e partir? - falou incrédula. Eu tinha errado em esconder que ia voltar para a Inglaterra em menos de dois dias e ela se chateou muito com isso.
- , me desculpa, eu queria deixar isso de lado... será que podemos...
- Não, Dougie, nós não podemos nada! - ela me cortou - você decidiu sem mesmo precisar me comunicar. Espero que faça uma boa viagem.
- Espera!
Era tarde demais. Meus olhos me diziam que tudo tinha acabado ali, naquela batida de porta de hotel, mas meu coração disparado e raivoso dizia que nem tudo estava perdido.
To make you smile and find a new way [Pra fazê-la sorrir e encontrar uma nova maneira]
Of, falling in love [De se apaixonar]"
Eu tentei pegar o telefone e ligar pra ela, mas não conseguia mais encontrá-la. Parecia realmente que eu tinha perdido todas as minhas chances. Eu não sentia dor por isso, mas não parava de pensar que a tinha machucado. Eu me sentia um lixo.
Dois dias se passaram e neles, eu pude repetir, apenas na memória, aquele um mês e meio que passei sendo feliz... com alguém especial. Mas estava tarde e eu precisava pegar o avião.
Estava esperando, enquanto os outros dormiam, comiam e escutavam a conversa do Fletch no aeroporto. Eu mantive os olhos no painel, observando os nomes dos vôos e os horários. Se eu ao menos soubesse onde encontrá-la, poderia correr, pegar um táxi, dizer que eu sentia muito ou pedir que viesse comigo. Mas íamos embarcar em menos de meia hora.
Suspirei e me dei por vencido. Era tarde demais.
Me senti um completo idiota por isso.
Nosso vôo foi anunciado e eu me levantei com o restante do grupo para seguir para o portão de embarque. Peguei minha mochila, olhando para os lados, numa tentativa vazia de me despedir daquele lugar. Foi então que a vi, parada a alguns metros de mim, vestindo um casaco branco fino, que a deixava com um ar extremamente angelical. Eu não pude não sorrir, era a minha hora.
Me apressei em chegar perto e ela me abraçou. Sem dizer nada, me abraçou apertado, enquanto as palavras ficavam presas na minha garganta.
Pude jurar que minutos se passaram, mas eu não os senti. Eles pareceram segundos para mim. Rápidos demais.
se separou e tocou meu rosto. Eu não conseguia soltar uma só frase.
- Dougie... desculpe - foi o que ela disse, antes de me beijar. Então ela afagou minha bochecha com os dedos e deu alguns passos para trás, sem distanciar seu olhar de mim, e finalizou - não tem que dar certo, você sabe...
E assim a deixei ir.
I can't take it [Não posso agüentar]
Gotta tell ya [Tenho que te dizer]"
Eu nunca mais a vi. Quando pisei novamente nesse lugar, pensei em qualquer tipo de comunicação, em qualquer coisa só pra poder vê-la de novo. Fui até a praia, pensei em revelar a história a qualquer programa de tv ou revista, dando à eles a maior notícia de 2008 ou uma fofoca qualquer, na esperança de poder estar com ela só mais uma única vez. Mas não seria certo. Toda a magia acabaria.
Quando se passa muito tempo entre os fatos, tudo muda. É um ciclo comum.
Esse quarto de hotel tem uma vista privilegiada do céu. Daqui eu posso ver todas as constelações que eu quiser, menos uma. Aquela chamada .
Eu sei que ela sempre vai ter notícias minhas, devido ao seu trabalho e devido ao meu trabalho. Talvez isso não seja bom, talvez a magoe mais. Ou não, ela pode gostar.
Foi pensando nisso que escrevi uma das canções do novo álbum de minha banda. Eu toco baixo. Eu faço backing. Eu resolvi escrever sobre nós, sobre termos experimentado o céu naquela noite, sobre termos despedaçado isso, sobre não estarmos mais juntos. Talvez nunca mais.
Eu escrevi essa canção apenas por puro sentimento de esperança.
Porque eu sei que podíamos ter tido um final feliz.
Podíamos ter nos apaixonado.
E eu só espero que um dia escute essa música no rádio, e saiba que eu a escrevi pra ela.
[Queria ter me apaixonado]"

