Don't Ever Let Me Go
Autora: Mah Nunes
Status: Em Hiatus
Revisada por: Juh
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Humor/Romance/Drama - Long Fic
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“Passageiros do vôo 1265 com destino à São Paulo – Brasil, embarque no portão 13”
Fiz um bico e olhei pra , que estava emburrado desde que havíamos saído de casa.
- Hey, bonitinho, não fica assim! – passei as mãos pelo rosto de , que me encarou.
- Eu odeio despedidas. – ele disse, colocando as mãos no bolso e fazendo uma careta fofa.
- Não precisa de tanto drama também, né! Daqui a dois meses eu venho te visitar... – fiquei na ponta dos pés pra abraçá-lo.
apertou os braços contra meu corpo.
- Eu te amo. – ele disse, sem me soltar. Se ele tivesse soltado, provavelmente eu cairia. Era a primeira vez que ele dizia aquelas três palavras pra mim. Arrepiei até meu último fio de cabelo ao ouví-lo dizer baixinho, no meu ouvido, aquilo que eu imaginava nunca ouvir dele.
e eu estávamos juntos há seis meses, desde que eu o conheci em uma festa do James. Nunca houve um pedido de namoro assim, formal. Mas nós dois sabíamos que éramos exclusivamente um do outro durante aquele tempo que passamos juntos.
Talvez nós não quiséssemos nos envolver seriamente por saber que dali a seis meses nós iríamos nos separar e doeria mais se estivéssemos ainda mais envolvidos. Eu precisava voltar pro Brasil, a minha vida inteira estava lá. E a vida dele estava em Londres, junto com os garotos e o McFly.
É, ele mesmo, , do McFly. Ele é o cara com quem eu dividi minha vida durante os seis meses que eu estive em Londres. Era um relacionamento como qualquer outro, com direito a ciúmes, brigas, momentos românticos e tudo mais. Menos ‘eu te amo’. Nenhum de nós dois nunca disse isso pro outro. Talvez por medo de acabar se envolvendo mais do que devíamos e... ok, talvez eu nunca tenha falado por medo de me envolver mais ainda. Porque ele era extremamente apaixonante. Eu era completamente apaixonada por ele, mas preferi nunca dizer isso. Talvez ele não tenha falado por simplesmente... não sentir. Afinal, eu era só mais uma garota desconhecida que ficava com um dos caras mais disputados da Europa.
Ok, talvez eu fosse mais do que uma simples desconhecida que ficava com um dos caras mais disputados da Europa. Eu era uma desconhecida que ficou por seis meses com o . Foi ele quem me fez sentir todas aquelas coisas idiotas que você vê em filmes românticos e acha que nunca vai sentir. Foi ele quem me fez sentir as famosas borboletas no estômago, era ele o responsável por deixar minhas mãos suando frio e meu coração batendo descompassado cada vez que eu encarava seus olhos . TODAS as vezes, só pra lembrar.
E logo no fatídico dia que eu ia embora de Londres, ele me disse o que eu sempre quis ouvir dele e nunca admiti pra mim mesma.
Como tudo aconteceu? Ah, essa é uma longa história...
• Cap. 1 – Too much to drink
Música num volume ensurdecedor. Pessoas falando alto. Gargalhadas. Garrafas de cerveja espalhadas por todos os cantos da casa.
Era a minha primeira semana em Londres e eu não imaginava onde estava com a cabeça quando aceitei ir à aquela festa com a Rachel.
- Rach! – gritei e ela provavelmente não me ouviu, porque continuou caminhando entre as pessoas que dançavam e me puxando pela mão.
- Rach! – gritei novamente, desviando de um casal, que se agarrava, fervorosamente, no meio da pista de dança improvisada no meio da sala. No instante seguinte, quando olhei pra frente, a Rachel estava num beijo quase que pornográfico com um cara que eu não sabia quem era. Esperei pacientemente ela finalizar aquela babação com o cara, pra perguntar finalmente de quem era aquela festa.
- Bourne! – O cara do cabelo legal falou enquanto estendia a mão pra mim e puxava Rach pela cintura pra ficar do seu lado.
- Bourne? De James Bourne? – perguntei incrédula. Como assim a Rach não tinha me dito que tava dando uns pegas no James Bourne?
- Sim, Bourne de James Bourne!
- . – Sorri e apertei a mão dele. - Então, , sinta-se em casa e divirta-se! Tem bebidas na cozinha! – James falou segundos antes de puxar a Rach pela mão rapidamente em direção as escadas.
Ótimo. Agora eu estava num país desconhecido, na festa de um famoso, com gente completamente bêbada e sozinha.
Aquela primeira semana realmente não estava sendo boa pra mim. A Londres de oportunidades fáceis que todos me falavam não era assim tão fácil. Sete dias fotografando tudo e todos, e nada de dinheiro.
A minha única amiga em Londres era a Rach, e bem... ela devia estar muito ocupada naquela hora.
Dei um longo suspiro, observando centenas de rostos desconhecidos e caminhei em direção à cozinha pra buscar alguma bebida. Já que a Rach tinha me trocado pelo James, beber era a minha saída. Precisava espairecer.
Abri a geladeira, peguei uma garrafa de cerveja e segui em direção à uma grande porta de vidro que dava para os fundos da casa. Parei em frente a ela e observei algumas pessoas rindo, sentadas à beira da piscina.
Abri a porta e sentei-me escorada à ela, tentando tirar todas as coisas que me preocupavam da cabeça.
Duas, três, sete, oito cervejas. E aí eu perdi a conta de quantas eu já tinha bebido. Me sentia tonta, mas não queria parar. O gosto da bebida parecia melhor a cada gole, e eu estava adorando sentir meu corpo leve e enxergar as pessoas distorcidas.
Levei a garrafa até a boca e não senti o gosto amargo da bebida.
Tinha acabado a minha cerveja.
- Merda! – falei alto e pude ver algumas pessoas olhando pra mim como se eu fosse um alien.
Levantei com dificuldade do lugar onde estava sentada, já que minhas pernas pareciam não querer me manter em pé e eu sentia uma vontade imensa de rir e de dançar. Caminhei devagar, rindo das minhas tentativas falhas de andar em linha reta até a geladeira.
Peguei uma latinha de cerveja e fui em direção à sala de cabeça baixa, tentando abrí-la, o que parecia uma missão impossível.
Senti um corpo se chocando contra o meu com força, o que fez a latinha que eu segurava rolar pelo chão.
- Você não olha por onde anda, não? – falei brava e com a voz arrastada, completamente bêbada. Levantei minha cabeça pra encarar o idiota que tinha esbarrado em mim, mas só enxerguei um borrão de cabelos . Definitivamente não devia ter bebido tanto.
- Foi mal, eu nem vi você!
- Blábláblá, não me viu! Caralho, você não vai nem juntar a merda da latinha que você atirou na porra do chão? – respondi brava, sem nem saber direito o porquê.
E ele riu. Ele gargalhou de mim.
- Posso saber do que você tá rindo?
- De você! – ele continuava rindo, e eu cerrava meus olhos, tentando enxergar melhor o rosto do cara com quem eu estava falando.
- De mim? – apontei pro meu próprio peito. – Eu tenho cara de palhaça, por acaso?
- Em apenas uma frase você falou uns quinze palavrões! – ele falava enquanto abaixava pra juntar a lata de cerveja do chão. – Toma. – ele estendeu a mão com a latinha.
- Falou o bem educado! Muito obrigada! – respondi irônica, e quando abri o anel da lata, senti todo aquele líquido gelado espirrar contra o meu rosto e blusa. - Dava pra ter sacudido um pouco mais a lata, seu imbecil? – gritei com o cara, que continuava rindo de mim. – Olha o estado que eu tô! Como eu vou voltar pra casa desse jeito? – apontei pra minha blusa molhada, e me arrependi dois segundos depois, quando lembrei que a blusa era branca, e provavelmente estaria transparente.
- Gostei das cerejinhas! – ele falou apontando pro meu sutiã.
- Hey, pára de olhar! – cruzei os braços em frente ao peito.
- Como eu vou voltar pra casa desse jeito? – ele me imitou fazendo uma voz irritante e apontando pro peito.
- Idiota! – sorri, tinha sido engraçado ver aquele cara me imitar. – Onde tem um banheiro pra eu tentar limpar essa blusa?
- Lá em cima, terceira ou quarta... talvez quinta porta à esquerda. – ele respondeu, virando de costas e indo até a geladeira pegar mais bebida.
- Obrigada, estranho. – falei mais alto, já caminhando em direção à sala, mas tropecei em alguma coisa não-identificada que estava no chão e tive que me apoiar na bancada da cozinha pra não cair.
Levantei a cabeça devagar, me sentindo ainda mais tonta do que eu já estava antes, mas desisti e sentei no chão, encolhendo as pernas e encostando minha cabeça nelas, tentando fazer com que aquele enjôo e a dor de cabeça desaparecessem.
- Hey – ouvi alguém me chamando. Levantei a cabeça e enxerguei aquele mesmo borrão de cabelos , que eu não conseguia saber quem era por estar quimicamente (muito) alterada.
- O quê? – falei numa voz chorosa e levantei minha cabeça pra encará-lo.
- Vem. – ele estendeu a mão na minha direção.
• Cap. 2 – I don’t know who you are, but I’m with you
Segurei a mão dele e dei um impulso forte pra conseguir me levantar do chão. Não sabia quem ele era e nem pra onde tava me levando, mas pior do que eu estava, não ficaria. Ele saiu caminhando entre as pessoas que dançavam animadamente no meio da sala, me segurando pela mão. Uma sensação diferente tomou conta do meu corpo quando olhei meus dedos entrelaçados nos dele. Bebida demais, provavelmente.
Subimos uma escada grande e fomos parar em um corredor com muitas portas. Muitas portas, só pra ressaltar. Continuamos caminhando pelo corredor até que ele me puxou pra dentro de uma das milhares de portas que havia naquela casa.
Um banheiro. Um grande, limpo e bem iluminado banheiro. Meus olhos doíam com aquela luz forte.
- Me espera aqui que eu vou pegar alguma coisa limpa e seca pra você vestir. – o cara falou antes de sair pela porta e me deixar sozinha.
Abri a torneira e deixei a água correr um pouco, antes de molhar minhas mãos e passá-las no meu rosto pra retomar um pouco da consciência. Sentei na bancada da pia do banheiro, ouvindo a música que tocava no andar de baixo e tentando decifrar de que banda era. Eu já começava a sentir um frio desagradável por estar com a blusa molhada, quando o carinha entrou no banheiro e me entregou uma camiseta preta com algumas coisas escritas, que, obviamente, eu não consegui ler por não estar enxergando nada direito.
- Agora você já tem uma roupa seca. – ele falou colocando as mãos no bolso da bermuda, e eu apesar de não estar raciocinando rápido, achei aquilo extremamente fofo. Ele virou de costas pra sair do banheiro, mas eu não queria que ele saísse.
- Hey, estranho! – ele virou de volta pra mim.
- Eu? – ele parecia desconfiado.
- Não me deixa sozinha! Sabe... eu... não conheço ninguém aqui nessa festa e a minha amiga me abandonou pra pegar um cara famoso que agora eu nem consigo mais lembrar o nome, e eu tô bêbada e eu não sei mais o que eu tô falando! - me senti mais bêbada e patética do que em qualquer outro momento naquela noite.
- Eu achei que você quisesse se vestir. – ele falou calmo, se escorando na parede.
- E eu quero! – eu sorri animada e desci da bancada da pia. – Mas você pode ficar aqui, sabe, é só virar de costas, e além do mais, você já até comentou das cerejas do meu sutiã! – eu ri abobalhada.
Não sabia porquê, mas estava um pouco mais feliz por finalmente ter alguém pra conversar.
- Você vai trocar de roupa na frente de um estranho? – ele disse, virando-se de costas pra mim quando eu coloquei as mãos na barra da blusa pra tirá-la.
- Não, eu vou trocar de roupa de costas pra um estranho. E aliás, qual é o seu nome, estranho? – perguntei, colocando a camiseta que ele tinha me trazido.
- .
- Eu sou a , mas pode me chamar de . – terminei de colocar a camiseta me sentindo um pouco melhor do enjôo e da bebedeira. Ele continuava de costas pra mim e eu tirei alguns segundos do meu tempo só pra observar . Ele vestia uma bermuda uns 3 números maior que o dele, já que elas caíam e deixavam a boxer aparecer. Ele parecia ser realmente bonito, e pela primeira vez na noite eu quis estar sóbria e poder enxergá-lo perfeitamente.
- Já posso me virar? – a voz dele me tirou dos meus pensamentos.
- Já! – parei em frente do espelho pra tentar arrumar a minha maquiagem, que já estava borrada. Ouvi uma música conhecida começar a tocar no andar de baixo e passei a cantarolar baixinho, enquanto o me observava pelo espelho.
When everything's going wrong
And things are just a little strange
It's been so long now you've forgotten how to smile
sorriu e passou a cantar comigo.
And overhead the skies are clear
But it still seems to rain on you
And your only friends all have better things to do
Eu sabia que eu conhecia aquela voz de algum lugar. Eu tinha certeza!
Aquela voz que eu adorava ouvir... o cara de cabelos ... ...
? Não podia ser.
- Pára. Você tá brincando comigo, né? – perguntei virando de frente pra ele e segurando-o pelos ombros.
- O quê? Do que você tá falando? – ele parecia confuso.
- Você não é ... , é? – minhas mãos passaram a tremer naquele momento.
- Até onde eu sei, eu sou! – ele sorriu. Cara, aquele borrão que eu enxergava era o , sabe? , o do McFly!
Me encostei na parede fria do banheiro e escorreguei até ficar sentada.
- Eu não acredito nisso! Eu não acredito! – eu repetia baixinho pra mim mesma.
- Não acredita no quê? – perguntou ainda de pé, com as mãos no bolso, me olhando.
- Eu simplesmente não acredito que eu tô na festa de um cara famoso, que eu tô dentro de um banheiro com , não acredito que eu fui patética a noite inteira e que amanhã eu não vou lembrar de nada disso! Que merda! – eu senti vontade de chorar, exclusivamente por estar bêbada.
Afundei meu rosto em minhas próprias mãos e senti uma mão no meu ombro.
- Se você esquecer, eu faço questão de te lembrar. – falou encarando meus olhos. O enjôo voltou, mas dessa vez era por eu estar a menos de 30 centímetros de .
• Cap. 3 - It's the way that he makes you feel
Ficamos os dois ali, sentados no piso frio do banheiro, conversando como se fôssemos velhos conhecidos. Falamos sobre tudo: animais, pessoas, bebidas, festas... enfim, de tudo. Até o momento em que ficamos os dois em silêncio. Esse tipo de situação sempre me incomodava e me deixava nervosa. Mas eu estava do lado do , o , o do McFly! Isso aumentava o meu nervosismo umas quarenta e sete vezes. Só quando a gente parava de conversar era que eu percebia que era ele quem estava ali, de verdade.
- Eu tô cansada. – falei esfregando os olhos.
- Vem, eu acho um quarto pra você. – ele levantou e eu o segui.
Depois de entrar em uns quatro quartos com gente se comendo, uns dois com pessoas dormindo e ver umas trinta pessoas vomitando, finalmente achamos um quarto vazio. Entramos e ele fechou a porta.
Me atirei na cama e ficou parado na porta me olhando e sorrindo.
- Que foi? – perguntei enquanto me ajeitava em cima da cama.
- Isso é estranho. – ele falou, sentando ao meu lado.
- O que é estranho, ?
- Tipo assim... eu tenho uma banda! Era pra você estar pulando em mim agora! – ele riu e eu consegui enxergar os olhos dele brilharem.
- Se te consola, provavelmente se eu tivesse sóbria quando te vi, eu pularia em você e não soltaria mais! – senti meu rosto corar logo após eu terminar a frase.
- Ah é? – ele deitou do meu lado na cama e ficamos os dois olhando pro teto.
- É. Você sempre foi meu favorito no McFly. – fiz uma pequena pausa. – Se bem que o com aquele sorriso e o com aquele jeito de tocar... Ai, fora o que é perfeito, né! – fingi uma cara afetada e suspirei, vendo ele me olhar com uma expressão de espanto.
- E eu achando que era seu favorito! – ele riu.
- Mas você é! – corei novamente. Silêncio. Ficamos os dois quietos, olhando pro teto. Eu só ouvia barulhos vindos lá de baixo e a respiração dele.
Dois. Três. Quatro minutos e a gente continuava em silêncio. Aquilo realmente já começava a me incomodar.
- Um objeto? – puxei assunto.
- O quê?
- Vai, fala a primeira coisa que vier na sua cabeça! Um objeto?
- , obviamente. – eu continuava olhando pra cima, mas sabia que ele tava sorrindo.
- Filme? – perguntei.
- Algum com mulheres gostosas! – ele riu.
- Música?
- As do McFly. Eu tenho que puxar o saco da minha banda. – ele parecia concentrado pra me responder.
- Qualidade?
- Eu sou lindo, olha pra mim! – Nós dois rimos.
- Eu concordo plenamente. – falei baixo, mais pra mim do que pra ele.
- O quê? – ele tinha ouvido? Shit!
- Nada, não... Cor?
- Azul.
- Um lugar? – ele demorou alguns segundos pra responder.
- Aqui. – ele falou com convicção e eu senti um arrepio percorrer meu corpo.
- Um momento?
- Agora. – ele virou o rosto pra mim. E eu virei o meu pra ele.
Ficamos nos encarando nos olhos e eu senti borboletas fazerem a festa no meu estômago.
- Uma... – respirei fundo. – Uma pessoa?
- Você. – ele disse olhando nos meus olhos. E as borboletas se transformaram em monstros que me faziam sentir arrepios, minhas mãos tremendo e meu coração batia acelerado.
E isso foi multiplicado por trinta quando eu vi Dougie se escorar no braço e ficar com o rosto a poucos centímetros do meu.
- Você não vai falar nada? – ele perguntou baixinho enquanto aproximava mais ainda nossos rostos, me fazendo sentir a respiração dele bater na minha boca. Senti a sua mão levantar um pouco a camiseta larga que eu usava e acariciar levemente a minha barriga. Fechei meus olhos e suspirei, não acreditava que aquilo tava acontecendo comigo.
- Não faz isso... – falei ainda de olhos fechados e senti os dentes dele se fecharem no meu lábio inferior.
- Eu quero fazer mais que isso... – Dougie beijou o canto da minha boca e por mais auto-controle que eu tivesse, não dava pra ficar parada.
Coloquei minha mão ainda trêmula em sua nuca e o puxei pra mais perto de mim, ficando quase tonta ao ver aqueles olhos me encarando. Ele passou levemente a língua pelos meus lábios e automaticamente eu os abri, fazendo nossas línguas se encostarem e eu sentir arrepios em uma intensidade que eu nunca havia sentido antes. Um beijo calmo, como se nós dois quiséssemos aproveitar o máximo que aquele momento podia nos proporcionar. Provavelmente seria a única e última vez que eu beijaria , e eu precisava fazer aquilo se tornar inesquecível.
• Cap. 4 – Do you care if I don’t know what to say?
Um beijo. Dois. Quatro. Intermináveis. Eu não queria parar, ele não parecia querer parar. Eu não tinha idéia do que falar pra ele quando parasse de beijar, então quanto mais beijasse, melhor. Literalmente, óbvio.
Me afligia pensar que depois daquele beijo eu teria que olhar pra ele. Sabe, porque, tipo, ele era e eu... uma garota normal.
Quando ele parecia querer interromper o beijo, eu o puxava novamente contra a minha boca e ele sorria. Acho que ele entendia a minha aflição.
- Se você deixasse, eu queria te olhar de novo. – ele falou em meio a um sorriso, com a boca encostada na minha.
- Mas tá bom assim! Não tá bom? Pra mim tá ótimo! – falei nervosa e rapidamente, brincando com os cabelos dele.
- Tá ótimo assim. – me deu um selinho. – Mas eu preciso de oxigênio, sabe? – ele fez uma cara fofa. Outra mais fofa ainda. Todas as caras que ele fazia eram fofas.
- Tá! Pode respirar! – nervosismo? Muito. Vergonha? Demais. Palavras? Nenhuma em mente. A única ação que me passou pela cabeça foi virar de costas pra ele, só pra não ter que encarar aqueles olhos que me deixavam tonta. Eu não sabia o que fazer e muito menos o que falar. Tirando o fato de eu não estar muito sóbria, eu sabia que qualquer palavra errada estragaria aquele momento. Eu procurava incansavelmente por palavras que parecessem certas naquela hora, mas a única coisa em que eu conseguia pensar era: ‘eu tô mesmo aqui com o ?’. Aquilo martelava na minha cabeça e eu não conseguia acreditar.
Eu continuava virada de costas pra ele, e suava frio. Não conseguia processar nenhuma informação e meus ouvidos começaram a zunir. Eu não queria sair daquele quarto e muito menos daquela cama, mas eu não tinha noção de como agir.
Meus pensamentos se esvaíram quando eu senti me virar de frente pra ele novamente.
- Eu não disse que queria te olhar? – ele falou num meio sorriso, passando os lábios na pele macia embaixo da minha orelha. Arrepiei.
De novo e de novo.
- Na boa, eu não consigo acreditar que isso tá acontecendo. – finalmente me pronunciei, virando de frente pra ele, que mantinha uma das mãos acariciando a minha cintura.
- Por que não acredita?
- Porque tipo... você é ! Do McFly! E eu sou só... sou só... eu! – falei rapidamente e ele pareceu se concentrar pra entender o que eu tinha dito.
- E eu sou só um ser humano como qualquer outro! – a voz dele estava num tom mais alto e continha um pouco de indignação. – Eu tenho vontades normais, como todo mundo! – ele abaixou a voz – E a minha única vontade agora é de estar aqui, com você...
Sorri involuntariamente e abri a boca pra falar alguma coisa, mas as palavras sumiram. Tentei pensar rápido em alguma coisa pra dizer, mas minha cabeça não produzia nada.
- Acho que eu já tenho oxigênio o bastante pra voltar a fazer o que a gente tava fazendo... – tirou qualquer pensamento que habitasse minha mente, pressionando os lábios quentes sobre a pele do meu pescoço.
Fechei os olhos por um instante só pra me convencer de aquilo não era um sonho.
- Eu não via a hora de você dizer isso. – Sorri e rocei meus lábios nos dele, que abriu a boca pra me beijar, mas eu recuei um pouco e encarei-o nos olhos. Nossas testas continuavam encostadas e ele me olhava fixamente.
Vi ele fechar os olhos lentamente e encostar a boca na minha novamente, passando a língua pelo canto da minha boca em seguida.
Novamente recuei, rindo da expressão de desânimo que ele fez.
- Não faz assim comigo... – ele deitou a cabeça no travesseiro e passou as mãos pelo rosto.
Coloquei uma perna de cada lado do corpo de , ficando sentada em cima dele. Ele me olhou e sorriu de lado, e eu mordi o lábio, envergonhada e excitada com as possibilidades que se abriam por nós estarmos ali.
- Agora sim as coisas estão como eu gosto... – ele passou as mãos pelas minhas costas, levantando um pouco a camiseta que eu usava e me fazendo soltar um gemido ao apertar minha cintura, por debaixo da blusa, enquanto procurava pelos meus lábios avidamente.
• Cap. 5 – Don’t stop me now
Eu não sabia se o meu coração batia rápido ou devagar. Eu não sabia nem se ele continuava batendo. Cada vez que o apertava minha cintura, eu sentia como se bilhões de borboletas tivessem resolvido voar dentro do meu estômago. E cada beijo que ele me dava parecia melhor do que o anterior.
Eu já tinha acostumado (veja bem, acostumado, não, acreditado) com o fato de que eu estava ali mesmo, beijando, pegando e apertando . E a cada minuto que passava, as carícias ficavam mais quentes, os beijos mais rápidos e os toques mais ousados.
Naquele momento, nós dois já estávamos sem blusa e ofegantes.
Eu beijava o pescoço dele, enquanto o ouvia suspirar e gemer baixinho, quando senti as mãos dele tentando abrir o zíper da minha calça jeans. Eu meio que acordei do sonho naquele exato momento.
- Tira a mão daí. – falei em meio a um beijo na boca dele.
- Não! – ele riu contra minha boca e abriu o botão da minha calça.
- Eu tô falando sério. – ele parou de me beijar e olhou nos meus olhos. Eu continuava sentada no colo dele.
- Por quê?
- Porque eu não quero, ué! – respondi simples, deitando na cama novamente.
- Como não quer? Você tá provocando! E pareceu querer tanto quanto eu! – parecia surpreso e estava sentado na cama, me olhando.
- Eu não quero, que coisa! – eu ri e voltei a me sentir bêbada. Tem outra explicação? É, bêbada. deitou do meu lado e olhou pro teto. Eu virei de lado e fiquei observando seu perfil. Ele era realmente tudo aquilo que eu via nas fotos.
- Sabe, eu tenho uma banda. Eu não beijo mal, ou pelo menos nunca ninguém reclamou. Eu não entendo o porquê de você não querer! – falou ainda encarando o teto, e eu senti vontade de rir da cara de tristeza dele. Era ótimo saber que ele também se sentiu inseguro em algum momento.
- Você beija mal, . Desculpa. – falei, e ele virou a cabeça rapidamente pra me encarar. Ele abriu a boca pra falar alguma coisa, e eu comecei a rir descontroladamente.
- Você tinha que ter visto a sua cara agora! - Ele continuava me olhando, e sério. – Eu tô brincando, idiota! – ele sorriu aliviado e se aproximou do meu rosto, me fazendo sentir a respiração dele contra minha boca. Ele fechou os olhos e ia me beijar, mas eu coloquei a mão no peito dele, impedindo-o.
- Você tem que parar com essa mania de ‘eu tenho uma banda’! – eu falei imitando-o e nós dois rimos.
- E você tem que parar com essa mania de me parar quando eu vou te beijar. – não pude responder nada, já que grudou seus lábios nos meus e eu voltei a sentir todas aquelas malditas borboletas.
• Cap. 6 – Bebe mais um pouco que eu tiro a sua roupa
Meia hora naquele quarto. Meia hora de amassos incessantes com o . Meia hora que eu tentava mentir pra mim mesma que eu conseguia me controlar. E eu realmente não conseguia mais me controlar.
Nós só parávamos de nos beijar/agarrar/amassar pra beber mais e mais. Sim, nós tínhamos descoberto um frigobar no quarto e tratamos de acabar com todo o estoque de álcool existente nele.
Nós continuávamos sem blusa e ele passava as mãos por cima do meu sutiã, como se pedisse pra ir mais além. Minhas unhas arranhavam de leve o peito dele, fazendo com que ficassem marcas na pele branca de .
Ele estava por cima de mim, beijando meu pescoço de uma forma que me fazia esquecer qualquer coisa. Se me perguntassem meu nome, eu não saberia dizer naquele momento. Eu simplesmente não conseguia raciocinar e nem fazer nada direito; sentia as mãos dele abrindo e tirando minha calça e apenas o beijava mais ardentemente, estimulando-o a continuar.
Tirei minhas mãos das costas dele e passei para o cinto da bermuda que ele usava. O abri e baixei a bermuda larga que ele vestia com os pés. Ele parou de me beijar e encarou meus olhos, sorrindo em seguida.
Eu vi os olhos dele com uma espécie de brilho diferente das outras vezes que eu os tinha encarado, e vi as pontas dos seus cabelos molhadas de suor.
Ele voltou a me beijar quase que violentamente e passou os dedos gelados pela barra da minha calcinha. O arrepio que eu senti naquela hora me fez lembrar do estado que eu me encontrava e com quem eu me encontrava.
- Não, ... – eu o empurrei e saí debaixo dele, catando minhas roupas espalhadas pela cama e colocando-as sobre meu corpo.
- Eu não sei por que você provoca, se não vai fazer! – gritou, irritado e visivelmente frustrado. Eu me assustei e meio que me arrependi de tudo.
- Desculpa... – eu falei baixo e querendo chorar.
Ele suspirou e passou as mãos nervosamente pelo cabelo, levantando da cama e andando de um lado pro outro no quarto.
Eu o observava caminhar nervoso e apenas de boxer pelo quarto, e minha vontade de chorar passou. Ele era perfeito. Diversas vezes melhor do que nas fotos.
- Eu devia te odiar agora! – ele finalmente falou depois de alguns minutos. Sentou-se ao meu lado na cama, e eu levantei a cabeça pra encará-lo. – Mas eu simplesmente não consigo! – ele sorriu. Aquele sorriso.
Mais uma descoberta. era bipolar, só podia. Mudanças de humor constantes. Num momento ele era extremamente sexy, depois me deixava assustada e no segundo seguinte me fazia querer abraçá-lo e não soltar nunca mais.
- Se eu te der mais bebida, você deixa? – ele olhou pra mim e fez uma cara maliciosa.
- Não...
- Então, vai, se veste de uma vez e vamos descer, porque se eu ficar mais um minuto nesse quarto com você, eu não vou me controlar! – ele riu, enquanto colocava a camiseta.
• Cap. 7 – Place your hand in mine.
Ele desceu as escadas na minha frente e eu o segui, passando as mãos pelos cabelos numa tentativa inútil de tentar arrumá-los. Quando finalmente chegamos ao final da escada, ele parou e me esperou. Eu fiquei de pé no último degrau da escada e o encarei.
sorriu e me estendeu a mão.
Entrelaçamos nossos dedos e caminhamos até um grande sofá na sala, onde havia algumas pessoas tão bêbadas quanto nós, rindo e falando alto.
Sentei ao lado de , que já se encontrava esparramado num canto vazio do sofá. Eu ainda estava tímida e anestesiada pelo que quase havia acontecido minutos antes.
Eu observava todos os integrantes do McFly ali, sentados no mesmo sofá que eu, rindo e conversando, e lembrava de todas às vezes que eu imaginei aquilo acontecendo. Fui tirada dos meus pensamentos quando senti me puxar pelo braço pra sentar entre as suas pernas.
Assim, ele tava me ‘assumindo’ pros amigos dele ali, ou era só impressão minha?
É. Ele tava. Porque no instante seguinte, eu senti seus lábios sendo pressionados contra o meu pescoço. Sorri quieta e continuei observando o jeito engraçado do de falar, a cara de interessado do e a expressão fofa – sempre – do .
A Rach mexia incansavelmente nos longos cabelos loiros e provocava o James de uma maneira quase que explícita.
O resto das pessoas da festa parecia nem se importar com o fato de estarem com celebridades inglesas ali. E eu anestesiada. Chapada. Sem saber o que falar ou fazer.
- Sua mão tá fria. – falou, me abraçando mais forte, fazendo-me encostar as costas em seu peito. Entrelaçou seus dedos nos meus mais uma vez e me fez sentir novos arrepios com o toque da mão dele quente na minha gelada. Eu me sentia extremamente idiota por me sentir extremamente idiota quando ele me tocava. Dei um sorriso tímido pra ele, que mais uma vez beijou meu pescoço. Ele parecia ter gostado daquilo, porque não passava mais de cinco minutos sem fazê-lo.
- , quer parar? – falei em meio a um sorriso, fechando os olhos ao sentir ele lamber meu pescoço.
- Tô confortável assim! – ele me mordeu fraco e eu suspirei rindo, querendo na verdade retribuir tudo aquilo. Completamente travada por estar na sala com os amigos dele, no território dele.
Ele passou a chupar o meu pescoço levemente, e eu sabia que iriam ficar marcas ali. Não ligava. Mesmo.
- ! Pára! Os seus amigos estão aqui! – falei, virando a cabeça pra trás pra encará-lo.
- E daí? – ele me deu um selinho rápido, seguido de um sorriso.
Sorri junto com ele.
- Você não presta, garoto!
- Não mesmo. E você adora, afinal... eu tenho uma banda, sabe como é... – ele gargalhou e eu belisquei seu braço, que estava sobre a minha barriga.
Passamos mais algumas horas ali, conversando com os caras da banda e o James, e eu me adaptei mais do que imaginei. Eles eram realmente fodas.
- Bebê, posso dormir aqui hoje? - Rachel pediu com uma voz manhosa.
- Você pode passar a noite aqui, dormir eu não garanto! – James deu o sorriso mais malicioso que eu já tinha visto na vida.
- Mas Rach! Eu tenho que ir pra casa! – falei suplicante.
- Ai, dorme aqui também! O James não se importa, né, bebê? – Rach olhou pra James, que negou com a cabeça.
- Não, Rach, eu quero ir embora!
- Tá, se você quiser eu te dou a chave, mas seria legal você dormir aqui. Vai, fica! – ela me olhou com cara de cachorro abandonado.
- Ok, eu vou embora. – sorri.
- Fica aqui. – ouvi sussurrar no meu ouvido.
- Nãnãnã, eu tenho que ir embora!
- Ah, fica... por favor? – fez bico e o melhor olhar de coitadinho.
- Pra quê? – provoquei.
- Bom... assim, eu tô pedindo. E não esquece que eu tenho uma banda!
- Você é muito chato com esse negócio de blábláblá eu tenho uma banda! – imitei-o.
- E eu vou ficar muito bravo se você for embora e me deixar aqui com esse bando de retardados!
- Esses retardados são a sua banda! – falei me levantando do colo dele e pegando as chaves do apartamento da Rach.
- É, exatamente. Eles são da minha banda, ou seja... eu tenho uma banda e você tem que me amar por isso! – ele sorriu.
- Tsc, tenta de novo outro dia, baby. – pisquei, fingindo uma cara afetada.
- Cala a boca e vem aqui! – ele levantou rapidamente do sofá e me colocou sobre os ombros, bem naquele estilo ‘sequestro’. Subiu as escadas e me atirou naquela mesma cama de horas antes.
- Daqui você não sai! – falou me abraçando por trás e colocando uma das pernas sobre as minhas, me prendendo ali.
- E quem disse que eu queria sair?
- Shh. – ele colocou a mão sobre a minha boca. – Eu quero dormir.
E realmente dormiu. Nem dez minutos depois de ter dito que queria dormir. Talvez efeito do álcool. Talvez eu desse sono nele. Talvez eu não quisesse sair nunca mais dali.
• Cap. 8 – There’s a hole in my mind when you’re not next to me.
Abri meus olhos devagar, tentando me acostumar com a claridade que entrava pela janela do quarto. Minha cabeça latejava e eu ainda sentia o gosto de álcool na minha boca. Meu corpo parecia pesar cem quilos e eu só fui entender o porquê depois que abri completamente meus olhos e enxerguei uma perna sobre as minhas. Flashes da noite anterior passaram pela minha cabeça e eu virei meu rosto vagarosamente pra trás, pensando ainda estar dormindo.
Mas não.
Ele estava ali. estava ali, deitado ao meu lado, com uma das mãos sobre a minha coxa e a perna sobre as minhas. Uma sensação de desespero tomou conta do meu corpo e minha cabeça passou a doer mais.
Tentei sair da cama delicadamente pra não acordá-lo, mas pisei em uma lata de cerveja que estava no chão e soltei um grito abafado pelas mãos. Olhei pra ele, que não se moveu. Suspirei aliviada.
Meu pé doía.
- Merda, cacete, porra, mas que inferno de lata idiota! – falei mais baixo, resmungando de dor.
- De novo você com seus palavrões, ? – ouvi a voz sonolenta de . Meu pé parou de doer. Minha cabeça também. Eu queria vomitar.
Corri para o banheiro do quarto, sem responder a pergunta dele, que permanecia deitado na cama. Patética, sim.
Encarei meu reflexo no espelho e quase surtei. As três camadas fortes de rímel que na noite anterior estavam em meus cílios, agora estavam esparramadas por toda a área dos meus olhos. E aquela merda não saía, por mais que eu lavasse o rosto. Meu rosto estava amassado e eu parecia com um zumbi ou coisa do tipo.
- Cadê a garota bonita com quem eu dormi ontem? – estava escorado na porta do banheiro, me observando.
Meu coração parecia querer saltar pra fora do peito, e eu não sabia o que responder.
Eu o encarava pelo reflexo do espelho, apoiada na pia do banheiro. Vi ele se aproximar devagar de mim e me abraçar pela cintura, apoiando o queixo sobre o meu ombro.
- Você tá linda assim, parecendo um hamster! – ele sorriu. Eu senti vontade de rir junto, apesar de todo o nervosismo.
- Hamster? Isso foi broxante, . – “”. “”. Eu pareci tão natural falando o nome dele que até me assustei. Na verdade eu deveria estar tremendo.
- É que seus olhos estão pequenos e você tá toda amassada... se bem que com essas olheiras e essa coisa preta aí nos seus olhos, você parece mais com um panda! – ele permanecia com os braços envoltos na minha cintura.
- Me encanto com a sua delicadeza, querido. – falei sarcástica, me virando de frente pra ele e empurrando-o pra fora do banheiro.
- Eu sei, eu sou encantador! – sorriu. Aquele sorriso extremamente... encantador.
Lavei meu rosto novamente, na esperança de que a água fria me fizesse parar de ter pensamentos pervertidos envolvendo – acordando – de manhã.
Difícil, muito difícil, na verdade.
Quando retornei ao quarto, não estava mais ali. Desci as escadas, dando de cara com James apenas de boxers na cozinha.
- B-bom dia... – qual é? Era James Bourne de boxers, cara!
- Bom dia, bonitinha! – ele sorriu e abriu a geladeira, pegando uma jarra de suco. – Eu pedi café da manhã pra todo mundo, sinta-se à vontade enquanto não chega.
Agradeci e fui em direção à sala, onde a Rach falava no telefone e estava deitado no sofá. Sentei no chão, escorada no sofá onde estava e cruzei as pernas, fingindo prestar atenção no que passava na tv.
Ele sentou no sofá, de modo que cada uma das pernas dele ficasse de um lado do meu corpo, no chão. Colocou as duas mãos no meu pescoço, quase que massageando-o.
- Bom dia pra você também, ! – ouvi dizer, enquanto eu tentava acreditar que eu realmente estava ali com ele. A ficha ainda não tinha caído.
- Bom dia, ! – olhei pra cima e o encarei, sentindo todas aquelas borboletas infernais novamente invadirem meu estômago ao olhar nos olhos dele. Ele sorriu e encostou levemente os lábios nos meus.
- Parem de se pegar aí e venham comer, crianças! – James gritou da porta da cozinha.
Estávamos tomando café da manhã quando um completamente descabelado e com o peito arranhado entrou gritando na cozinha.
- Vamos rápido com isso, cara! O Fletch acabou de me ligar e tá puto com a gente! Porra, ninguém lembrou que a gente tem que ir pro estúdio hoje? – tentava falar, enquanto enfiava alguns pedaços de pão na boca.
levantou da mesa e caminhou até a sala, pegando as chaves do carro de cima da mesinha de centro.
Eu continuei sentada na mesa da cozinha com James e Rach, fingindo não ligar a mínima pro fato do estar indo embora. Na verdade eu queria amarrar ele no pé da mesa e fazê-lo ficar ali pra sempre.
- Hey, você não vai se despedir? – colocou a cabeça pra dentro da cozinha, me encarando. Então ele queria se despedir de mim. Sorri e caminhei até a sala.
- Eu quero te ver de novo, ok? – ele disse, enquanto colocava as mãos na minha cintura.
- Uhum. – sorri fraco, triste por saber que aquilo dificilmente aconteceria.
Ele encostou os lábios nos meus, passando a língua em seguida, como se pedisse pra intensificar o beijo. O fiz, e senti nossas línguas brincarem devagar e intensamente.
Eu nunca tinha experimentado nada parecido. Percebi que todas as vezes que eu beijei outra pessoa, parecia errado. Com o foi diferente. Encaixava. Era como se nós estivéssemos sincronizados um com o outro.
- Eu tenho que ir... – ele fez uma carinha triste e me deu um selinho.
- Vai logo, antes que o tenha um ataque. – apontei pro , que batia os pés no chão freneticamente.
Ele me deu mais um selinho e saiu pela porta da sala.
Me sentei no sofá e fechei os olhos, tentando organizar as idéias na minha cabeça. É, eu tinha ficado com .
A sensação de vazio que eu sentia era assustadora. Muito pior do que nunca ter ficado com , era ficar e ter que vê-lo ir embora.
• Cap. 9 – I don’t like your girlfriend.
Uma semana havia se passado, e como eu já imaginava, não falei mais com o e nem tive nenhuma notícia dele, a não ser as que eu via sobre o McFly nas revistas e na TV.
- Anda, , vaaaaamooooos! – Rach entrou no meu quarto improvisado em seu apartamento e me puxou pelo braço, com aquele jeito estabanado de ser que ela tinha.
- Pra ooonde Raaaaaach? – respondi do mesmo jeito que ela, rindo.
- Pra casa do bebê, oras! – ela deu o melhor sorriso 67253 dentes que podia.
- Fazer o que lá, Rachel?
- Eu vou matar a saudade do meu Jimmy, e você... sei lá, joga videogame?
- Ai, Rach... não sei...
- Vaamos xuxu! – carinha de cachorro sem dono.
- Anda logo, antes que eu me arrependa. – peguei minha bolsa e fui pra casa do James com a Rach, ainda meio desanimada de ter que ficar lá segurando vela.
Uma hora e meia jogando Tony Hawk e ouvindo os barulhos irritantes dos beijos da Rach e do James. Torturante.
Até a campainha tocar e eu ouvir aquela voz bem conhecida por mim. Virei um pouco a cabeça pra trás só pra ter certeza de que era ele mesmo quem estava ali. E era. Ele, de mãos dadas com uma garota de cabelos castanho claro.
Não sei explicar direito o que eu senti naquele momento. Eu sabia que aquilo podia acontecer, mas não esperava que fosse tão rápido.
“Eu quero te ver de novo, ok?”
As palavras dele ecoavam na minha cabeça e faziam minhas esperanças se esvaírem. Voltei minha atenção para o skatista da tela da TV que estava espatifado no chão, devido ao breve momento ‘eu odeio o e quero que ele morra’. Provavelmente se eu olhasse pras mãos deles entrelaçadas por mais um segundo, eu choraria. Qual é, eu sou uma garota, e sou sensível sim!
- Oi, ! – caminhou até o local onde eu estava sentada e me deu um beijo no rosto.
- Oi, ! – tentei parecer o mais natural possível, embora eu quisesse sair daquele lugar.
- ? – a voz de me chamou e eu fechei os olhos por alguns segundos antes de encará-lo.
- Hey, ! – eu era ótima em fingir naturalidade.
- O-oi... – ele parecia tão assustado quanto eu.
- Não me apresenta seus amigos, ? – a garota bonita que estava com se pronunciou finalmente, abraçando-o por trás, pela cintura. Eu daria meu fígado pra estar no lugar dela naquele momento.
- Vicky, essa é a ... uma amiga minha...
- Oi, ! – Vaca. Ela podia ser super irritante e não dar aquele sorriso simpático, seria mais fácil de odiá-la.
- Oi Vicky! – respondi sorridente. Eu podia ser uma atriz quando tinha vontade.
Meia hora jogando Guitar Hero com o e ouvindo barulhos irritantes de beijos da Rach com o James E do com a Vicky. Era tortura demais pra mim, mas eu me mantive controlada.
Eu ouvia os assuntos irritantes daquela garota com o , e ouvia ele dar respostas monossilábicas e voltar a beijá-la. Pelo menos ele fazia ela calar a boca, mesmo que de um jeito que eu não gostasse nada.
Até que o celular dela tocou e ela falou algo como “Já tô indo sweeeeeetie” e foi embora.
Eu continuava vidrada no jogo de videogame, pra não pensar em qualquer coisa que envolvesse o idiota do .
- ! – me chamou e quando eu olhei pra trás, quase fui atingida por uma lata de cerveja na cabeça. – Ih, foi mal! Ele riu e me chamou pra sentar ao lado dele no sofá.
- Hey, vamos fazer alguma coisa mais interessante! – Rach propôs.
- Tipo o quê? – perguntei enquanto abria a minha latinha de cerveja.
- Tipo... jogo da verdade! – ela sorriu, olhando pro James.
- Por mim tá beleza. – respondeu.
- Então vamos!
Algumas rodadas de perguntas depois, algumas coisas que jamais passariam pela minha cabeça sobre , , Rach e James depois... era a vez da Rach perguntar algo pra mim.
- , você anda tão aérea que parece que tá apaixonada... você tá?
Bebi um longo gole da minha cerveja antes de responder. Eu precisava medir minhas palavras, afinal, eu ainda não conseguia diferenciar se o que eu sentia era só uma atração de fã com o ídolo ou era algo mais parecido com uma paixão mesmo.
- Me define ‘apaixonada’. – ganhei mais tempo pra pensar com aquela resposta, e percebi que não desviava o olhar de mim.
- Apaixonada, oras... aquilo de sentir arrepios, mãos tremendo, coração acelerado e tudo mais!
- Humm... talvez. Não posso dizer nada com certeza. – bebi mais um gole da cerveja. – Ainda.
Notei que aparentava um certo desconforto e não parava de se mexer por um segundo.
- Cansei. – ele falou, levantando-se do sofá e indo em direção à cozinha.
- Também. – deitou no sofá, enquanto Rach e James se pegavam novamente.
• Cap. 10 – Under The Stars And Moonlight.
Caminhei até a sacada, observando a lua que parecia mais brilhante do que em todos os outros dias que eu a tinha visto. Sentei-me no chão, me escorando na parede fria e branca, e permaneci observando a lua.
- Quem é o cara? – olhei pra cima e vi fitando o nada, com o olhar perdido.
- Que cara?
- O cara por quem você tá apaixonada. – ele sentou ao meu lado, no chão, bebendo um gole da sua cerveja.
- Isso não faz parte da brincadeira, . – nós não nos encarávamos, apenas olhávamos pra frente.
- Mas eu tô curioso.
- E eu não tenho obrigação de satisfazer a sua curiosidade.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e logo depois virou-se de lado e ficou me observando.
- Pára de me olhar. - estava constrangida com o olhar dele sobre mim.
- Não. – ele falou tão simplesmente que eu virei pra encará-lo.
- ... – comecei a falar, mas fui interrompida por , que colocou o dedo sobre a minha boca. – Fica quieta, eu quero ouvir.
- Ouvir o quê?
- O seu coração. Tá batendo rápido. – ele aproximava o rosto do meu e eu tentava manter a sanidade mental.
- Que bom que tá batendo, sinal de que eu tô viva. – falei na esperança de vê-lo se afastar, o que foi totalmente inútil, pois eu encarava seu rosto a centímetros do meu.
- Você sabe que tem uma namorada, né? – eu sabia que ia acabar fazendo besteira se ele continuasse provocando.
- Ela não é minha namorada. – ele encostava o nariz no meu, e eu fechava os olhos, ansiando pelo toque dos nossos lábios.
- De qualquer jeito, isso seria errado... – eu já respirava ofegante e queria mais era que ele me beijasse de uma vez e acabasse com aquilo.
- O que seria errado? Eu não pretendo fazer nada errado... – ele aproximou nossas bocas, e quando eu fechei meus olhos esperando pelo beijo, senti seus lábios na minha bochecha.
Sorri, um pouco decepcionada, e ele me abraçou. Ficamos ali, sentados no chão, olhando a lua e abraçados.
- O James vai dar uma festa amanhã. Você vem? – ele perguntou.
- Não sei, talvez. – eu brincava com um cordãozinho amarrado em seu pulso.
- Eu queria que você viesse. – Dougie deu um beijo em minha testa e me apertou mais contra seu corpo.
• Cap. 11 – Lights and sounds.
Música alta. Luzes fortes. Pessoas bebendo, rindo e falando alto. Me senti completamente extasiada ao entrar na casa do James com a Rach e ver Matt Willis passando por mim com um sorriso simpático. Aquilo era demais.
Cumprimentei o James, o e o que estavam conversando perto da porta e fui em direção ao sofá, onde o estava sentado com uma garrafa de cerveja na mão.
- Hey !
- Oi, ! – dei um beijo no rosto dele e me sentei ao seu lado.
- Toma. – ele me ofereceu a garrafa de cerveja dele, e eu bebi um pequeno gole. Queria estar sóbria pra lembrar de tudo no outro dia.
- ! – veio correndo na minha direção e se sentou entre eu e o .
- Oi !
Ficamos conversando ali no sofá por alguns minutos, até que eu vi Dougie entrar na sala. Malditas borboletas infernais!
- Hey, caras! – parecia animado e elétrico, e o cabelo ainda molhado dele dava a impressão de que ele tinha saído do banho naquele momento e me fazia ter pensamentos impuros.
- Oi, ! – ele abriu um sorriso largo, e me fez por alguns segundos esquecer do fato de que ele era um idiota. Eu apenas sorri de volta.
Ele caminhou até a cozinha e voltou de lá com uma lata de cerveja na mão.
- Cadê a tua namorada, ? – parecia ter lido meus pensamentos e perguntou à ele.
- Ela não é minha namorada, eu já disse isso... – falou calmamente. – De qualquer jeito, ela não é mais nada minha. A gente terminou o que nem tinha começado. – Senti meu coração bater aceleradamente quando vi os olhos dele fixos em mim após terminar a frase.
- , vem dançar! – Rach me puxou do sofá e me arrastou pro meio da pista de dança improvisada na sala.
Eu dançava ao som de 'Gimme More' e notava os olhares nem um pouco discretos do sobre o meu corpo, que se mexia no ritmo da música.
Eu não queria parar, e não me sentia incomodada com os olhares dele. Eu queria mais é que ele se sentisse culpado por ter me feito de idiota.
O som alto da música e as luzes que piscavam e ofuscavam meus olhos estavam começando a me deixar tonta. Eu sentia minha cabeça girar e sentia que se ficasse ali por mais um minuto, eu iria passar mal. Caminhei em direção ao banheiro, me sentindo mais tonta a cada segundo que passava.
Quando eu abri a porta do banheiro pra sair de lá de dentro, senti alguém me puxando pelo braço e me encostando na parede.
- Me diz que você fica comigo... – se aproximava de mim, me empurrando cada vez mais com seu corpo contra a parede.
- Sai, , você tá bêbado! – eu tentava sair daquela posição, embora eu soubesse que na verdade queria ficar.
- Não, , eu não tô bêbado, eu quero você! – ele aproximou seus lábios dos meus e por alguns segundos eu pensei em ceder. Apenas por alguns segundos, porque eu lembrei da cena dele entrando pela porta de mãos dadas com Vicky.
- Sai, , eu tô falando sério! – empurrei-o e senti ele segurar meu braço novamente.
- Me diz que você não quer. – ele parecia querer me desafiar, com aquele olhar de ‘você sabe que eu sou gostoso’.
- Eu não quero, satisfeito? – foi difícil dizer não pro . Foi realmente muito, muito difícil.
- Por que não? – ele continuava com aquele olhar.
- Porque doeu quando eu te vi com outra, sendo que você tinha dito que queria me ver de novo.
Ele ficou quieto por algum tempo, encarando meus olhos. Ele não tinha palavras pra me responder.
Puxei meu braço da mão dele e desci as escadas, ficando novamente quase cega pela quantidade de luzes que piscavam ali.
Algumas cervejas (poucas), algumas risadas, alguns olhares do Matt (sim, olhares do Matt Willis) e algumas danças depois, eu fiquei cansada e fui até a cozinha buscar mais bebida.
Eu senti como se meu coração tivesse parado quando entrei lá. Eu podia ouvir o barulho dele cada vez mais fraco.
Dougie estava ali, prensando alguém contra o armário da cozinha, beijando-a como se fossem dois apaixonados.
Respirei fundo e caminhei até a geladeira, pegando a lata de cerveja e batendo a porta da mesma com força, fazendo com que e aquelazinha separassem o beijo.
- Oi, ! – ele sorriu cínico pra mim, visivelmente bêbado.
Passei reto pelos dois, sem responder .
Aquilo tinha doído mais do que deveria, e eu me senti mais sozinha e carente do que nunca. Tanta gente naquela festa, e eu me sentindo sozinha. Patética.,br>
Sentei num sofá um pouco afastado de todo aquele som e daquelas luzes e fiquei ali, observando as pessoas que passavam.
Fechei os olhos por alguns minutos, tentando conter as lágrimas que queriam cair deles. Quando os abri novamente, Matt Willis estava parado, de pé, com um sorriso no rosto, me olhando.
Meia hora depois nós dois estávamos naquele mesmo sofá, nos beijando como se fôssemos íntimos. Eu não lembro como e nem porquê eu fiquei com ele, além das razões óbvias. Ele lindo + eu carente + o nosso álcool.
Ele mordia meus lábios com força e eu esquecia totalmente da criatura . Quanto mais as mãos de Matt apertavam a minha nuca e cintura, mais eu queria que ele continuasse.
- O que você tá fazendo, cara? – Separamos o beijo pra olhar pra um aparentemente irritado, que falava com uma cara incrédula, parado na nossa frente.
- Eu? – ele passou as mãos pelo cabelo, (des)arrumando-o. – Tô beijando ela, e você? – Matt deu um selinho estalado na minha boca, seguido de um sorriso debochado. Eu me sentia envergonhada e feliz por ter dado o troco em , apesar de que os arrepios que eu sentia beijando Matt não chegavam nem na metade dos que eu sentia em simplesmente olhar nos olhos do .
- Eu?... Eu tô decepcionado. – ele olhou nos meus olhos ao terminar a frase e eu senti como se tivessem me dado uma facada ou algo parecido. Mas quem era ele pra falar em decepção? O que ele acha que eu senti ao vê-lo de mãos dadas com aquela biscate? Enfim, isso não vem ao caso.
Mais ou menos uma hora depois daquilo, Matt foi embora e eu voltei pra sala, onde , e estavam sentados no sofá. Sentei ao lado deles e peguei a lata de cerveja que estava na mão de , dando um longo gole em seguida.
- Sua bêbada! – protestou, tirando a lata da minha mão.
- Cara, por falar em bêbado, eu acho melhor alguém dar uma olhada no . – falou com uma cara preocupada. Meu coração bateu mais forte só de ouvir o nome dele. Coração idiota.
- Deixa ele, cara. Ele tá bem melhor que a gente mesmo! – Tom apontou pra um canto escuro da sala, onde se enxergava de costas e duas mãos em suas costas, por baixo da camiseta. Não olhei por muito tempo, apenas tempo o suficiente pra constatar que aquela garota que estava com ele não era a mesma que ele estava a horas atrás, na cozinha.
• Cap. 12 – I’d eat you alive.
- Acho bom alguém ir lá ver o , acho que ele tá passando mal! – James falava enquanto descia as escadas calmamente.
Nenhum dos meninos se mexeu. E eu ali, preocupada.
- Eu vou lá ver ele. - me levantei e subi as escadas, enfiando minha cabeça dentro de cada uma das portas entreabertas, tentando adivinhar em qual dos quartos estaria.
Ouvi barulhos vindos de um quarto e entrei, vendo a porta do banheiro aberta e sentado no chão, em frente à privada.
- Hey, você tá bem? – perguntei, me abaixando ao lado dele.
- Não, é óbvio! – ele quis ser grosso, mas não estava em condições de fazê-lo.
- Quer vomitar? – eu afastava o cabelo úmido de suor dele que caía na testa, enquanto o via fechar os olhos com meu toque.
- Não... eu acho... – ele olhou nos meus olhos e os fechou novamente, encostando a cabeça na parede e soltando um gemido de dor.
- Vem, levanta. – fiquei de pé e estendi a mão pra ele.
- Eu acho que já vi essa cena antes! – ele sorriu pra mim pela primeira vez naquela noite.
ficou de pé na minha frente e eu segurei na barra da camiseta dele, puxando-a pra cima em seguida.
- Hey, hey! Eu não sou um cara fácil! – ele ria e não fazia nenhum movimento pra me parar.
- Eu gosto de caras difíceis... – dei um sorriso malicioso e abri o cinto da calça que ele usava.
Ele sorria, provavelmente achando que iria acontecer alguma coisa a mais.
Pobre criança iludida.
Quando encontrava-se apenas de boxer, eu empurrei-o até o box do chuveiro, ligando a água fria em seguida. Ele soltou um gemido desconfortável e se encolheu debaixo d’água, mas não ofereceu resistência nenhuma.
- Você mente, você é má. – eu me encontrava parada na porta do box, observando o corpo molhado de sem nenhuma segunda intenção, por mais impossível que isso parecesse. Naquele momento eu só queria deixá-lo mais sóbrio.
- Eu minto? Não, , você nem sabe do que tá falando. – ele fechou a água e eu alcancei uma toalha branca e felpuda pra ele.
- Sim, você é má e mentirosa! Veio aqui e tirou minha roupa da maneira mais sexy que podia ter feito e depois me atirou aqui embaixo dessa água fria!
Eu gargalhei alto enquanto observava ele parado no box, segurando a toalha.
- Você é uma criança, . – peguei a toalha das mãos dele e sequei seus cabelos, notando o olhar dele fixo em minha boca.
Por mais tentadora que a cena pudesse parecer, a única sensação que despertou em mim foi a de querer cuidar dele.
saiu do banheiro na minha frente, e eu fiquei lá dentro me olhando no espelho e vendo as marcas que Matt tinha deixado no meu pescoço.
Quando voltei para o quarto, estava deitado sobre a cama ainda com a boxer molhada e olhando para o teto.
- , sai de cima da cama com essa roupa molhada!
- Pra quê eu preciso da minha mãe se você tá aqui! – ele riu e não mexeu um músculo.
- Anda, , você vai molhar a cama toda assim! – segurei no braço dele e tentei o puxar de cima da cama, inutilmente, pois com um simples puxão, eu caí sobre a cama junto com ele, com meu rosto a centímetros do dele.
- Minha boxer tá te incomodando? – ele continuava segurando meu braço e falava baixo, me provocando. – Porque se estiver, eu posso tirar ou ainda melhor... Você pode tirar ela pra mim... – ele sorriu de lado e aproximou mais nossos rostos.
- , você... – aproximei minha boca da orelha dele, sussurando e falando num tom de voz completamente sexy. – É um bêbado! – levantei da cama, rindo da expressão decepcionada dele.
- Onde você vai? – ele perguntou levantando a cabeça do travesseiro.
- Descer, oras! Eu já fiz o que podia por você.
- Como assim descer? Eu não tô bem, ! – fazia manha e uma carinha triste digna de Oscar.
- E o que você quer que eu faça, garoto?
- Fica aqui comigo.
- Não.
- Fica aqui comigo.
- Não, eu disse!
- Por que não?
- Porque as tuas duas namoradinhas lá da festa não iam gostar de saber que eu tô aqui com você. – respondi simplesmente.
- Que namoradinhas? – ele riu.
- As que você tava ficando lá embaixo, .
- Quê? Lá embaixo? Ficando? – ele se fazia de desentendido, rindo.
- É, , tchau, boa noite! – caminhei em direção à porta pra sair do quarto, mas levantou da cama e me pegou no colo, me atirando na cama e deitando ao meu lado em seguida.
Quando eu fiz menção de levantar o corpo pra sair da cama, deitou sua cabeça sobre meu peito e pôs a mão na minha cintura.
Eu sentia seus cabelos ainda úmidos molharem minha blusa e não estava nem aí. Eu sabia que ele era um canalha, mas eu não ligava. Eu só queria ficar daquele jeito pra sempre.
Uma das minhas mãos estava nas costas frias e ainda molhadas dele, enquanto com a outra eu brincava com seus cabelos. Ele parecia estar gostando de estar ali, como se fosse uma criança com medo.
À medida que o tempo passava, meus olhos pesavam e eu sentia meu corpo amolecendo. Eu não queria dormir, eu queria observar a noite toda, mas meu corpo cansado não correspondia às minhas vontades.
Empurrei , que estava dormindo, levemente para o lado, de modo que eu deitasse de costas pra ele. Puxei o edredom sobre nós dois e fechei os olhos, sentindo meu corpo pesar.
- Tô com frio. – ouvi falar e passar um braço pela minha cintura, aproximando nossos corpos e me fazendo sentir as borboletas idiotas no meu estômago.
- Cala a boca, , eu tô com sono. – resmunguei, me ajeitando na cama.
- .. – ele sussurrou em meu ouvido. – Você é linda.
- Você ouviu quando eu disse que queria dormir? – eu estava com um sorriso gigante nos lábios, mas não o via por estar atrás de mim.
- Eu te comeria viva, sabia? – ele falou e eu pude sentir sua respiração quente no meu pescoço. As borboletas que habitavam meu estômago se transformaram em hipopótamos, e eu só conseguia pensar em como eu queria me sentir daquele jeito sempre.
- E isso é bom ou ruim?
- Não sei. – ele puxou meu corpo ainda mais pra perto do dele, como se quisesse nos fundir.
- Boa noite, .
- Boa noite, .
Adormeci sentindo a respiração de batendo no meu pescoço e suas mãos acariciando de leve a minha cintura.
• Cap. 13 – More than words
Acordei e não estava mais na cama. Olhei ao redor, tentando abrir meus olhos por completo, o que foi praticamente impossível, pois a claridade que entrava pelas janelas queria me cegar.
Fui até o banheiro, dei uma arrumada no cabelo, escovei os dentes e desci pra cozinha, na esperança de achar alguém por lá pra me levar pra casa. Eu precisava de um banho e mais cama. A minha cama.
Enquanto descia as escadas, ouvia vozes vindas da cozinha e risadas.
- Bom dia, pessoas. – falei baixo, entrando na cozinha e vendo James, Rachel, e sentados em volta da mesa, comendo.
- Pensei que você não ia acordar hoje! – Rachel falou em um tom divertido.
- Eu até fui lá no quarto pra ver se você ainda tava respirando! – e falou com um sorriso no rosto.
- Hey, eu nem dormi tanto assim! – respondi, sentando-me ao lado de , que me deu um beijo no rosto e sussurrou um ‘bom dia’.
- , são duas da tarde! – James falou com um sorriso encantador no rosto e sentou-se ao meu lado pra comer.
- Rach, você vai pra casa? – perguntei.
- Acho que não... tá chovendo e eu quero ficar aqui com o meu bebê!
- Mas eu quero ir pra caaasa, Rach! – fiz manha.
- O te leva! – fiz uma cara desesperada pra Rach, que riu. – Não leva, ? – ela perguntou com um sorriso de lado.
- Uhum. – murmurou enquanto tomava um gole de suco.
Suspirei e olhei pra Rach, que sorria vitoriosa.
- Vamos, ? – levantou da mesa e me chamou.
- Já?
- Sim, olha isso! – ele apontou pra Rach e James, que já estavam aos beijos ali mesmo, na cozinha.
- Eww, vamos! – peguei minha bolsa e andei em direção a porta. – Tchau, seus pervertidos!
Caminhamos em direção ao carro de que estava estacionado perto dali, e ele abriu a porta pra mim, entrando em seguida.
- Não sabia que você era um cavalheiro. – brinquei.
- Tem muitas coisas que você ainda não sabe sobre mim. – ele me olhou com aquele olhar bem conhecido por mim. É, o olhar de ‘você sabe que eu sou gostoso’. Mordi o lábio e olhei pra frente novamente.
- Você se importa se eu passar em casa antes? – ele me perguntou após alguns minutos de silêncio no carro.
- Hmm... – eu sabia que eu ia acabar fazendo besteira se ficasse sozinha com ele. – Não, não me importo. – sorri largamente e tentei afastar os pensamentos da minha cabeça. Ele retribuiu meu sorriso.
Eu prestava atenção nos pingos de chuva que batiam contra o vidro, e ele prestava atenção na estrada e batia com os dedos no volante.
- Chegamos! – ele disse animado, estacionando em frente à um grande prédio.
Ele desceu do carro e colocou o capuz do moletom que vestia. Eu fiquei sentada dentro do carro, observando-o.
- Você não vem? – ele me perguntou, já de fora do carro.
- Tá chovendo! – respondi fazendo manha.
- São só uns pinguinhos, !
Suspirei e desci do carro, na chuva. Ele me puxou pela mão até o elevador.
Eu arrumava meus cabelos em frente ao espelho do elevador e ele estava escorado na parede, observando... bem... minha bunda.
- . – chamei. Ele nem mexeu os olhos. – . – de novo. – ! – falei mais alto e virei de frente pra ele.
- Eu? O quê? Que foi? – ele balançou a cabeça, me olhou com as bochechas rosadas e eu sorri com a timidez dele.
- Seu andar. – sorri amigavelmente pra ele, que resmungou um ‘ah’ e saiu do elevador.
Ele abriu a porta e eu fiquei boquiaberta com o tamanho e a decoração do apartamento dele. Pra um cara sozinho, aquilo era um castelo. É, parece que o McFly fazia mais sucesso do que eu imaginava.
sentou-se no sofá e ligou a tv oitocentasmil polegadas que havia ali. Eu continuava parada, de pé, próxima à porta.
- Quer sentar? – ele me olhou e apontou pro sofá.
- Não. Vai demorar muito?
- Demorar o quê? – ele deu um sorriso um tanto quanto tarado.
- O que você veio fazer aqui, ué!
- Eu não vim fazer nada... – levantou do sofá e caminhava devagar em minha direção.
- Então me leva pra casa? – eu já sentia uma leve vontade de chorar.
- Humm... – ele fez uma expressão pensativa. – Não! – sorriso.
- , sério, eu... – fui interrompida por um selinho rápido dele na minha boca. Ele me encarou com o olhar de ‘você sabe que eu sou gostoso’ novamente.
- Você...? – ele provocava e chegava mais perto.
- Eu... eu... esqueci! – puxei-o pela nuca e mordi seus lábios fortemente antes de beijá-lo com uma certa urgência. Ele apenas sorriu contra minha boca e foi me empurrando, entre beijos, até o sofá, onde ele sentou e me puxou pro colo dele, sem parar de me beijar.
Eu puxava levemente os cabelos dele, enquanto ele passava as mãos por dentro da minha blusa e distribuía chupões no meu pescoço.
Eu tinha agido por impulso e não sabia como parar. Eu tinha agido por impulso e não queria parar.
Separei nossas bocas apenas pra respirar.
me olhou com um sorriso bobo e me deu um beijo estalado na boca.
- Linda. – ele me olhava nos olhos.
- Cala a boca, ! – respondi, passando as mãos pelo rosto dele. Tudo parecia bom demais pra ser verdade.
- Eu adoro o jeito delicado que você me trata, ! – ele falou irônico e sorriu. Eu encarei seus olhos que pareciam querer me puxar pra dentro deles.
Aproximei minha boca da orelha dele, arrancando um suspiro de .
- Por que você não cala a boquinha e volta a fazer o que tava fazendo, ? – sussurrei no ouvido dele e aproximei novamente nossas bocas, sentindo a respiração quente de batendo nos meus lábios.
Ele apenas sorriu e acabou com qualquer distância existente entre nós dois.
levantou do sofá, me segurando no colo e caminhou até um corredor que dava para o banheiro. Ele me pressionou contra a parede, segurando-me pelas pernas e ficando entra elas, me beijando cada vez com mais intensidade. Nem eu e nem ele queríamos interromper aquele momento. Ele me colocou no chão novamente e foi me empurrando pelas escadas, parando a cada degrau pra nos beijarmos novamente. Eu não tinha mais controle sobre nada do que eu fazia, e sentia que ele poderia fazer o que quisesse comigo naquela hora.
Ele pressionou o corpo contra o meu, e o meu contra uma porta, que se abriu revelando o que eu deduzi ser seu quarto. Grande, espaçoso e com uma cama enorme, que era onde eu mais queria estar naquele momento – com ele.
Ele puxava minha blusa pra cima e me fazia arrepiar ao sentir as mãos dele em minhas costas. Ele me deitou na cama e deitou-se entre as minhas pernas, distribuindo mordidas pelo meu pescoço e boca. Ele empurrava minha saia pra baixo ao mesmo tempo em que eu abria o cinto dele e tirava sua bermuda larga.
Eu não sabia se o que eu estava fazendo era certo ou errado, e eu realmente não queria parar pra pensar naquele momento. A única certeza que eu tinha era que meu corpo pedia pelo dele.
Eu entrelacei meus dedos em seus cabelos úmidos e passei a distribuir chupões no pescoço de , enquanto as mãos dele procuravam uma maneira fácil de abrir meu sutiã. O quarto estava quente, assim como nossas respirações e corpos.
Ele me beijava de uma maneira cada vez mais provocante, ele sabia do poder que exercia sobre mim. Nos raros momentos em que nós desgrudávamos nossos lábios, ele olhava fixamente em meus olhos, fazendo as borboletas-rinocerontes aparecerem mais uma vez em meu estômago.
As mãos dele percorriam todo o meu corpo quase nu, e eu estremeci ao sentir sua mão descer da minha cintura para a minha calcinha. Eu não consegui pensar num bom motivo pra pará-lo, porque eu simplesmente não queria que ele parasse.
Assim que tirou minha calcinha, eu empurrei a boxer dele com os pés e ele sorriu contra minha boca, em meio ao beijo. Ele olhou nos meus olhos como se pedisse permissão. Eu apenas fechei os meus e beijei de leve seu pescoço.
Entrelacei minhas pernas na cintura de e ouvi um gemido dele ao me penetrar. Nossas respirações estavam sincronizadas, assim como nossos movimentos, que começaram com leves impulsos e gemidos abafados pela timidez, e aos poucos foram se tornando mais fortes e rápidos, me fazendo puxar seus cabelos e arranhar levemente sua nuca.
Alguns minutos depois, deixou o peso do corpo dele cair sobre o meu, ambos exaustos, descansando sua cabeça em meu peito, ainda segurando as minhas coxas, que forçavam meu corpo contra o dele.
Ele rolou para o lado e ficou encarando o teto. Eu estava ao seu lado e puxei o lençol sobre o meu corpo nu, ainda tímida.
O silêncio me incomodava e eu não tinha certeza sobre eu ter feito a coisa certa ou não.
me puxou delicadamente pela nuca e me fez deitar em seu peito. Eu fiquei em silêncio. Eu estava nervosa. Ansiosa. Havia uma sensação ruim dentro de mim, apesar daquilo ter sido incrivelmente bom.
- Palavras não seriam o bastante pra que eu pudesse te dizer o que eu tô sentindo agora. – falou, quebrando o silêncio.
- E o que você quer dizer com isso? – perguntei, sentindo ele acariciar meus cabelos.
- Eu tô querendo dizer que eu não quero mais te ver com o Matt. – ele se afastou um pouco de mim, de modo que nossos olhares se encontrassem.
- O Matt até bêbado tava, . É bem provável que a gente nunca mais se veja. – eu falei séria, ainda desconfortável com a situação.
- Não, , você não entendeu!
- Então me explica! – eu forcei um sorriso.
- Eu não quero te ver com o Matt, porque eu não quero te ver com mais ninguém. – ele falou simples e as borboletas-rinocerontes fizeram a festa.
- , eu não tô entend... – ele não deixou eu terminar a frase e me calou com um beijo. Um beijo diferente de todos que ele tinha me dado até aquele momento.
- Eu quero você pra mim, . – ele olhou em meus olhos e eu entrei em uma outra dimensão, onde só existia dizendo aquilo.
• Cap. 14 – Why don’t you come and go with me?
Um mês e meio se passou desde aquele dia na casa do , e nós não nos desgrudávamos. Ele me carregava pra todo e qualquer lugar que fosse, e eu adorava estar com ele o tempo todo.
Eu estava na casa do James, sentada entre as pernas de , no sofá, enquanto ele batia os dedos da mão na minha coxa e distribuía beijos pelo meu pescoço. Ele não parecia se importar com o fato do James e da Rach estarem ali junto com a gente.
- , a gente precisa conversar! – Rach me falou com um sorriso no rosto.
- Diiiga, meu xuxu! – brinquei com ela, colocando meu pescoço pro lado, tentando fazer parar de me morder. – Pára, , seu canibal! – falei rindo.
- Ahn, sabe... eu vou sair de casa. – Rach deu um sorriso tímido.
- Sair de casa, Rach? Como assim? – me desvencilhei dos braços de e aumentei um pouco o tom de voz.
- É, , eu vou vir morar aqui com o bebê. – ela olhou pra James, que deu o sorriso mais besta apaixonado que eu já vi na vida.
- Mas Rach... eu não tenho como pagar o aluguel do apartamento sozinha!
- Ah, ... desculpa, mas eu não posso fazer mais nada.
- Tudo bem, Rach... eu dou um jeito. – levantei do colo de e fui em direção à varanda. Sentei no chão frio e encostei minhas costas na parede.
Mentira que eu ia dar um jeito. Mentira que não tinha problema. Eu estava em Londres, e estava sem-teto. Sozinha eu não conseguiria pagar o aluguel do apartamento. Encostei minha cabeça em meus joelhos e fiquei tentando pensar em alguma coisa que pudesse me ajudar naquela hora.
Ouvi passos se aproximando, mas não levantei a cabeça. Eu sabia exatamente quem era.
deu um beijo em minha cabeça e sentou-se ao meu lado. - Vai ficar tudo bem, . – ele falou suavemente. - Não, ! Não vai ficar tudo bem, você não vê? – aumentei meu tom de voz, com os olhos marejados. – Cala a boca, você não tá sem casa!
Não consegui segurar minhas lágrimas e chorei, ali, na frente dele, pela primeira vez.
Ele apenas me abraçou e deixou eu chorar em seu ombro. Incrível como ele sabia o que eu precisava.
- Dorme comigo hoje, ? – pedi com a voz chorosa.
- Claro que sim, . – ele deu um beijo em minha testa e me abraçou novamente.
Eu estava sentada no sofá da sala do ainda meu apartamento, com deitado no meu colo, com a cabeça sobre minhas pernas.
- Agora que você tá mais calma, eu posso te fazer uma proposta? – ele me olhou com aquela carinha de cachorro sem dono.
- Você sabe que eu não recuso nada quando você faz essa cara! – sorri.
- Por que você não vai morar comigo? – ele falou simples, e eu quase engasguei com o chocolate que estava comendo.
- Enlouqueceu, é? – eu ri e ele levantou do meu colo, me encarando.
- Por quê?
- , a gente se conhece há pouco tempo, como você quer que eu vá morar junto com você? – eu não acreditava naquilo. Meu McFly preferido desde sempre me pedindo pra morar junto com ele, era demais, gosh!
- E daí? Nós passamos a maior parte do nosso tempo juntos! – ele falou com um sorriso no rosto.
- Não, , eu acho melhor não. Eu não quero te atrapalhar.
- E desde quando você me atrapalha, ? – ele fez uma cara tão fofa que eu tive vontade de mordê-lo.
- Shh, , não quero falar disso, ok?
- Tudo bem, eu não vou desistir enquanto você não estiver dormindo na minha cama todos os dias, mesmo! – ele deu um sorriso infantilmente lindo e eu não resisti dessa vez, mordi a bochecha dele, e logo estávamos nos pegando ali no sofá.
- Eu não acredito que você conseguiu me arrastar pra cá, ! – eu falava rindo, enquanto trazia minhas malas pra dentro do apartamento dele.
- E nem foi tão difícil, sabe? – ele largou as malas no chão e chegou perto de mim. – Foi só te abraçar assim... – ele passou os braços pela minha cintura e aproximou nossos corpos. – Te beijar assim... – ele me deu um beijo na boca. – E fazer minha melhor cara de McFly gostoso que você aceitou na hora!
- Uhn, bobo! – eu dei um selinho nele e saí do abraço. – Eu já falei que só fico aqui até achar um lugar melhor, e isso vai ser logo, ok? – respondi.
- Não existe lugar melhor do que a casa de um McFly, ! – ele sorriu convencido.
- Claro que existe... a casa do Ashton Kutcher deve ser... – fiz uma cara pervertida – Uhh!
Ele fechou a cara e sentou no sofá, aparentemente bravo.
- Own, alguém aqui ficou com ciuminho, é? – sentei no colo dele e tentei beijá-lo, mas ele virou o rosto pro lado. – Você sabe que eu não trocaria você pelo Ashton Kutcher, não sabe? – falei baixo, em seu ouvido.
- Sei, eu sou muito mais gostoso que ele! – ele sorriu e me deitou no sofá, deitando-se por cima de mim.
- Concordo plenamente! – sorri e o puxei pela nuca, beijando-o em seguida.
Entre um beijo e outro, parava por alguns segundos e ficava me olhando. Eu já estava me irritando com aquilo.
- Quê isso, ? – perguntei, com a respiração meio falha por causa dos beijos.
- Isso o quê? – ele me respondeu com outra pergunta.
- Por que você tá toda hora parando pra me olhar?
- Eu quero ter filhos com você. – ele sorriu e eu pensei que ele estivesse bêbado.
- , você andou bebendo, sweetie? – eu tirava os cabelos dele que caíam na testa.
- Não! Você não quer ter filhos comigo? – carinha fofa de indignado.
- Não! Quer dizer, não sei! Você tá indo tão rápido com tudo, tá me assustando, garoto! – eu sorria abobalhadamente olhando pro rosto dele a centímetros do meu.
- Ok, a gente não precisa ter filhos agora. Mas a gente pode começar a treinar pra fazê-los, não acha? – ele sorriu pervertidamente e eu apenas ri.
Nem tive tempo de responder algo, no minuto seguinte ele já estava acabando com o ar dos meus pulmões com beijos longos e arrepiantes.
• Cap. 15 – To see you when I wake up is a gift I didn’t think could be real.
Puxei-o para ainda mais perto de mim, beijando-o e levantei a camiseta delicadamente, passando as mãos pelas suas costas. Ele fez o mesmo com a minha blusa, segurando com força em minha cintura. Separei nossas bocas apenas pra retirar rapidamente sua camiseta. Passei minha mão pelo peito recém descoberto dele, sentindo-o contrair o abdômen com o meu toque. Eu adorava saber que ele continuava se arrepiando quando eu o tocava. Parei minha mão no cós da calça dele e voltou a me beijar com ainda mais vontade, puxando minhas coxas com força, fazendo com que eu entrelaçasse minhas pernas em volta da cintura dele. Ele desceu as mãos pelas minhas coxas, chegando também ao cós da minha calça.
Subi um pouco minhas mãos, arranhando de leve as costas dele, e desci novamente, apertando sua bunda. Ele separou nossas bocas e riu.
- Você sabe que era eu quem devia estar fazendo isso, não? – ele falou ofegante, sorrindo.
- Você é muito lento, . Se eu não faço, você também não faz. – provoquei, e ele riu novamente, escorregando cautelosamente as mãos para a minha bunda.
- Se você quer assim... – ele mordeu meus lábios, como se me chamasse pra mais.
Delicadamente ele tirou minha blusa, sem parar de acariciar meu corpo com as mãos. Empurrei-o pro lado, ficando por cima dele. Ele sorriu e segurou meus cabelos, puxando-me para outro beijo. Nunca foi tão calmo, tão sincero. Desci meus beijos para o pescoço dele, fazendo um rastro de beijos e mordidas leves pelo seu peito, até chegar em sua barriga, enquanto ele suspirava alto.
- Vem cá. – ele me puxou pelo cabelo delicadamente e voltou a me beijar. – Agora nós temos todo o tempo pra nós dois e não precisamos mais ter pressa. – sorriu e eu senti as borboletas comuns de quando eu estava com ele.
Eu sabia que nós tínhamos tempo. Mas eu não queria esperar mais nenhum segundo, e fiz com que ele entendesse isso. E ele pareceu entender, porque a única coisa que eu ouvi da boca dele entre os beijos foi um ‘cama’ sussurrado. E em menos de um minuto nós já estávamos no quarto dele, na cama dele, que ele insistia em chamar de ‘nossa cama’. Aquilo me dava um certo medo. Nossa ‘relação’ parecia estar evoluindo muito rápido, e aquilo realmente me assustava. Eu não queria me machucar, e sabia que mais cedo ou mais tarde, eu ia me dar mal.
A teoria dele de ‘nós não precisamos ter pressa’, se esvaiu no momento em que deitamos na cama. Parecíamos ter mais pressa do que nunca, não levou um minuto até estarmos nus e sentindo as respirações ofegantes um do outro, e em seguida, sentindo os nossos corpos exaustos se encostarem timidamente, como se nós não nos conhecêssemos mais. Eu gostava daquela sensação de novidade. De estar invadindo o território do , com a permissão dele. Mais que permissão, com o pedido dele.
Adormeci sentindo brincar com meus dedos, que estavam entrelaçados aos seus, enquanto cantava alguma música tão baixinho que eu não sei dizer qual era. Só sei que me fez sentir protegida e segura. E que me fez arrepiar e perceber que eu não estava só apaixonada por ele. Me fez perceber que eu o que eu sentia era mais que isso, o que eu sentia era amor.
Acordei tonta e sem saber direito onde estava. Aquela cama grande e confortável não se parecia nada com a cama com que eu estava acostumada a dormir. Só depois de uns minutos fui me tocar que eu não estava em casa, e que aquilo era permanente. Ouvi um resmungo de reclamação por eu ter me mexido no colchão e virei pra outro lado, encarando com os olhos fechados e cabelo bagunçado.
Mordi o lábio, tentando processar a informação de que o que eu tinha sonhado por tanto tempo tinha se tornado realidade. Não era a primeira vez que eu via acordar ao meu lado, mas daquela vez era mais especial do que todas as outras. Eu sentia ele mais meu do que nunca. Eu me sentia mais boba do que nunca. Eu sorria sozinha olhando ele ali, deitado, dormindo quietinho feito uma criança. Era um presente poder vê-lo daquele jeito, do jeito que muitas dariam um dos rins pra vê-lo. E eu via praticamente todos os dias, e dali pra frente todos os dias.
Estava sorrindo abobalhadamente quando o vi abrir os olhos lentamente, piscando algumas vezes pra se acostumar com a claridade.
- Você fica sempre me olhando assim? – ele passou a mão pelo meu rosto e ficou me encarando.
- Sempre. – respondi rindo e ficando estranhamente tímida. Parecia que agora que eu tinha descoberto que eu o amava mesmo, eu não conseguia agir naturalmente. Era como se tudo que eu dissesse, fosse estampar um ‘hey, eu te amo’ na minha testa. E aquilo era tudo que eu não queria. Não queria deixar ter certeza que eu amava ele, sem saber se eu era correspondida.
- Dormiu bem? – ele sorriu e me puxou pela cintura pra mais perto dele.
- Dormi sim, e você?
- Também. Você se mexe demais, mas nada que eu não esteja acostumado!
- Na próxima vez eu durmo no chão, seu chatinho! – apertei a bochecha dele, que riu e encostou os lábios contra os meus, murmurando um ‘nem pensar’ quase inaudível.
- Sonhou comigo, né? Essa felicidade que eu vejo nos seus olhos diz que você sonhou com ! – ele sorriu convencido e eu apenas o encarei séria.
- Na verdade, sonhei com o me fazendo um strip. E porra, o é muito gostoso! – gargalhei alto ao vê-lo fazer aquela carinha fofa de indignação e ciúme.
- Eu sei que você não me trocaria, . Eu sou seu McFly preferido!
- É, , vai nessa, convencidinho! – fui levantar da cama, mas apenas colocou o braço sobre o meu corpo, me impedindo de levantar.
- Sai , eu tenho que trabalhar! – eu queria muito ficar ali com ele, na verdade.
- Não tem não, você é fotógrafa, você quem faz os dias do seu trabalho. – ele se aconchegou em meu peito e me abraçou pela cintura. - E então eu digo que hoje é dia de trabalho!
- E eu digo que é dia de ficar na cama com seu McFly preferido! – sorriu convencido.
- Legal! Quando você vai ligar pro ? - fiz graça e ele ficou sério.
- Há-há-há, ! – ele virou-se pro lado e deitou de costas pra mim, fingindo estar bravo. Fingindo, porque eu conhecia ele e sabia que ele não estava bravo coisa nenhuma.
- Hmm, pára... – fiz manha, abraçando-o pelas costas. – Então eu declaro que hoje é dia de ficar com o , pode ser?
- Não, pode ir trabalhar, eu não me importo. – ele falava sério enquanto eu passava as pontas dos dedos em sua nuca e via os pêlos dali se arrepiarem. Eu amava ter esse efeito sobre ele.
- Agora eu vou ficar aqui com você, só de birra... – distribuí beijos pelas costas dele e ele virou-se de volta pra mim. Ficamos alguns bons minutos em silêncio, apenas nos encarando.
- É bom acordar com você aqui! – ele sorriu daquele jeito que só ele sorri, me fazendo sentir do jeito que só ele me faz sentir.
- E por quê? – provoquei. Queria muito ouvir a resposta dele.
- Bom... porque você beija minhas costas de manhã. E... e... só por isso, eu acho! – riu e eu dei um tapinha em seu braço. – É bom porque eu tenho quem eu quero aqui do meu lado, todos os dias.
Fiquei apenas encarando-o em silêncio. Eu estava boba demais pra responder alguma coisa.
Passamos a manhã inteira ali, deitados juntos, conversando e babando um no outro.
• Cap. 16 – I watch as you cry
Eu já estava morando com há exatos três meses. Eu tinha acostumado com os horários dele, ou melhor, com a falta de horários dele. Eu entendia que ele era ocupado com as coisas da banda e que eles estavam organizando a próxima turnê, mas ele nunca tinha se atrasava mais de uma hora quando a gente marcava algo. Nós tínhamos combinado de jantar juntos naquela noite, e eu estava pronta há três horas e meia, sentada no sofá, esperando que o chegasse ou pelo menos desse um sinal de vida. Mas nada.
Tirei meus sapatos e deitei no sofá, me sentindo angustiada por não ter tido notícias dele o dia inteiro.
Fechei os olhos pra descansar, quando ouvi o barulho de chave na porta.
atravessou a sala e foi direto pro quarto, sem nem ao menos me dar boa noite. Caminhei até a porta do quarto, descalça, e observei ele tirando as coisas do bolso da bermuda e largando no criado-mudo ao lado da cama.
- Você tá bem atrasado, . – falei, me escorando na porta do quarto e cruzando os braços, mas ainda mantendo um tom controlado de voz.
- Atrasado pra quê? – ele sentou na cama e me encarou.
- Nós combinamos de jantar, , esqueceu?
- Ah é... deixa pra amanhã. – ele deitou na cama e fechou os olhos, me ignorando.
- Qual é, ? Como deixa pra amanhã? – caminhei até a beirada da cama e fiquei de pé, ao lado dele, encarando-o.
- Deixando pra amanhã, que saco! Eu tô cansado! – ele aumentou o tom de voz e eu me irritei por ele estar sendo grosso.
- Caralho, ! Eu me arrumei toda e fiquei te esperando três horas aqui pra você chegar e dizer ‘deixa pra amanhã’? – eu mexia as mãos nervosamente, gesticulando enquanto falava alto com ele.
- Chega, ! Eu tô cansado e o que eu menos quero agora é você me enchendo com suas frescuras! – ele levantou da cama e saiu do quarto, empurrando a porta com força, causando um barulho pesado. - Frescura, ? Custava ter pego a merda do celular e ter me avisado que não queria mais sair? É muito difícil isso? – fui atrás dele, irritada e nervosa.
- , cala a boca! Eu nem lembrava que eu tinha marcado essa porra com você! Eu tenho mais o que fazer do que ficar sempre à sua disposição!
- ... – eu contei até três antes de continuar a falar, eu tinha certeza de que ia arremessar a primeira coisa que eu visse pela frente no rosto bonitinho dele. – Eu não sei por que você tá fazendo essa gritaria, eu só queria que você tivesse me avisado pra eu não ficar feito uma palhaça aqui te esperando! Eu não ia reclamar, você sabe que eu entendo os seus compromissos com a banda!
- Tá, , agora me deixa quieto aqui e pára com essas frescurinhas! – ele caminhava inquieto de um lado pro outro na sala, e eu estava nervosa com aquela nossa primeira briga séria. Nunca tinha chegado aquele ponto. Nós no máximo tínhamos discutido, e as nossas discussões sempre tinham terminado em amassos.
- Frescurinhas, ... queria ver se fosse com você. – resolvi parar de brigar e dei as costas pra ele, mas antes que eu pudesse sair da sala, continuou.
- E você não cala a boca mesmo! Eu tô pedindo pra você não falar mais nada e você continua de birra comigo! Que inferno isso, garota, você é mimada demais e tá sendo extremamente chata, você tá querendo mandar em mim? – virei pra encará-lo ao ouvir as palavras dele. Minha boca se entreabriu e fechou-se de novo, não tinha porque ele ter feito aquele discursinho ridículo.
- , se eu sou tão birrenta e chata, o que você ainda tá fazendo comigo? – perguntei, sentindo meus olhos marejarem lentamente.
Ele olhou no fundo dos meus olhos e pareceu pensar em uma resposta.
- Eu realmente não sei por que eu ainda tô com você... – ele respondeu me olhando fixamente e eu senti como se enfiassem facas no meu estômago. Senti minha boca se abrir novamente, mas nenhuma palavra saiu dali. Pela primeira vez naqueles três meses que eu estava morando com ele, eu não senti como se ele pudesse me proteger. Eu não senti ele meu, eu não vi aquele engraçado e carinhoso de sempre. Eu vi um que eu nunca tinha visto, que eu não conhecia ainda. Um bravo, estúpido e que me machucou. Muito.
Eu continuava parada no meio da sala, com a maquiagem e roupa em perfeito estado, até sentir a primeira lágrima rolar pelo meu olho. Baixei a cabeça e fui em direção ao quarto. Fechei a porta e deitei na cama, abracei um travesseiro e senti minhas lágrimas o deixando encharcado.
Todos os meus sentimentos se misturaram naquele momento, eu não podia saber o que se passava na cabeça de e aquilo me deixava assustada. Eu me sentia completamente rejeitada ali, chorando por causa dele, no quarto dele, deitada na cama dele. Sem poder sair, sem ter pra quem correr. A minha única saída era chorar.
Pude ver a porta do quarto se abrir e entrar, me observando chorar ali na cama. Completamente sozinha, assustada e rejeitada.
Eu soluçava alto, tentando abafar o som do meu choro com o travesseiro, o que era praticamente inútil.
deitou-se ao meu lado na cama e me abraçou, enquanto eu chorava. Eu não recusei seu abraço, mas também não correspondi. Eu continuei sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto e meu coração apertado, como se uma dorzinha irritante ali me fizesse continuar chorando.
passava as mãos pelos meus cabelos e estava em completo silêncio, apenas me confortando. Irônico. Eu me confortava nos braços de quem arrancava minhas lágrimas.
- Desculpa... – ouvi ele murmurar enquanto me dava um beijo na testa e me apertava mais contra seu corpo. Eu tremia e não sabia se era de frio ou de nervosismo. Talvez os dois. - Desculpa, ... – ele repetiu, e eu não respondi. Eu estava apenas aceitando um abraço dele, não era como se eu o tivesse perdoado pelas coisas que ele tinha dito.
Chorei mais. Chorei tanto que cansei. Cansei tanto que dormi, ali, nos braços dele.
• Cap. 17 – The reason
Abri meus olhos com mais dificuldade do que em todos os outros dias, pois eles estavam inchados do meu choro na noite anterior. Me mexi na cama e vi que não estava mais lá. Eu meio que já esperava por aquilo.
Levantei da cama e fui em direção ao banheiro, constatando meu estado deplorável ao me olhar no espelho. Meus olhos estavam inchados e vermelhos, minha maquiagem borrada e eu ainda estava com o vestido da noite anterior, completamente amassado.
Liguei o chuveiro frio e me enfiei embaixo dele até sentir meus dedos murcharem. Enquanto a água batia contra meu corpo, eu tentava pensar em alguma coisa pra resolver aquilo. Eu não queria mais ficar ali na casa do , brigada com ele. Eu não queria ter que encará-lo de noite, sabendo que ele nem ao menos sabia o porquê de ainda estar comigo. Cada vez que eu lembrava das palavras dele, eu sentia doer mais.
Saí do banho e coloquei a primeira roupa que vi pela frente. E a primeira roupa que eu vi pela frente era uma bermuda jeans curta e uma camiseta enorme – do – onde lia-se Hurley na frente, em letras brancas.
O cheiro dele na camiseta me entorpecia e eu sentia vontade de chorar mais, se meu estoque de lágrimas não tivesse praticamente esgotado. Eu terminava de pentear meus cabelos quando ouvi a campainha tocar. Caminhei me arrastando até a sala e abri a porta, me deparando com um buquê gigante de rosas vermelhas e um entregador com uma cara feliz, bem diferente da minha. O realmente estava bem enganado se achava que flores iam amenizar a situação. O cara feliz me entregou o buquê de flores juntamente com um cartão, que na capa estampava um ursinho branco com um curativo perto do coração.
Filho de uma puta, ele sabia como mexer comigo.
Dei uma gorjeta pro entregador, fechei a porta, atirei as flores sobre a mesinha de centro da sala e sentei no sofá com o cartão na mão.
É, eu atirei as flores mesmo. Eu tinha todo o direito de estar puta com ele.
Abri o cartão e reconheci a letra dele ali. Respirei fundo antes de começar a ler. Tanto podia ser um pedido de desculpas quanto um ‘oi, cai fora da minha vida.’
“,
Eu faço e falo tanta coisa da boca pra fora e não penso que eu posso estar machucando as pessoas que eu mais admiro. Como você.
Eu sei que você tá puta comigo, e sei que é bem provável que você não me desculpe pelas coisas que eu falei, mesmo eu não sentindo elas realmente.
Eu poderia te dar um milhão de motivos pra eu estar com você. Eu poderia ficar um dia inteiro listando suas qualidades e os defeitos que eu tanto gosto. E eu espero que você me desculpe, eu não quis falar aquelas coisas pra te machucar, eu só estava mal e descontei em você... Me perdoa e... diz que fica comigo?
”
Minhas lágrimas persistiam em querer sair dos meus olhos, mas eu não permiti. Tudo bem, ele tinha se desculpado. Mas não diminuía o impacto das palavras dele em mim.
Não tive nem tempo de reler o cartão, já que a campainha tocou novamente, e eu mais uma vez me deparei com o cara feliz de uniforme azul com um buquê maior ainda, só que dessa vez, de lírios. Lindos. Ao invés de um cartão, dessa vez tinha uma foto. Uma foto minha, sorrindo, e eu não fazia idéia de onde ela tinha saído. Olhei a foto por alguns segundos e li o que estava escrito no verso.
“Aposto como você nem sabia da existência dessa foto, não é mesmo? Pois é, eu carrego ela junto com as minhas coisas. Sabe, essa foto representa um dos milhões de motivos de eu estar com você. Uma hora você sorri como se fosse uma criança envergonhada, e na outra ri como se quisesse arrancar minha roupa, e eu acho um melhor que o outro e não teria como escolher entre um deles...”
Idiota. Não era com aquelas coisinhas bonitinhas que ele ia conseguir as minhas desculpas. Mas confesso que ele já me fez sentir um pouco melhor com aquilo. Saber que ele carregava uma foto minha junto com as coisas dele me fazia sentir um pouco mais confortável.
Dez minutos depois, outra vez a campainha, outra vez o cara feliz, outra vez flores. Gérberas cor-de-laranja. Outro bilhete. Escrito ‘Minha Menina’ bem grande, assim, em português. Sorri boba lendo aquilo. Ele sempre insistia em aprender português.
“Com você eu me tornei mais calmo, aprendi algumas coisas em português e aprendi a substituir palavras por olhares.” – estava escrito embaixo das palavras em português. Ele realmente estava me surpreendendo e fazendo amolecer novamente o meu coração.
Quinze minutos, mais um buquê de flores, mais uma foto. Uma foto de um beijo nosso. Tirada provavelmente do celular dele, pois nós estávamos na cama dele, de manhã, com as caras amassadas e felizes.
“Porque é apenas o seu beijo que me deixa mais chapado do que qualquer vodca, martini, cerveja ou qualquer substância que pudesse me deixar tonto...”
Nesse momento eu já tinha certeza que o tinha desculpado. Mas eu não ia admitir isso assim tão facilmente pra mim mesma. Não, não.
E como eu já esperava, mais flores. Jasmins, que perfumaram a casa inteira. E ao invés de um cartão, tinha uma foto recortada de alguma revista, com a letra de embaixo.
“Porque você faz questão de me beijar e ficar comigo mesmo quando eu tô suado e nojento depois do show”
A foto da revista era de algum paparazzi. Eu estava abraçada nele, e ele sem camisa e suado depois do show. Lembrei do quanto eu tinha ficado confusa sobre os sentimentos de por mim quando aquela foto foi publicada. Ele não comentou nada com a imprensa, e quando perguntavam pra ele sobre mim, simplesmente mudava de assunto sem dar nenhuma explicação.
Mais meia hora, a campainha tocou de novo. Juro que se eu não estivesse adorando aquilo eu batia no maldito entregador feliz. Mas não eram flores. Eram bombons. Em uma caixa vermelha com um laço, que continha uma outra caixinha menor dentro. Abri a caixinha, e tinha um iPod ali dentro. O iPod do , com apenas um arquivo salvo, e um pequeno cartão.
"Porque eu podia ficar falando com você o dia inteiro. Eu amo a sua voz. Ela é irritante, mas quando eu não ouço, eu sinto falta."
Dei play no único arquivo de áudio salvo no iPod dele e sorri ao ouvir o que era: uma ‘mensagem’ que eu tinha gravado pra ele uns dias atrás, quando estávamos meio bêbados voltando de um pub.
"Oi, ! Bom, você tá aqui na minha frente agora segurando esse iPod perto da minha boca e se você não percebeu, ele tá muito perto da minha boca! É pra comer ou pra falar? E aliás, iPods gravam áudio? (risadas)
Enfim, eu tô gravando isso pra você não esquecer de mim quando estiver longe. Oh como eu sou gay! E pra te lembrar que você tem que escovar os dentes antes de dormir, não colocar as toalhas molhadas na cama e que se eu sonhar em ver você com outra garota, você perde o seu bem mais precioso! Eu gosto de você, idiotinha! (...) Tá, , chega! (...) Pára, ! (...) Desliga isso!”
Cara, minha voz era realmente irritante. Como ele agüentava? Ele ainda tinha aquilo gravado? Ele era um fofo.
A campainha tocou mais uma vez, e o mesmo cara feliz estava ali, com mais uma caixa enorme de bombom nas mãos, e um outro buquê gigante de rosas vermelhas.
Dei um sorriso amarelo pro entregador e fechei a porta. Coloquei as flores e os bombons no mesmo lugar que eu havia colocado os outros, e peguei apenas um outro cartão grande que estava entre as flores. Me sentei no sofá e o abri.
“Eu tô com você por você ser exatamente assim. Ser a garota que briga, morde, irrita. Mas que elogia, faz carinho e agrada. Porque você às vezes consegue ser trinta vezes mais pervertida do que eu e bem... eu adoro isso! Porque eu amo acordar com você me dando beijos nas costas, e porque você é minha companheira pra qualquer coisa. Obrigada por me acolher, proteger, cuidar de mim, por ser tão linda, por me fazer sorrir, por estar na minha vida...
.”
Aí eu não consegui não chorar. Meu estoque de lágrimas se refez e eu acabei com ele de novo. Eu só ficaria mais feliz se eu tivesse visto um ‘eu te amo’ no final daquele cartão. Mas eu relevei esse pequeno detalhe, e fui pro quarto tentar descansar mais um pouco.
Deitei a cabeça no travesseiro e a maldita campainha idiota tocou mais uma vez. Caminhei até a sala pisando forte, irritada com aquele barulho idiota.
- Se você estiver com essa cara feliz mais uma vez eu juro que... – falei alto enquanto destrancava a porta, esperando ver a cara daquele entregador feliz. Mas não foi ele quem eu vi.
estava ali, parado na minha frente com aquela cara de cachorro sem dono que eu conhecia muito bem. Lindo, só pra constar.
- Err... Oi? – ele parecia medir as palavras pra falar comigo.
- Ah, oi. – dei as costas pra ele e saí andando de volta pro quarto, fingindo ignorar a presença dele ali.
- Bonita camiseta, ! – eu sabia que ele estava sorrindo e suspirei alto.
- É, a camiseta do meu McFly preferido, sabe? – virei de frente pra ele. Definitivamente não fazia sentido ficar brigada com ele.
- Eu sei. E eu fiquei sabendo que o seu McFly favorito fez merda ontem. – ele fez uma carinha fofa de arrependido.
- É, ele fez. Mas talvez seja só o que ele sente. – sorri amarelo, acreditando demais nas minhas próprias palavras.
- Eu acho que ele só tava meio babaca ontem e descontou em você. – ele sorriu e se aproximou de mim.
- Talvez, não tenho certeza sobre isso. – dei um pequeno passo pra trás, evitando nossa aproximação.
- Eu tô certo disso. – ele me abraçou pela cintura e eu apenas afastei o rosto do dele, ficando com apenas os corpos colados.
- Você não pode fazer isso sempre, . - empurrei ele pelo peito e fiquei séria. - Você não pode falar aquelas coisas e simplesmente me mandar flores e dizer coisas bonitas e achar que tá tudo bem. - o meu olhar estava triste, mas o dele estava mais.
- Desculpa, ... eu não sei o que deu em mim, eu nunca quis fazer nada pra te machucar e... - o interrompi com um beijo. Eu segurava o rosto dele com as duas mãos, eu necessitava sentir o meu de sempre ali, o engraçado e carinhoso, e não o que falava coisas ruins pra mim.
- Eu te desculpo, . Mas nunca mais faz isso comigo. - ele sorriu aliviado. - Isso dói. - sorri fracamente.
- Acredite, não dói mais do que te ver chorar e saber que fui eu quem provocou suas lágrimas. - ele me abraçou ainda mais forte e descansou a cabeça em meu pescoço. - Eu não te dei permissão pra usar minha camiseta, ! - ele olhou nos meus olhos com uma expressão que eu não soube dizer se era engraçada ou maliciosa.
- O quê? - eu não tinha entendido o porquê daquele comentário dele.
- Eu não te dei permissão pra usar minha camiseta. - ele colocou as mãos na barra da camiseta preta que eu vestia. - Ou seja, você vai ter que tirá-la... - maliciosa. Com certeza a expressão dele era maliciosa.
Ri alto e passei meus braços pelo pescoço de , beijando-o em meio a sorrisos aliviados. Aliviada por saber que ele estava ali comigo de novo. Aliviada por saber que ele continuava o mesmo por quem eu estava apaixonada.
• Cap. 18 - Do you like the beach, bitch?
- Acorda... - ouvi sussurrar em meu ouvido, mas não abri os olhos. Apenas resmunguei alguma coisa incompreensível e me mexi na cama. - Acorda, ... - ele dava pequenos beijinhos em meu pescoço e me fazia sentir arrepios gostosos pelo corpo inteiro. - , acorda, lindinha! - ele passou a beijar meu rosto. Beijo no queixo, beijo na boca, beijo no olho, beijo na testa...
- O que você quer essa hora da manhã, ? - eu abri meus olhos sorrindo fraco. Como se tivesse outro jeito de acordar com ele sem ser sorrindo.
- Quero que você acorde e vá pra praia comigo! – ele sorriu e me deu um beijo na ponta do nariz.
- Praia, ? – resmunguei. Eu tava com sono mesmo!
- Sim, praia, pequena! Eu quero ver você em um dos famosos biquínis brasileiros! – ele tentou dar um sorriso malicioso, mas caiu na gargalhada antes mesmo que eu pudesse achá-lo sexy.
Step one you say we need to talk
He walks you say sit down it's just a talk
He smiles politely back at you
You stare politely right on through
Some sort of window to your right
As he goes left and you stay right
Between the lines of fear and blame
And you begin to wonder why you came…
Eu cantava a música que tocava na rádio do carro de , enquanto ele me olhava de canto de olho, com um meio sorriso estampado no rosto, dirigindo em direção à praia. Até que ele desligou o rádio e eu fiquei olhando incrédula pra ele. Eu gostava da cantar The Fray, cara!
- Liiiga, ! É a melhor parte! Liiiga liiiga! – eu implorava parecendo uma criança e ele apenas ria de mim.
- Não, eu quero que você me dê atenção, e não fique cantando essa música! – ele fez uma careta.
- Idiota! – dei um tapinha no braço dele. – Eu quero cantar, , deeeixa vai! – fiz a cara mais pidona possível e ele riu, balançando a cabeça negativamente e ligando o rádio mais uma vez. Eu sorri e continuei cantando.
Fiz uma cara afetada, cantando junto com a música e fingindo ter um microfone nas mãos, vendo rir de mim, ainda prestando atenção na estrada.
How to save a life... – me estiquei pro lado e passei meus braços pelo pescoço de , dando vários beijinhos em seu rosto.
- Resolveu ficar carinhosa agora, é? – ele estampava um enorme sorriso no rosto e eu continuava pendurada no pescoço dele, vendo-o dirigir.
- Eu sempre fui, você que nunca percebeu! – beijei seu rosto novamente e ele colocou uma das mãos sobre a minha coxa, acariciando-a delicadamente.
- Óbvio que eu percebo, eu vejo isso todos os dias, . – ele me olhou nos olhos. – É por isso que eu já não consigo mais imaginar minha vida sem você. – ele sorriu timidamente e eu pensei que fosse explodir de tanta felicidade ao ouvir aquelas palavras. sempre foi carinhoso comigo, mas eram raras as vezes que ele falava alguma coisa do tipo.
- , quer que eu leve as suas malas lá pra cima? – me perguntou assim que chegamos na casa de praia de , que conversava comigo sobre qualquer coisa idiota que me fazia rir.
- Eu vou junto, ! – corri escada acima com a mochila nas costas e uma mala na mão, seguindo em direção ao quarto em que nós ficaríamos.
Entramos em um grande quarto com uma linda sacada iluminada pelo sol e que tinha vista pra praia. Fiquei estática, olhando aquela paisagem magnífica.
- Gostou? – me abraçou por trás e encostou a cabeça sobre o meu ombro.
- Muito! – virei meu rosto pro lado e o beijei. O beijo aos poucos foi se tornando mais intenso e eu me virei de frente pra .
- Quando você vai colocar o biquíni? – ele perguntou com um sorriso malicioso estampado no rosto.
- Você é um tarado, sabia? – ri e me desvencilhei dos braços dele, abrindo a minha mala que estava em cima da cama. – Vai, escolhe um. – apontei pros biquínis espalhados sobre o lençol branco.
- , eu não uso biquíni. – ele falou sério e eu gargalhei.
- Aii coisinha lenta, é pra você escolher um pra eu usar, né! – nós dois rimos e ele ficou concentrado olhando os biquínis em cima da cama.
- Esse. – ele apontou pra um biquíni branco com detalhes em lilás. – Esse é o menor. – cara de tarado.
- Você não cresce, . – sorri e peguei o biquíni de cima da cama. – Sai, eu vou me vestir.
- Nah. Eu fico aqui. – ele deitou na cama e colocou as mãos atrás da cabeça, como se fosse me assistir.
- Hmm, tudo bem então. – dei o meu melhor sorriso sexy e coloquei as mãos na barra da blusa que eu usava, como se fosse tirá-la. estreitou os olhos pra enxergar melhor e eu caminhei em direção ao banheiro do quarto, trancando-o por dentro em seguida.
- Isso não se faz, ! – ouvi gritar do lado de fora e sorri sozinha.
- , me ajuda a passar protetor solar? – eu saía do banheiro de biquíni e com uma saia de um tecido leve apenas. me olhou fixamente antes de responder, me deixando um pouco tímida com aqueles olhares nada discretos.
- Claaro que eu ajudo, ! – ele pegou o tubo de protetor solar das minhas mãos e sorriu da forma mais maliciosa que eu já tinha o visto fazer.
Me virei de costas pra ele e puxei meus cabelos pra frente, pra que ele pudesse espalhar o filtro nas minhas costas.
Senti um arrepio ao sentir o creme gelado em minhas costas quentes, juntamente com as mãos de se movendo lentamente pela minha pele.
Ele foi massageando minhas costas devagar, e passou a descer as mãos pela minha cintura, e cada vez ia descendo mais. Levantou facilmente a minha saia, já que ela era um pedacinho minúsculo de pano, e passou as mãos pelas minhas coxas.
- , é pra passar só nas costas... – falei com os olhos fechados, me arrepiando mais a cada centímetro de pele que tocava.
- Tem que passar em tudo, ... – ele escorregava cada vez mais as mãos pelas minhas pernas, e eu sentia que não ia conseguir me controlar. – Depois você se queima, e vai dizer que a culpa foi minha... que não espalhei isso direito... – ele mordeu levemente minha orelha e eu tive certeza de que não ia me controlar mais.
- ... – sussurrei, me virando de frente pra ele e colocando as mãos por dentro da camiseta vermelha que ele usava, arranhando de leve suas costas e sentindo-o contrair os músculos com o meu toque. Eu amava demais aquele efeito que eu surtia nele.
me segurou pelos cabelos e mordeu minha boca, apenas pra me provocar. E ele sabia fazer aquilo melhor do que ninguém. Não demorou muito pra que meus dentes estivessem mordendo seus lábios devagar, arrancando gemidos abafados dele, e também pra que nossas línguas se encontrassem e nossas mãos se divertissem pelas partes descobertas de nossos corpos. levantava a minha saia enquanto eu deixava pequenos chupões na pele extremamente branca do seu pescoço. As mãos dele não se decidiam entre apertar minhas coxas ou minha bunda, e eu estava concentrada em deixar as minhas marcas nele.
- Uhuull, pornografia grátis! – entrou no quarto rindo, quebrando totalmente o nosso clima. Eu corei e tentei arrumar a minha saia, que estava mais pra cima do que pra baixo.
- Valeu mesmo, ! – olhou com um sorriso falso e irônico pra , que riu alto.
- Vamos pra praia, vocês podem fazer sexo lá também! – ele riu mais alto e caminhou até a porta, empurrando pra fora do quarto.
- E uh, ... dá um jeito nessa garota, olha o que ela fez no seu pescoço! – apontava pro pescoço de com os olhos arregalados. – Ela é canibal, cara! – continuava rindo abobalhadamente. – Será que você podia fazer um clone dela pra mim? – riu mais e o empurrou de uma vez porta afora.
- O sempre estragando, incrível como ele adora fazer isso! – riu e se aproximou novamente de mim, segurando em minha cintura e encostando a boca na minha novamente.
- Perdi a vibe da pegação, ! – sorri ao ver a careta que fez com a minha resposta ao beijo dele.
- E eu vou ficar assim? – ele olhou pra baixo e fez uma expressão de dor.
- Uhn... você dá um jeito. – pisquei e me afastei dele.
- Vamos pra praia antes que eu fique louco com você aqui dentro. – Ele passou as mãos pelos cabelos e me observou enquanto eu pegava a toalha na mochila. – Eu preciso de um banho... – ele olhou diretamente pra minha bunda. – Bem frio! – me puxou pela mão e saímos do quarto.
- ! – gritei, vendo-o caminhar com e em direção ao mar.
- Quê? – ele gritou de volta, sem nem ao menos me encarar.
- Vem aqui AGORA! – gritei em um tom de autoridade, e ele virou rápido.
- Uhh tá obedecendo a ! – e zoaram , que abaixou a cabeça e veio em minha direção.
- O que foi, minha sargenta linda? – parou em minha frente, cerrando os olhos por causa do sol forte.
- Eu não quero ficar com um camarãozinho, então vem aqui passar protetor solar! – sorri e ele sorriu de volta pra mim.
Eu espalhava o protetor solar pelo rosto dele, que estava de olhos fechados, sentado na cadeira de praia, com as pernas abertas, de modo que eu ficasse de pé, entre elas, e ele acariciando de leve as minhas, enquanto eu estava concentrada em espalhar o filtro solar de maneira uniforme.
Um sorriso bobo se estampou no rosto de , e ele permanecia de olhos fechados.
- Que cara é essa, ? – passei as mãos pelo rosto dele, vendo-o abrir os olhos lentamente.
- Eu gosto quando você cuida de mim assim. – ele sorriu e eu me derreti por ele, mais uma vez. – Eu sinto que você gosta de mim. – ele levantou da cadeira e me deu um beijo estalado na boca, caminhando em direção ao mar em seguida e me deixando com cara de boba ali na areia.
Sorri olhando ele, , e brincando feito crianças no mar, e deitei na cadeira de praia, colocando os fones do iPod e dando play, com o playlist no shuffle.
Fechei meus olhos e fiquei apenas ouvindo a voz de Chris Carabba invadir meus ouvidos.
Quando os abri novamente, vi e os garotos todos sentados perto de mim, bebendo cerveja. Eu tinha cochilado uns vinte minutos, deitada ali. Nenhum deles percebeu que eu tinha acordado.
- Caaras, aquela de biquíni vermelho ali é muito gostosa! – apontava pra uma garota no mar.
- Uh, demais! – respondeu.
- Ahh o que eu não daria pra ter uma assim... – ouvi a voz de e senti raiva. Muita raiva daquele comentário infeliz que ele havia feito.
Levantei de onde eu estava e fui direto pro mar, sem nem olhar na cara de nem um deles. Pude ouvir o falando um ‘se fodeu’ e o comentando alguma coisa sobre a minha bunda. Pff, homens.
Alguns mergulhos depois, eu estava mais relaxada, molhada e com frio. Voltei pro lugar onde eu estava e estava sentado na areia, observando cada movimento meu.
- E aí, se divertiu bastante lá no mar com os meus amigos? – falou irônico, visivelmente enciumado.
- Me diverti horrores com eles! – falei cínica e peguei uma toalha pra secar meus cabelos. – E você, se divertiu cuidando a bunda das garotas quer passavam por aqui? – encarei-o nos olhos e soltou uma risada bufada, revirando os olhos.
- Eu não acredito que você tá com ciúmes, ! – me encarava sério, como se eu fosse a errada da história.
- É, ! Afinal, o que você não dava por uma daquelas! – apontei pra nossa frente, onde a garota do biquíni vermelho estava deitada, tomando sol.
Ele abriu a boca pra me responder, mas fechou-a em seguida, sabendo que eu tinha ouvido o comentário dele.
Parei de pé ao lado dele, que estava sentado enc
Fiz um bico e olhei pra , que estava emburrado desde que havíamos saído de casa.
- Hey, bonitinho, não fica assim! – passei as mãos pelo rosto de , que me encarou.
- Eu odeio despedidas. – ele disse, colocando as mãos no bolso e fazendo uma careta fofa.
- Não precisa de tanto drama também, né! Daqui a dois meses eu venho te visitar... – fiquei na ponta dos pés pra abraçá-lo.
apertou os braços contra meu corpo.
- Eu te amo. – ele disse, sem me soltar. Se ele tivesse soltado, provavelmente eu cairia. Era a primeira vez que ele dizia aquelas três palavras pra mim. Arrepiei até meu último fio de cabelo ao ouví-lo dizer baixinho, no meu ouvido, aquilo que eu imaginava nunca ouvir dele.
e eu estávamos juntos há seis meses, desde que eu o conheci em uma festa do James. Nunca houve um pedido de namoro assim, formal. Mas nós dois sabíamos que éramos exclusivamente um do outro durante aquele tempo que passamos juntos.
Talvez nós não quiséssemos nos envolver seriamente por saber que dali a seis meses nós iríamos nos separar e doeria mais se estivéssemos ainda mais envolvidos. Eu precisava voltar pro Brasil, a minha vida inteira estava lá. E a vida dele estava em Londres, junto com os garotos e o McFly.
É, ele mesmo, , do McFly. Ele é o cara com quem eu dividi minha vida durante os seis meses que eu estive em Londres. Era um relacionamento como qualquer outro, com direito a ciúmes, brigas, momentos românticos e tudo mais. Menos ‘eu te amo’. Nenhum de nós dois nunca disse isso pro outro. Talvez por medo de acabar se envolvendo mais do que devíamos e... ok, talvez eu nunca tenha falado por medo de me envolver mais ainda. Porque ele era extremamente apaixonante. Eu era completamente apaixonada por ele, mas preferi nunca dizer isso. Talvez ele não tenha falado por simplesmente... não sentir. Afinal, eu era só mais uma garota desconhecida que ficava com um dos caras mais disputados da Europa.
Ok, talvez eu fosse mais do que uma simples desconhecida que ficava com um dos caras mais disputados da Europa. Eu era uma desconhecida que ficou por seis meses com o . Foi ele quem me fez sentir todas aquelas coisas idiotas que você vê em filmes românticos e acha que nunca vai sentir. Foi ele quem me fez sentir as famosas borboletas no estômago, era ele o responsável por deixar minhas mãos suando frio e meu coração batendo descompassado cada vez que eu encarava seus olhos . TODAS as vezes, só pra lembrar.
E logo no fatídico dia que eu ia embora de Londres, ele me disse o que eu sempre quis ouvir dele e nunca admiti pra mim mesma.
Como tudo aconteceu? Ah, essa é uma longa história...
• Cap. 1 – Too much to drink
Música num volume ensurdecedor. Pessoas falando alto. Gargalhadas. Garrafas de cerveja espalhadas por todos os cantos da casa.
Era a minha primeira semana em Londres e eu não imaginava onde estava com a cabeça quando aceitei ir à aquela festa com a Rachel.
- Rach! – gritei e ela provavelmente não me ouviu, porque continuou caminhando entre as pessoas que dançavam e me puxando pela mão.
- Rach! – gritei novamente, desviando de um casal, que se agarrava, fervorosamente, no meio da pista de dança improvisada no meio da sala. No instante seguinte, quando olhei pra frente, a Rachel estava num beijo quase que pornográfico com um cara que eu não sabia quem era. Esperei pacientemente ela finalizar aquela babação com o cara, pra perguntar finalmente de quem era aquela festa.
- Bourne! – O cara do cabelo legal falou enquanto estendia a mão pra mim e puxava Rach pela cintura pra ficar do seu lado.
- Bourne? De James Bourne? – perguntei incrédula. Como assim a Rach não tinha me dito que tava dando uns pegas no James Bourne?
- Sim, Bourne de James Bourne!
- . – Sorri e apertei a mão dele. - Então, , sinta-se em casa e divirta-se! Tem bebidas na cozinha! – James falou segundos antes de puxar a Rach pela mão rapidamente em direção as escadas.
Ótimo. Agora eu estava num país desconhecido, na festa de um famoso, com gente completamente bêbada e sozinha.
Aquela primeira semana realmente não estava sendo boa pra mim. A Londres de oportunidades fáceis que todos me falavam não era assim tão fácil. Sete dias fotografando tudo e todos, e nada de dinheiro.
A minha única amiga em Londres era a Rach, e bem... ela devia estar muito ocupada naquela hora.
Dei um longo suspiro, observando centenas de rostos desconhecidos e caminhei em direção à cozinha pra buscar alguma bebida. Já que a Rach tinha me trocado pelo James, beber era a minha saída. Precisava espairecer.
Abri a geladeira, peguei uma garrafa de cerveja e segui em direção à uma grande porta de vidro que dava para os fundos da casa. Parei em frente a ela e observei algumas pessoas rindo, sentadas à beira da piscina.
Abri a porta e sentei-me escorada à ela, tentando tirar todas as coisas que me preocupavam da cabeça.
Duas, três, sete, oito cervejas. E aí eu perdi a conta de quantas eu já tinha bebido. Me sentia tonta, mas não queria parar. O gosto da bebida parecia melhor a cada gole, e eu estava adorando sentir meu corpo leve e enxergar as pessoas distorcidas.
Levei a garrafa até a boca e não senti o gosto amargo da bebida.
Tinha acabado a minha cerveja.
- Merda! – falei alto e pude ver algumas pessoas olhando pra mim como se eu fosse um alien.
Levantei com dificuldade do lugar onde estava sentada, já que minhas pernas pareciam não querer me manter em pé e eu sentia uma vontade imensa de rir e de dançar. Caminhei devagar, rindo das minhas tentativas falhas de andar em linha reta até a geladeira.
Peguei uma latinha de cerveja e fui em direção à sala de cabeça baixa, tentando abrí-la, o que parecia uma missão impossível.
Senti um corpo se chocando contra o meu com força, o que fez a latinha que eu segurava rolar pelo chão.
- Você não olha por onde anda, não? – falei brava e com a voz arrastada, completamente bêbada. Levantei minha cabeça pra encarar o idiota que tinha esbarrado em mim, mas só enxerguei um borrão de cabelos . Definitivamente não devia ter bebido tanto.
- Foi mal, eu nem vi você!
- Blábláblá, não me viu! Caralho, você não vai nem juntar a merda da latinha que você atirou na porra do chão? – respondi brava, sem nem saber direito o porquê.
E ele riu. Ele gargalhou de mim.
- Posso saber do que você tá rindo?
- De você! – ele continuava rindo, e eu cerrava meus olhos, tentando enxergar melhor o rosto do cara com quem eu estava falando.
- De mim? – apontei pro meu próprio peito. – Eu tenho cara de palhaça, por acaso?
- Em apenas uma frase você falou uns quinze palavrões! – ele falava enquanto abaixava pra juntar a lata de cerveja do chão. – Toma. – ele estendeu a mão com a latinha.
- Falou o bem educado! Muito obrigada! – respondi irônica, e quando abri o anel da lata, senti todo aquele líquido gelado espirrar contra o meu rosto e blusa. - Dava pra ter sacudido um pouco mais a lata, seu imbecil? – gritei com o cara, que continuava rindo de mim. – Olha o estado que eu tô! Como eu vou voltar pra casa desse jeito? – apontei pra minha blusa molhada, e me arrependi dois segundos depois, quando lembrei que a blusa era branca, e provavelmente estaria transparente.
- Gostei das cerejinhas! – ele falou apontando pro meu sutiã.
- Hey, pára de olhar! – cruzei os braços em frente ao peito.
- Como eu vou voltar pra casa desse jeito? – ele me imitou fazendo uma voz irritante e apontando pro peito.
- Idiota! – sorri, tinha sido engraçado ver aquele cara me imitar. – Onde tem um banheiro pra eu tentar limpar essa blusa?
- Lá em cima, terceira ou quarta... talvez quinta porta à esquerda. – ele respondeu, virando de costas e indo até a geladeira pegar mais bebida.
- Obrigada, estranho. – falei mais alto, já caminhando em direção à sala, mas tropecei em alguma coisa não-identificada que estava no chão e tive que me apoiar na bancada da cozinha pra não cair.
Levantei a cabeça devagar, me sentindo ainda mais tonta do que eu já estava antes, mas desisti e sentei no chão, encolhendo as pernas e encostando minha cabeça nelas, tentando fazer com que aquele enjôo e a dor de cabeça desaparecessem.
- Hey – ouvi alguém me chamando. Levantei a cabeça e enxerguei aquele mesmo borrão de cabelos , que eu não conseguia saber quem era por estar quimicamente (muito) alterada.
- O quê? – falei numa voz chorosa e levantei minha cabeça pra encará-lo.
- Vem. – ele estendeu a mão na minha direção.
• Cap. 2 – I don’t know who you are, but I’m with you
Segurei a mão dele e dei um impulso forte pra conseguir me levantar do chão. Não sabia quem ele era e nem pra onde tava me levando, mas pior do que eu estava, não ficaria. Ele saiu caminhando entre as pessoas que dançavam animadamente no meio da sala, me segurando pela mão. Uma sensação diferente tomou conta do meu corpo quando olhei meus dedos entrelaçados nos dele. Bebida demais, provavelmente.
Subimos uma escada grande e fomos parar em um corredor com muitas portas. Muitas portas, só pra ressaltar. Continuamos caminhando pelo corredor até que ele me puxou pra dentro de uma das milhares de portas que havia naquela casa.
Um banheiro. Um grande, limpo e bem iluminado banheiro. Meus olhos doíam com aquela luz forte.
- Me espera aqui que eu vou pegar alguma coisa limpa e seca pra você vestir. – o cara falou antes de sair pela porta e me deixar sozinha.
Abri a torneira e deixei a água correr um pouco, antes de molhar minhas mãos e passá-las no meu rosto pra retomar um pouco da consciência. Sentei na bancada da pia do banheiro, ouvindo a música que tocava no andar de baixo e tentando decifrar de que banda era. Eu já começava a sentir um frio desagradável por estar com a blusa molhada, quando o carinha entrou no banheiro e me entregou uma camiseta preta com algumas coisas escritas, que, obviamente, eu não consegui ler por não estar enxergando nada direito.
- Agora você já tem uma roupa seca. – ele falou colocando as mãos no bolso da bermuda, e eu apesar de não estar raciocinando rápido, achei aquilo extremamente fofo. Ele virou de costas pra sair do banheiro, mas eu não queria que ele saísse.
- Hey, estranho! – ele virou de volta pra mim.
- Eu? – ele parecia desconfiado.
- Não me deixa sozinha! Sabe... eu... não conheço ninguém aqui nessa festa e a minha amiga me abandonou pra pegar um cara famoso que agora eu nem consigo mais lembrar o nome, e eu tô bêbada e eu não sei mais o que eu tô falando! - me senti mais bêbada e patética do que em qualquer outro momento naquela noite.
- Eu achei que você quisesse se vestir. – ele falou calmo, se escorando na parede.
- E eu quero! – eu sorri animada e desci da bancada da pia. – Mas você pode ficar aqui, sabe, é só virar de costas, e além do mais, você já até comentou das cerejas do meu sutiã! – eu ri abobalhada.
Não sabia porquê, mas estava um pouco mais feliz por finalmente ter alguém pra conversar.
- Você vai trocar de roupa na frente de um estranho? – ele disse, virando-se de costas pra mim quando eu coloquei as mãos na barra da blusa pra tirá-la.
- Não, eu vou trocar de roupa de costas pra um estranho. E aliás, qual é o seu nome, estranho? – perguntei, colocando a camiseta que ele tinha me trazido.
- .
- Eu sou a , mas pode me chamar de . – terminei de colocar a camiseta me sentindo um pouco melhor do enjôo e da bebedeira. Ele continuava de costas pra mim e eu tirei alguns segundos do meu tempo só pra observar . Ele vestia uma bermuda uns 3 números maior que o dele, já que elas caíam e deixavam a boxer aparecer. Ele parecia ser realmente bonito, e pela primeira vez na noite eu quis estar sóbria e poder enxergá-lo perfeitamente.
- Já posso me virar? – a voz dele me tirou dos meus pensamentos.
- Já! – parei em frente do espelho pra tentar arrumar a minha maquiagem, que já estava borrada. Ouvi uma música conhecida começar a tocar no andar de baixo e passei a cantarolar baixinho, enquanto o me observava pelo espelho.
When everything's going wrong
And things are just a little strange
It's been so long now you've forgotten how to smile
sorriu e passou a cantar comigo.
And overhead the skies are clear
But it still seems to rain on you
And your only friends all have better things to do
Eu sabia que eu conhecia aquela voz de algum lugar. Eu tinha certeza!
Aquela voz que eu adorava ouvir... o cara de cabelos ... ...
? Não podia ser.
- Pára. Você tá brincando comigo, né? – perguntei virando de frente pra ele e segurando-o pelos ombros.
- O quê? Do que você tá falando? – ele parecia confuso.
- Você não é ... , é? – minhas mãos passaram a tremer naquele momento.
- Até onde eu sei, eu sou! – ele sorriu. Cara, aquele borrão que eu enxergava era o , sabe? , o do McFly!
Me encostei na parede fria do banheiro e escorreguei até ficar sentada.
- Eu não acredito nisso! Eu não acredito! – eu repetia baixinho pra mim mesma.
- Não acredita no quê? – perguntou ainda de pé, com as mãos no bolso, me olhando.
- Eu simplesmente não acredito que eu tô na festa de um cara famoso, que eu tô dentro de um banheiro com , não acredito que eu fui patética a noite inteira e que amanhã eu não vou lembrar de nada disso! Que merda! – eu senti vontade de chorar, exclusivamente por estar bêbada.
Afundei meu rosto em minhas próprias mãos e senti uma mão no meu ombro.
- Se você esquecer, eu faço questão de te lembrar. – falou encarando meus olhos. O enjôo voltou, mas dessa vez era por eu estar a menos de 30 centímetros de .
• Cap. 3 - It's the way that he makes you feel
Ficamos os dois ali, sentados no piso frio do banheiro, conversando como se fôssemos velhos conhecidos. Falamos sobre tudo: animais, pessoas, bebidas, festas... enfim, de tudo. Até o momento em que ficamos os dois em silêncio. Esse tipo de situação sempre me incomodava e me deixava nervosa. Mas eu estava do lado do , o , o do McFly! Isso aumentava o meu nervosismo umas quarenta e sete vezes. Só quando a gente parava de conversar era que eu percebia que era ele quem estava ali, de verdade.
- Eu tô cansada. – falei esfregando os olhos.
- Vem, eu acho um quarto pra você. – ele levantou e eu o segui.
Depois de entrar em uns quatro quartos com gente se comendo, uns dois com pessoas dormindo e ver umas trinta pessoas vomitando, finalmente achamos um quarto vazio. Entramos e ele fechou a porta.
Me atirei na cama e ficou parado na porta me olhando e sorrindo.
- Que foi? – perguntei enquanto me ajeitava em cima da cama.
- Isso é estranho. – ele falou, sentando ao meu lado.
- O que é estranho, ?
- Tipo assim... eu tenho uma banda! Era pra você estar pulando em mim agora! – ele riu e eu consegui enxergar os olhos dele brilharem.
- Se te consola, provavelmente se eu tivesse sóbria quando te vi, eu pularia em você e não soltaria mais! – senti meu rosto corar logo após eu terminar a frase.
- Ah é? – ele deitou do meu lado na cama e ficamos os dois olhando pro teto.
- É. Você sempre foi meu favorito no McFly. – fiz uma pequena pausa. – Se bem que o com aquele sorriso e o com aquele jeito de tocar... Ai, fora o que é perfeito, né! – fingi uma cara afetada e suspirei, vendo ele me olhar com uma expressão de espanto.
- E eu achando que era seu favorito! – ele riu.
- Mas você é! – corei novamente. Silêncio. Ficamos os dois quietos, olhando pro teto. Eu só ouvia barulhos vindos lá de baixo e a respiração dele.
Dois. Três. Quatro minutos e a gente continuava em silêncio. Aquilo realmente já começava a me incomodar.
- Um objeto? – puxei assunto.
- O quê?
- Vai, fala a primeira coisa que vier na sua cabeça! Um objeto?
- , obviamente. – eu continuava olhando pra cima, mas sabia que ele tava sorrindo.
- Filme? – perguntei.
- Algum com mulheres gostosas! – ele riu.
- Música?
- As do McFly. Eu tenho que puxar o saco da minha banda. – ele parecia concentrado pra me responder.
- Qualidade?
- Eu sou lindo, olha pra mim! – Nós dois rimos.
- Eu concordo plenamente. – falei baixo, mais pra mim do que pra ele.
- O quê? – ele tinha ouvido? Shit!
- Nada, não... Cor?
- Azul.
- Um lugar? – ele demorou alguns segundos pra responder.
- Aqui. – ele falou com convicção e eu senti um arrepio percorrer meu corpo.
- Um momento?
- Agora. – ele virou o rosto pra mim. E eu virei o meu pra ele.
Ficamos nos encarando nos olhos e eu senti borboletas fazerem a festa no meu estômago.
- Uma... – respirei fundo. – Uma pessoa?
- Você. – ele disse olhando nos meus olhos. E as borboletas se transformaram em monstros que me faziam sentir arrepios, minhas mãos tremendo e meu coração batia acelerado.
E isso foi multiplicado por trinta quando eu vi Dougie se escorar no braço e ficar com o rosto a poucos centímetros do meu.
- Você não vai falar nada? – ele perguntou baixinho enquanto aproximava mais ainda nossos rostos, me fazendo sentir a respiração dele bater na minha boca. Senti a sua mão levantar um pouco a camiseta larga que eu usava e acariciar levemente a minha barriga. Fechei meus olhos e suspirei, não acreditava que aquilo tava acontecendo comigo.
- Não faz isso... – falei ainda de olhos fechados e senti os dentes dele se fecharem no meu lábio inferior.
- Eu quero fazer mais que isso... – Dougie beijou o canto da minha boca e por mais auto-controle que eu tivesse, não dava pra ficar parada.
Coloquei minha mão ainda trêmula em sua nuca e o puxei pra mais perto de mim, ficando quase tonta ao ver aqueles olhos me encarando. Ele passou levemente a língua pelos meus lábios e automaticamente eu os abri, fazendo nossas línguas se encostarem e eu sentir arrepios em uma intensidade que eu nunca havia sentido antes. Um beijo calmo, como se nós dois quiséssemos aproveitar o máximo que aquele momento podia nos proporcionar. Provavelmente seria a única e última vez que eu beijaria , e eu precisava fazer aquilo se tornar inesquecível.
• Cap. 4 – Do you care if I don’t know what to say?
Um beijo. Dois. Quatro. Intermináveis. Eu não queria parar, ele não parecia querer parar. Eu não tinha idéia do que falar pra ele quando parasse de beijar, então quanto mais beijasse, melhor. Literalmente, óbvio.
Me afligia pensar que depois daquele beijo eu teria que olhar pra ele. Sabe, porque, tipo, ele era e eu... uma garota normal.
Quando ele parecia querer interromper o beijo, eu o puxava novamente contra a minha boca e ele sorria. Acho que ele entendia a minha aflição.
- Se você deixasse, eu queria te olhar de novo. – ele falou em meio a um sorriso, com a boca encostada na minha.
- Mas tá bom assim! Não tá bom? Pra mim tá ótimo! – falei nervosa e rapidamente, brincando com os cabelos dele.
- Tá ótimo assim. – me deu um selinho. – Mas eu preciso de oxigênio, sabe? – ele fez uma cara fofa. Outra mais fofa ainda. Todas as caras que ele fazia eram fofas.
- Tá! Pode respirar! – nervosismo? Muito. Vergonha? Demais. Palavras? Nenhuma em mente. A única ação que me passou pela cabeça foi virar de costas pra ele, só pra não ter que encarar aqueles olhos que me deixavam tonta. Eu não sabia o que fazer e muito menos o que falar. Tirando o fato de eu não estar muito sóbria, eu sabia que qualquer palavra errada estragaria aquele momento. Eu procurava incansavelmente por palavras que parecessem certas naquela hora, mas a única coisa em que eu conseguia pensar era: ‘eu tô mesmo aqui com o ?’. Aquilo martelava na minha cabeça e eu não conseguia acreditar.
Eu continuava virada de costas pra ele, e suava frio. Não conseguia processar nenhuma informação e meus ouvidos começaram a zunir. Eu não queria sair daquele quarto e muito menos daquela cama, mas eu não tinha noção de como agir.
Meus pensamentos se esvaíram quando eu senti me virar de frente pra ele novamente.
- Eu não disse que queria te olhar? – ele falou num meio sorriso, passando os lábios na pele macia embaixo da minha orelha. Arrepiei.
De novo e de novo.
- Na boa, eu não consigo acreditar que isso tá acontecendo. – finalmente me pronunciei, virando de frente pra ele, que mantinha uma das mãos acariciando a minha cintura.
- Por que não acredita?
- Porque tipo... você é ! Do McFly! E eu sou só... sou só... eu! – falei rapidamente e ele pareceu se concentrar pra entender o que eu tinha dito.
- E eu sou só um ser humano como qualquer outro! – a voz dele estava num tom mais alto e continha um pouco de indignação. – Eu tenho vontades normais, como todo mundo! – ele abaixou a voz – E a minha única vontade agora é de estar aqui, com você...
Sorri involuntariamente e abri a boca pra falar alguma coisa, mas as palavras sumiram. Tentei pensar rápido em alguma coisa pra dizer, mas minha cabeça não produzia nada.
- Acho que eu já tenho oxigênio o bastante pra voltar a fazer o que a gente tava fazendo... – tirou qualquer pensamento que habitasse minha mente, pressionando os lábios quentes sobre a pele do meu pescoço.
Fechei os olhos por um instante só pra me convencer de aquilo não era um sonho.
- Eu não via a hora de você dizer isso. – Sorri e rocei meus lábios nos dele, que abriu a boca pra me beijar, mas eu recuei um pouco e encarei-o nos olhos. Nossas testas continuavam encostadas e ele me olhava fixamente.
Vi ele fechar os olhos lentamente e encostar a boca na minha novamente, passando a língua pelo canto da minha boca em seguida.
Novamente recuei, rindo da expressão de desânimo que ele fez.
- Não faz assim comigo... – ele deitou a cabeça no travesseiro e passou as mãos pelo rosto.
Coloquei uma perna de cada lado do corpo de , ficando sentada em cima dele. Ele me olhou e sorriu de lado, e eu mordi o lábio, envergonhada e excitada com as possibilidades que se abriam por nós estarmos ali.
- Agora sim as coisas estão como eu gosto... – ele passou as mãos pelas minhas costas, levantando um pouco a camiseta que eu usava e me fazendo soltar um gemido ao apertar minha cintura, por debaixo da blusa, enquanto procurava pelos meus lábios avidamente.
• Cap. 5 – Don’t stop me now
Eu não sabia se o meu coração batia rápido ou devagar. Eu não sabia nem se ele continuava batendo. Cada vez que o apertava minha cintura, eu sentia como se bilhões de borboletas tivessem resolvido voar dentro do meu estômago. E cada beijo que ele me dava parecia melhor do que o anterior.
Eu já tinha acostumado (veja bem, acostumado, não, acreditado) com o fato de que eu estava ali mesmo, beijando, pegando e apertando . E a cada minuto que passava, as carícias ficavam mais quentes, os beijos mais rápidos e os toques mais ousados.
Naquele momento, nós dois já estávamos sem blusa e ofegantes.
Eu beijava o pescoço dele, enquanto o ouvia suspirar e gemer baixinho, quando senti as mãos dele tentando abrir o zíper da minha calça jeans. Eu meio que acordei do sonho naquele exato momento.
- Tira a mão daí. – falei em meio a um beijo na boca dele.
- Não! – ele riu contra minha boca e abriu o botão da minha calça.
- Eu tô falando sério. – ele parou de me beijar e olhou nos meus olhos. Eu continuava sentada no colo dele.
- Por quê?
- Porque eu não quero, ué! – respondi simples, deitando na cama novamente.
- Como não quer? Você tá provocando! E pareceu querer tanto quanto eu! – parecia surpreso e estava sentado na cama, me olhando.
- Eu não quero, que coisa! – eu ri e voltei a me sentir bêbada. Tem outra explicação? É, bêbada. deitou do meu lado e olhou pro teto. Eu virei de lado e fiquei observando seu perfil. Ele era realmente tudo aquilo que eu via nas fotos.
- Sabe, eu tenho uma banda. Eu não beijo mal, ou pelo menos nunca ninguém reclamou. Eu não entendo o porquê de você não querer! – falou ainda encarando o teto, e eu senti vontade de rir da cara de tristeza dele. Era ótimo saber que ele também se sentiu inseguro em algum momento.
- Você beija mal, . Desculpa. – falei, e ele virou a cabeça rapidamente pra me encarar. Ele abriu a boca pra falar alguma coisa, e eu comecei a rir descontroladamente.
- Você tinha que ter visto a sua cara agora! - Ele continuava me olhando, e sério. – Eu tô brincando, idiota! – ele sorriu aliviado e se aproximou do meu rosto, me fazendo sentir a respiração dele contra minha boca. Ele fechou os olhos e ia me beijar, mas eu coloquei a mão no peito dele, impedindo-o.
- Você tem que parar com essa mania de ‘eu tenho uma banda’! – eu falei imitando-o e nós dois rimos.
- E você tem que parar com essa mania de me parar quando eu vou te beijar. – não pude responder nada, já que grudou seus lábios nos meus e eu voltei a sentir todas aquelas malditas borboletas.
• Cap. 6 – Bebe mais um pouco que eu tiro a sua roupa
Meia hora naquele quarto. Meia hora de amassos incessantes com o . Meia hora que eu tentava mentir pra mim mesma que eu conseguia me controlar. E eu realmente não conseguia mais me controlar.
Nós só parávamos de nos beijar/agarrar/amassar pra beber mais e mais. Sim, nós tínhamos descoberto um frigobar no quarto e tratamos de acabar com todo o estoque de álcool existente nele.
Nós continuávamos sem blusa e ele passava as mãos por cima do meu sutiã, como se pedisse pra ir mais além. Minhas unhas arranhavam de leve o peito dele, fazendo com que ficassem marcas na pele branca de .
Ele estava por cima de mim, beijando meu pescoço de uma forma que me fazia esquecer qualquer coisa. Se me perguntassem meu nome, eu não saberia dizer naquele momento. Eu simplesmente não conseguia raciocinar e nem fazer nada direito; sentia as mãos dele abrindo e tirando minha calça e apenas o beijava mais ardentemente, estimulando-o a continuar.
Tirei minhas mãos das costas dele e passei para o cinto da bermuda que ele usava. O abri e baixei a bermuda larga que ele vestia com os pés. Ele parou de me beijar e encarou meus olhos, sorrindo em seguida.
Eu vi os olhos dele com uma espécie de brilho diferente das outras vezes que eu os tinha encarado, e vi as pontas dos seus cabelos molhadas de suor.
Ele voltou a me beijar quase que violentamente e passou os dedos gelados pela barra da minha calcinha. O arrepio que eu senti naquela hora me fez lembrar do estado que eu me encontrava e com quem eu me encontrava.
- Não, ... – eu o empurrei e saí debaixo dele, catando minhas roupas espalhadas pela cama e colocando-as sobre meu corpo.
- Eu não sei por que você provoca, se não vai fazer! – gritou, irritado e visivelmente frustrado. Eu me assustei e meio que me arrependi de tudo.
- Desculpa... – eu falei baixo e querendo chorar.
Ele suspirou e passou as mãos nervosamente pelo cabelo, levantando da cama e andando de um lado pro outro no quarto.
Eu o observava caminhar nervoso e apenas de boxer pelo quarto, e minha vontade de chorar passou. Ele era perfeito. Diversas vezes melhor do que nas fotos.
- Eu devia te odiar agora! – ele finalmente falou depois de alguns minutos. Sentou-se ao meu lado na cama, e eu levantei a cabeça pra encará-lo. – Mas eu simplesmente não consigo! – ele sorriu. Aquele sorriso.
Mais uma descoberta. era bipolar, só podia. Mudanças de humor constantes. Num momento ele era extremamente sexy, depois me deixava assustada e no segundo seguinte me fazia querer abraçá-lo e não soltar nunca mais.
- Se eu te der mais bebida, você deixa? – ele olhou pra mim e fez uma cara maliciosa.
- Não...
- Então, vai, se veste de uma vez e vamos descer, porque se eu ficar mais um minuto nesse quarto com você, eu não vou me controlar! – ele riu, enquanto colocava a camiseta.
• Cap. 7 – Place your hand in mine.
Ele desceu as escadas na minha frente e eu o segui, passando as mãos pelos cabelos numa tentativa inútil de tentar arrumá-los. Quando finalmente chegamos ao final da escada, ele parou e me esperou. Eu fiquei de pé no último degrau da escada e o encarei.
sorriu e me estendeu a mão.
Entrelaçamos nossos dedos e caminhamos até um grande sofá na sala, onde havia algumas pessoas tão bêbadas quanto nós, rindo e falando alto.
Sentei ao lado de , que já se encontrava esparramado num canto vazio do sofá. Eu ainda estava tímida e anestesiada pelo que quase havia acontecido minutos antes.
Eu observava todos os integrantes do McFly ali, sentados no mesmo sofá que eu, rindo e conversando, e lembrava de todas às vezes que eu imaginei aquilo acontecendo. Fui tirada dos meus pensamentos quando senti me puxar pelo braço pra sentar entre as suas pernas.
Assim, ele tava me ‘assumindo’ pros amigos dele ali, ou era só impressão minha?
É. Ele tava. Porque no instante seguinte, eu senti seus lábios sendo pressionados contra o meu pescoço. Sorri quieta e continuei observando o jeito engraçado do de falar, a cara de interessado do e a expressão fofa – sempre – do .
A Rach mexia incansavelmente nos longos cabelos loiros e provocava o James de uma maneira quase que explícita.
O resto das pessoas da festa parecia nem se importar com o fato de estarem com celebridades inglesas ali. E eu anestesiada. Chapada. Sem saber o que falar ou fazer.
- Sua mão tá fria. – falou, me abraçando mais forte, fazendo-me encostar as costas em seu peito. Entrelaçou seus dedos nos meus mais uma vez e me fez sentir novos arrepios com o toque da mão dele quente na minha gelada. Eu me sentia extremamente idiota por me sentir extremamente idiota quando ele me tocava. Dei um sorriso tímido pra ele, que mais uma vez beijou meu pescoço. Ele parecia ter gostado daquilo, porque não passava mais de cinco minutos sem fazê-lo.
- , quer parar? – falei em meio a um sorriso, fechando os olhos ao sentir ele lamber meu pescoço.
- Tô confortável assim! – ele me mordeu fraco e eu suspirei rindo, querendo na verdade retribuir tudo aquilo. Completamente travada por estar na sala com os amigos dele, no território dele.
Ele passou a chupar o meu pescoço levemente, e eu sabia que iriam ficar marcas ali. Não ligava. Mesmo.
- ! Pára! Os seus amigos estão aqui! – falei, virando a cabeça pra trás pra encará-lo.
- E daí? – ele me deu um selinho rápido, seguido de um sorriso.
Sorri junto com ele.
- Você não presta, garoto!
- Não mesmo. E você adora, afinal... eu tenho uma banda, sabe como é... – ele gargalhou e eu belisquei seu braço, que estava sobre a minha barriga.
Passamos mais algumas horas ali, conversando com os caras da banda e o James, e eu me adaptei mais do que imaginei. Eles eram realmente fodas.
- Bebê, posso dormir aqui hoje? - Rachel pediu com uma voz manhosa.
- Você pode passar a noite aqui, dormir eu não garanto! – James deu o sorriso mais malicioso que eu já tinha visto na vida.
- Mas Rach! Eu tenho que ir pra casa! – falei suplicante.
- Ai, dorme aqui também! O James não se importa, né, bebê? – Rach olhou pra James, que negou com a cabeça.
- Não, Rach, eu quero ir embora!
- Tá, se você quiser eu te dou a chave, mas seria legal você dormir aqui. Vai, fica! – ela me olhou com cara de cachorro abandonado.
- Ok, eu vou embora. – sorri.
- Fica aqui. – ouvi sussurrar no meu ouvido.
- Nãnãnã, eu tenho que ir embora!
- Ah, fica... por favor? – fez bico e o melhor olhar de coitadinho.
- Pra quê? – provoquei.
- Bom... assim, eu tô pedindo. E não esquece que eu tenho uma banda!
- Você é muito chato com esse negócio de blábláblá eu tenho uma banda! – imitei-o.
- E eu vou ficar muito bravo se você for embora e me deixar aqui com esse bando de retardados!
- Esses retardados são a sua banda! – falei me levantando do colo dele e pegando as chaves do apartamento da Rach.
- É, exatamente. Eles são da minha banda, ou seja... eu tenho uma banda e você tem que me amar por isso! – ele sorriu.
- Tsc, tenta de novo outro dia, baby. – pisquei, fingindo uma cara afetada.
- Cala a boca e vem aqui! – ele levantou rapidamente do sofá e me colocou sobre os ombros, bem naquele estilo ‘sequestro’. Subiu as escadas e me atirou naquela mesma cama de horas antes.
- Daqui você não sai! – falou me abraçando por trás e colocando uma das pernas sobre as minhas, me prendendo ali.
- E quem disse que eu queria sair?
- Shh. – ele colocou a mão sobre a minha boca. – Eu quero dormir.
E realmente dormiu. Nem dez minutos depois de ter dito que queria dormir. Talvez efeito do álcool. Talvez eu desse sono nele. Talvez eu não quisesse sair nunca mais dali.
• Cap. 8 – There’s a hole in my mind when you’re not next to me.
Abri meus olhos devagar, tentando me acostumar com a claridade que entrava pela janela do quarto. Minha cabeça latejava e eu ainda sentia o gosto de álcool na minha boca. Meu corpo parecia pesar cem quilos e eu só fui entender o porquê depois que abri completamente meus olhos e enxerguei uma perna sobre as minhas. Flashes da noite anterior passaram pela minha cabeça e eu virei meu rosto vagarosamente pra trás, pensando ainda estar dormindo.
Mas não.
Ele estava ali. estava ali, deitado ao meu lado, com uma das mãos sobre a minha coxa e a perna sobre as minhas. Uma sensação de desespero tomou conta do meu corpo e minha cabeça passou a doer mais.
Tentei sair da cama delicadamente pra não acordá-lo, mas pisei em uma lata de cerveja que estava no chão e soltei um grito abafado pelas mãos. Olhei pra ele, que não se moveu. Suspirei aliviada.
Meu pé doía.
- Merda, cacete, porra, mas que inferno de lata idiota! – falei mais baixo, resmungando de dor.
- De novo você com seus palavrões, ? – ouvi a voz sonolenta de . Meu pé parou de doer. Minha cabeça também. Eu queria vomitar.
Corri para o banheiro do quarto, sem responder a pergunta dele, que permanecia deitado na cama. Patética, sim.
Encarei meu reflexo no espelho e quase surtei. As três camadas fortes de rímel que na noite anterior estavam em meus cílios, agora estavam esparramadas por toda a área dos meus olhos. E aquela merda não saía, por mais que eu lavasse o rosto. Meu rosto estava amassado e eu parecia com um zumbi ou coisa do tipo.
- Cadê a garota bonita com quem eu dormi ontem? – estava escorado na porta do banheiro, me observando.
Meu coração parecia querer saltar pra fora do peito, e eu não sabia o que responder.
Eu o encarava pelo reflexo do espelho, apoiada na pia do banheiro. Vi ele se aproximar devagar de mim e me abraçar pela cintura, apoiando o queixo sobre o meu ombro.
- Você tá linda assim, parecendo um hamster! – ele sorriu. Eu senti vontade de rir junto, apesar de todo o nervosismo.
- Hamster? Isso foi broxante, . – “”. “”. Eu pareci tão natural falando o nome dele que até me assustei. Na verdade eu deveria estar tremendo.
- É que seus olhos estão pequenos e você tá toda amassada... se bem que com essas olheiras e essa coisa preta aí nos seus olhos, você parece mais com um panda! – ele permanecia com os braços envoltos na minha cintura.
- Me encanto com a sua delicadeza, querido. – falei sarcástica, me virando de frente pra ele e empurrando-o pra fora do banheiro.
- Eu sei, eu sou encantador! – sorriu. Aquele sorriso extremamente... encantador.
Lavei meu rosto novamente, na esperança de que a água fria me fizesse parar de ter pensamentos pervertidos envolvendo – acordando – de manhã.
Difícil, muito difícil, na verdade.
Quando retornei ao quarto, não estava mais ali. Desci as escadas, dando de cara com James apenas de boxers na cozinha.
- B-bom dia... – qual é? Era James Bourne de boxers, cara!
- Bom dia, bonitinha! – ele sorriu e abriu a geladeira, pegando uma jarra de suco. – Eu pedi café da manhã pra todo mundo, sinta-se à vontade enquanto não chega.
Agradeci e fui em direção à sala, onde a Rach falava no telefone e estava deitado no sofá. Sentei no chão, escorada no sofá onde estava e cruzei as pernas, fingindo prestar atenção no que passava na tv.
Ele sentou no sofá, de modo que cada uma das pernas dele ficasse de um lado do meu corpo, no chão. Colocou as duas mãos no meu pescoço, quase que massageando-o.
- Bom dia pra você também, ! – ouvi dizer, enquanto eu tentava acreditar que eu realmente estava ali com ele. A ficha ainda não tinha caído.
- Bom dia, ! – olhei pra cima e o encarei, sentindo todas aquelas borboletas infernais novamente invadirem meu estômago ao olhar nos olhos dele. Ele sorriu e encostou levemente os lábios nos meus.
- Parem de se pegar aí e venham comer, crianças! – James gritou da porta da cozinha.
Estávamos tomando café da manhã quando um completamente descabelado e com o peito arranhado entrou gritando na cozinha.
- Vamos rápido com isso, cara! O Fletch acabou de me ligar e tá puto com a gente! Porra, ninguém lembrou que a gente tem que ir pro estúdio hoje? – tentava falar, enquanto enfiava alguns pedaços de pão na boca.
levantou da mesa e caminhou até a sala, pegando as chaves do carro de cima da mesinha de centro.
Eu continuei sentada na mesa da cozinha com James e Rach, fingindo não ligar a mínima pro fato do estar indo embora. Na verdade eu queria amarrar ele no pé da mesa e fazê-lo ficar ali pra sempre.
- Hey, você não vai se despedir? – colocou a cabeça pra dentro da cozinha, me encarando. Então ele queria se despedir de mim. Sorri e caminhei até a sala.
- Eu quero te ver de novo, ok? – ele disse, enquanto colocava as mãos na minha cintura.
- Uhum. – sorri fraco, triste por saber que aquilo dificilmente aconteceria.
Ele encostou os lábios nos meus, passando a língua em seguida, como se pedisse pra intensificar o beijo. O fiz, e senti nossas línguas brincarem devagar e intensamente.
Eu nunca tinha experimentado nada parecido. Percebi que todas as vezes que eu beijei outra pessoa, parecia errado. Com o foi diferente. Encaixava. Era como se nós estivéssemos sincronizados um com o outro.
- Eu tenho que ir... – ele fez uma carinha triste e me deu um selinho.
- Vai logo, antes que o tenha um ataque. – apontei pro , que batia os pés no chão freneticamente.
Ele me deu mais um selinho e saiu pela porta da sala.
Me sentei no sofá e fechei os olhos, tentando organizar as idéias na minha cabeça. É, eu tinha ficado com .
A sensação de vazio que eu sentia era assustadora. Muito pior do que nunca ter ficado com , era ficar e ter que vê-lo ir embora.
• Cap. 9 – I don’t like your girlfriend.
Uma semana havia se passado, e como eu já imaginava, não falei mais com o e nem tive nenhuma notícia dele, a não ser as que eu via sobre o McFly nas revistas e na TV.
- Anda, , vaaaaamooooos! – Rach entrou no meu quarto improvisado em seu apartamento e me puxou pelo braço, com aquele jeito estabanado de ser que ela tinha.
- Pra ooonde Raaaaaach? – respondi do mesmo jeito que ela, rindo.
- Pra casa do bebê, oras! – ela deu o melhor sorriso 67253 dentes que podia.
- Fazer o que lá, Rachel?
- Eu vou matar a saudade do meu Jimmy, e você... sei lá, joga videogame?
- Ai, Rach... não sei...
- Vaamos xuxu! – carinha de cachorro sem dono.
- Anda logo, antes que eu me arrependa. – peguei minha bolsa e fui pra casa do James com a Rach, ainda meio desanimada de ter que ficar lá segurando vela.
Uma hora e meia jogando Tony Hawk e ouvindo os barulhos irritantes dos beijos da Rach e do James. Torturante.
Até a campainha tocar e eu ouvir aquela voz bem conhecida por mim. Virei um pouco a cabeça pra trás só pra ter certeza de que era ele mesmo quem estava ali. E era. Ele, de mãos dadas com uma garota de cabelos castanho claro.
Não sei explicar direito o que eu senti naquele momento. Eu sabia que aquilo podia acontecer, mas não esperava que fosse tão rápido.
“Eu quero te ver de novo, ok?”
As palavras dele ecoavam na minha cabeça e faziam minhas esperanças se esvaírem. Voltei minha atenção para o skatista da tela da TV que estava espatifado no chão, devido ao breve momento ‘eu odeio o e quero que ele morra’. Provavelmente se eu olhasse pras mãos deles entrelaçadas por mais um segundo, eu choraria. Qual é, eu sou uma garota, e sou sensível sim!
- Oi, ! – caminhou até o local onde eu estava sentada e me deu um beijo no rosto.
- Oi, ! – tentei parecer o mais natural possível, embora eu quisesse sair daquele lugar.
- ? – a voz de me chamou e eu fechei os olhos por alguns segundos antes de encará-lo.
- Hey, ! – eu era ótima em fingir naturalidade.
- O-oi... – ele parecia tão assustado quanto eu.
- Não me apresenta seus amigos, ? – a garota bonita que estava com se pronunciou finalmente, abraçando-o por trás, pela cintura. Eu daria meu fígado pra estar no lugar dela naquele momento.
- Vicky, essa é a ... uma amiga minha...
- Oi, ! – Vaca. Ela podia ser super irritante e não dar aquele sorriso simpático, seria mais fácil de odiá-la.
- Oi Vicky! – respondi sorridente. Eu podia ser uma atriz quando tinha vontade.
Meia hora jogando Guitar Hero com o e ouvindo barulhos irritantes de beijos da Rach com o James E do com a Vicky. Era tortura demais pra mim, mas eu me mantive controlada.
Eu ouvia os assuntos irritantes daquela garota com o , e ouvia ele dar respostas monossilábicas e voltar a beijá-la. Pelo menos ele fazia ela calar a boca, mesmo que de um jeito que eu não gostasse nada.
Até que o celular dela tocou e ela falou algo como “Já tô indo sweeeeeetie” e foi embora.
Eu continuava vidrada no jogo de videogame, pra não pensar em qualquer coisa que envolvesse o idiota do .
- ! – me chamou e quando eu olhei pra trás, quase fui atingida por uma lata de cerveja na cabeça. – Ih, foi mal! Ele riu e me chamou pra sentar ao lado dele no sofá.
- Hey, vamos fazer alguma coisa mais interessante! – Rach propôs.
- Tipo o quê? – perguntei enquanto abria a minha latinha de cerveja.
- Tipo... jogo da verdade! – ela sorriu, olhando pro James.
- Por mim tá beleza. – respondeu.
- Então vamos!
Algumas rodadas de perguntas depois, algumas coisas que jamais passariam pela minha cabeça sobre , , Rach e James depois... era a vez da Rach perguntar algo pra mim.
- , você anda tão aérea que parece que tá apaixonada... você tá?
Bebi um longo gole da minha cerveja antes de responder. Eu precisava medir minhas palavras, afinal, eu ainda não conseguia diferenciar se o que eu sentia era só uma atração de fã com o ídolo ou era algo mais parecido com uma paixão mesmo.
- Me define ‘apaixonada’. – ganhei mais tempo pra pensar com aquela resposta, e percebi que não desviava o olhar de mim.
- Apaixonada, oras... aquilo de sentir arrepios, mãos tremendo, coração acelerado e tudo mais!
- Humm... talvez. Não posso dizer nada com certeza. – bebi mais um gole da cerveja. – Ainda.
Notei que aparentava um certo desconforto e não parava de se mexer por um segundo.
- Cansei. – ele falou, levantando-se do sofá e indo em direção à cozinha.
- Também. – deitou no sofá, enquanto Rach e James se pegavam novamente.
• Cap. 10 – Under The Stars And Moonlight.
Caminhei até a sacada, observando a lua que parecia mais brilhante do que em todos os outros dias que eu a tinha visto. Sentei-me no chão, me escorando na parede fria e branca, e permaneci observando a lua.
- Quem é o cara? – olhei pra cima e vi fitando o nada, com o olhar perdido.
- Que cara?
- O cara por quem você tá apaixonada. – ele sentou ao meu lado, no chão, bebendo um gole da sua cerveja.
- Isso não faz parte da brincadeira, . – nós não nos encarávamos, apenas olhávamos pra frente.
- Mas eu tô curioso.
- E eu não tenho obrigação de satisfazer a sua curiosidade.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e logo depois virou-se de lado e ficou me observando.
- Pára de me olhar. - estava constrangida com o olhar dele sobre mim.
- Não. – ele falou tão simplesmente que eu virei pra encará-lo.
- ... – comecei a falar, mas fui interrompida por , que colocou o dedo sobre a minha boca. – Fica quieta, eu quero ouvir.
- Ouvir o quê?
- O seu coração. Tá batendo rápido. – ele aproximava o rosto do meu e eu tentava manter a sanidade mental.
- Que bom que tá batendo, sinal de que eu tô viva. – falei na esperança de vê-lo se afastar, o que foi totalmente inútil, pois eu encarava seu rosto a centímetros do meu.
- Você sabe que tem uma namorada, né? – eu sabia que ia acabar fazendo besteira se ele continuasse provocando.
- Ela não é minha namorada. – ele encostava o nariz no meu, e eu fechava os olhos, ansiando pelo toque dos nossos lábios.
- De qualquer jeito, isso seria errado... – eu já respirava ofegante e queria mais era que ele me beijasse de uma vez e acabasse com aquilo.
- O que seria errado? Eu não pretendo fazer nada errado... – ele aproximou nossas bocas, e quando eu fechei meus olhos esperando pelo beijo, senti seus lábios na minha bochecha.
Sorri, um pouco decepcionada, e ele me abraçou. Ficamos ali, sentados no chão, olhando a lua e abraçados.
- O James vai dar uma festa amanhã. Você vem? – ele perguntou.
- Não sei, talvez. – eu brincava com um cordãozinho amarrado em seu pulso.
- Eu queria que você viesse. – Dougie deu um beijo em minha testa e me apertou mais contra seu corpo.
• Cap. 11 – Lights and sounds.
Música alta. Luzes fortes. Pessoas bebendo, rindo e falando alto. Me senti completamente extasiada ao entrar na casa do James com a Rach e ver Matt Willis passando por mim com um sorriso simpático. Aquilo era demais.
Cumprimentei o James, o e o que estavam conversando perto da porta e fui em direção ao sofá, onde o estava sentado com uma garrafa de cerveja na mão.
- Hey !
- Oi, ! – dei um beijo no rosto dele e me sentei ao seu lado.
- Toma. – ele me ofereceu a garrafa de cerveja dele, e eu bebi um pequeno gole. Queria estar sóbria pra lembrar de tudo no outro dia.
- ! – veio correndo na minha direção e se sentou entre eu e o .
- Oi !
Ficamos conversando ali no sofá por alguns minutos, até que eu vi Dougie entrar na sala. Malditas borboletas infernais!
- Hey, caras! – parecia animado e elétrico, e o cabelo ainda molhado dele dava a impressão de que ele tinha saído do banho naquele momento e me fazia ter pensamentos impuros.
- Oi, ! – ele abriu um sorriso largo, e me fez por alguns segundos esquecer do fato de que ele era um idiota. Eu apenas sorri de volta.
Ele caminhou até a cozinha e voltou de lá com uma lata de cerveja na mão.
- Cadê a tua namorada, ? – parecia ter lido meus pensamentos e perguntou à ele.
- Ela não é minha namorada, eu já disse isso... – falou calmamente. – De qualquer jeito, ela não é mais nada minha. A gente terminou o que nem tinha começado. – Senti meu coração bater aceleradamente quando vi os olhos dele fixos em mim após terminar a frase.
- , vem dançar! – Rach me puxou do sofá e me arrastou pro meio da pista de dança improvisada na sala.
Eu dançava ao som de 'Gimme More' e notava os olhares nem um pouco discretos do sobre o meu corpo, que se mexia no ritmo da música.
Eu não queria parar, e não me sentia incomodada com os olhares dele. Eu queria mais é que ele se sentisse culpado por ter me feito de idiota.
O som alto da música e as luzes que piscavam e ofuscavam meus olhos estavam começando a me deixar tonta. Eu sentia minha cabeça girar e sentia que se ficasse ali por mais um minuto, eu iria passar mal. Caminhei em direção ao banheiro, me sentindo mais tonta a cada segundo que passava.
Quando eu abri a porta do banheiro pra sair de lá de dentro, senti alguém me puxando pelo braço e me encostando na parede.
- Me diz que você fica comigo... – se aproximava de mim, me empurrando cada vez mais com seu corpo contra a parede.
- Sai, , você tá bêbado! – eu tentava sair daquela posição, embora eu soubesse que na verdade queria ficar.
- Não, , eu não tô bêbado, eu quero você! – ele aproximou seus lábios dos meus e por alguns segundos eu pensei em ceder. Apenas por alguns segundos, porque eu lembrei da cena dele entrando pela porta de mãos dadas com Vicky.
- Sai, , eu tô falando sério! – empurrei-o e senti ele segurar meu braço novamente.
- Me diz que você não quer. – ele parecia querer me desafiar, com aquele olhar de ‘você sabe que eu sou gostoso’.
- Eu não quero, satisfeito? – foi difícil dizer não pro . Foi realmente muito, muito difícil.
- Por que não? – ele continuava com aquele olhar.
- Porque doeu quando eu te vi com outra, sendo que você tinha dito que queria me ver de novo.
Ele ficou quieto por algum tempo, encarando meus olhos. Ele não tinha palavras pra me responder.
Puxei meu braço da mão dele e desci as escadas, ficando novamente quase cega pela quantidade de luzes que piscavam ali.
Algumas cervejas (poucas), algumas risadas, alguns olhares do Matt (sim, olhares do Matt Willis) e algumas danças depois, eu fiquei cansada e fui até a cozinha buscar mais bebida.
Eu senti como se meu coração tivesse parado quando entrei lá. Eu podia ouvir o barulho dele cada vez mais fraco.
Dougie estava ali, prensando alguém contra o armário da cozinha, beijando-a como se fossem dois apaixonados.
Respirei fundo e caminhei até a geladeira, pegando a lata de cerveja e batendo a porta da mesma com força, fazendo com que e aquelazinha separassem o beijo.
- Oi, ! – ele sorriu cínico pra mim, visivelmente bêbado.
Passei reto pelos dois, sem responder .
Aquilo tinha doído mais do que deveria, e eu me senti mais sozinha e carente do que nunca. Tanta gente naquela festa, e eu me sentindo sozinha. Patética.,br>
Sentei num sofá um pouco afastado de todo aquele som e daquelas luzes e fiquei ali, observando as pessoas que passavam.
Fechei os olhos por alguns minutos, tentando conter as lágrimas que queriam cair deles. Quando os abri novamente, Matt Willis estava parado, de pé, com um sorriso no rosto, me olhando.
Meia hora depois nós dois estávamos naquele mesmo sofá, nos beijando como se fôssemos íntimos. Eu não lembro como e nem porquê eu fiquei com ele, além das razões óbvias. Ele lindo + eu carente + o nosso álcool.
Ele mordia meus lábios com força e eu esquecia totalmente da criatura . Quanto mais as mãos de Matt apertavam a minha nuca e cintura, mais eu queria que ele continuasse.
- O que você tá fazendo, cara? – Separamos o beijo pra olhar pra um aparentemente irritado, que falava com uma cara incrédula, parado na nossa frente.
- Eu? – ele passou as mãos pelo cabelo, (des)arrumando-o. – Tô beijando ela, e você? – Matt deu um selinho estalado na minha boca, seguido de um sorriso debochado. Eu me sentia envergonhada e feliz por ter dado o troco em , apesar de que os arrepios que eu sentia beijando Matt não chegavam nem na metade dos que eu sentia em simplesmente olhar nos olhos do .
- Eu?... Eu tô decepcionado. – ele olhou nos meus olhos ao terminar a frase e eu senti como se tivessem me dado uma facada ou algo parecido. Mas quem era ele pra falar em decepção? O que ele acha que eu senti ao vê-lo de mãos dadas com aquela biscate? Enfim, isso não vem ao caso.
Mais ou menos uma hora depois daquilo, Matt foi embora e eu voltei pra sala, onde , e estavam sentados no sofá. Sentei ao lado deles e peguei a lata de cerveja que estava na mão de , dando um longo gole em seguida.
- Sua bêbada! – protestou, tirando a lata da minha mão.
- Cara, por falar em bêbado, eu acho melhor alguém dar uma olhada no . – falou com uma cara preocupada. Meu coração bateu mais forte só de ouvir o nome dele. Coração idiota.
- Deixa ele, cara. Ele tá bem melhor que a gente mesmo! – Tom apontou pra um canto escuro da sala, onde se enxergava de costas e duas mãos em suas costas, por baixo da camiseta. Não olhei por muito tempo, apenas tempo o suficiente pra constatar que aquela garota que estava com ele não era a mesma que ele estava a horas atrás, na cozinha.
• Cap. 12 – I’d eat you alive.
- Acho bom alguém ir lá ver o , acho que ele tá passando mal! – James falava enquanto descia as escadas calmamente.
Nenhum dos meninos se mexeu. E eu ali, preocupada.
- Eu vou lá ver ele. - me levantei e subi as escadas, enfiando minha cabeça dentro de cada uma das portas entreabertas, tentando adivinhar em qual dos quartos estaria.
Ouvi barulhos vindos de um quarto e entrei, vendo a porta do banheiro aberta e sentado no chão, em frente à privada.
- Hey, você tá bem? – perguntei, me abaixando ao lado dele.
- Não, é óbvio! – ele quis ser grosso, mas não estava em condições de fazê-lo.
- Quer vomitar? – eu afastava o cabelo úmido de suor dele que caía na testa, enquanto o via fechar os olhos com meu toque.
- Não... eu acho... – ele olhou nos meus olhos e os fechou novamente, encostando a cabeça na parede e soltando um gemido de dor.
- Vem, levanta. – fiquei de pé e estendi a mão pra ele.
- Eu acho que já vi essa cena antes! – ele sorriu pra mim pela primeira vez naquela noite.
ficou de pé na minha frente e eu segurei na barra da camiseta dele, puxando-a pra cima em seguida.
- Hey, hey! Eu não sou um cara fácil! – ele ria e não fazia nenhum movimento pra me parar.
- Eu gosto de caras difíceis... – dei um sorriso malicioso e abri o cinto da calça que ele usava.
Ele sorria, provavelmente achando que iria acontecer alguma coisa a mais.
Pobre criança iludida.
Quando encontrava-se apenas de boxer, eu empurrei-o até o box do chuveiro, ligando a água fria em seguida. Ele soltou um gemido desconfortável e se encolheu debaixo d’água, mas não ofereceu resistência nenhuma.
- Você mente, você é má. – eu me encontrava parada na porta do box, observando o corpo molhado de sem nenhuma segunda intenção, por mais impossível que isso parecesse. Naquele momento eu só queria deixá-lo mais sóbrio.
- Eu minto? Não, , você nem sabe do que tá falando. – ele fechou a água e eu alcancei uma toalha branca e felpuda pra ele.
- Sim, você é má e mentirosa! Veio aqui e tirou minha roupa da maneira mais sexy que podia ter feito e depois me atirou aqui embaixo dessa água fria!
Eu gargalhei alto enquanto observava ele parado no box, segurando a toalha.
- Você é uma criança, . – peguei a toalha das mãos dele e sequei seus cabelos, notando o olhar dele fixo em minha boca.
Por mais tentadora que a cena pudesse parecer, a única sensação que despertou em mim foi a de querer cuidar dele.
saiu do banheiro na minha frente, e eu fiquei lá dentro me olhando no espelho e vendo as marcas que Matt tinha deixado no meu pescoço.
Quando voltei para o quarto, estava deitado sobre a cama ainda com a boxer molhada e olhando para o teto.
- , sai de cima da cama com essa roupa molhada!
- Pra quê eu preciso da minha mãe se você tá aqui! – ele riu e não mexeu um músculo.
- Anda, , você vai molhar a cama toda assim! – segurei no braço dele e tentei o puxar de cima da cama, inutilmente, pois com um simples puxão, eu caí sobre a cama junto com ele, com meu rosto a centímetros do dele.
- Minha boxer tá te incomodando? – ele continuava segurando meu braço e falava baixo, me provocando. – Porque se estiver, eu posso tirar ou ainda melhor... Você pode tirar ela pra mim... – ele sorriu de lado e aproximou mais nossos rostos.
- , você... – aproximei minha boca da orelha dele, sussurando e falando num tom de voz completamente sexy. – É um bêbado! – levantei da cama, rindo da expressão decepcionada dele.
- Onde você vai? – ele perguntou levantando a cabeça do travesseiro.
- Descer, oras! Eu já fiz o que podia por você.
- Como assim descer? Eu não tô bem, ! – fazia manha e uma carinha triste digna de Oscar.
- E o que você quer que eu faça, garoto?
- Fica aqui comigo.
- Não.
- Fica aqui comigo.
- Não, eu disse!
- Por que não?
- Porque as tuas duas namoradinhas lá da festa não iam gostar de saber que eu tô aqui com você. – respondi simplesmente.
- Que namoradinhas? – ele riu.
- As que você tava ficando lá embaixo, .
- Quê? Lá embaixo? Ficando? – ele se fazia de desentendido, rindo.
- É, , tchau, boa noite! – caminhei em direção à porta pra sair do quarto, mas levantou da cama e me pegou no colo, me atirando na cama e deitando ao meu lado em seguida.
Quando eu fiz menção de levantar o corpo pra sair da cama, deitou sua cabeça sobre meu peito e pôs a mão na minha cintura.
Eu sentia seus cabelos ainda úmidos molharem minha blusa e não estava nem aí. Eu sabia que ele era um canalha, mas eu não ligava. Eu só queria ficar daquele jeito pra sempre.
Uma das minhas mãos estava nas costas frias e ainda molhadas dele, enquanto com a outra eu brincava com seus cabelos. Ele parecia estar gostando de estar ali, como se fosse uma criança com medo.
À medida que o tempo passava, meus olhos pesavam e eu sentia meu corpo amolecendo. Eu não queria dormir, eu queria observar a noite toda, mas meu corpo cansado não correspondia às minhas vontades.
Empurrei , que estava dormindo, levemente para o lado, de modo que eu deitasse de costas pra ele. Puxei o edredom sobre nós dois e fechei os olhos, sentindo meu corpo pesar.
- Tô com frio. – ouvi falar e passar um braço pela minha cintura, aproximando nossos corpos e me fazendo sentir as borboletas idiotas no meu estômago.
- Cala a boca, , eu tô com sono. – resmunguei, me ajeitando na cama.
- .. – ele sussurrou em meu ouvido. – Você é linda.
- Você ouviu quando eu disse que queria dormir? – eu estava com um sorriso gigante nos lábios, mas não o via por estar atrás de mim.
- Eu te comeria viva, sabia? – ele falou e eu pude sentir sua respiração quente no meu pescoço. As borboletas que habitavam meu estômago se transformaram em hipopótamos, e eu só conseguia pensar em como eu queria me sentir daquele jeito sempre.
- E isso é bom ou ruim?
- Não sei. – ele puxou meu corpo ainda mais pra perto do dele, como se quisesse nos fundir.
- Boa noite, .
- Boa noite, .
Adormeci sentindo a respiração de batendo no meu pescoço e suas mãos acariciando de leve a minha cintura.
• Cap. 13 – More than words
Acordei e não estava mais na cama. Olhei ao redor, tentando abrir meus olhos por completo, o que foi praticamente impossível, pois a claridade que entrava pelas janelas queria me cegar.
Fui até o banheiro, dei uma arrumada no cabelo, escovei os dentes e desci pra cozinha, na esperança de achar alguém por lá pra me levar pra casa. Eu precisava de um banho e mais cama. A minha cama.
Enquanto descia as escadas, ouvia vozes vindas da cozinha e risadas.
- Bom dia, pessoas. – falei baixo, entrando na cozinha e vendo James, Rachel, e sentados em volta da mesa, comendo.
- Pensei que você não ia acordar hoje! – Rachel falou em um tom divertido.
- Eu até fui lá no quarto pra ver se você ainda tava respirando! – e falou com um sorriso no rosto.
- Hey, eu nem dormi tanto assim! – respondi, sentando-me ao lado de , que me deu um beijo no rosto e sussurrou um ‘bom dia’.
- , são duas da tarde! – James falou com um sorriso encantador no rosto e sentou-se ao meu lado pra comer.
- Rach, você vai pra casa? – perguntei.
- Acho que não... tá chovendo e eu quero ficar aqui com o meu bebê!
- Mas eu quero ir pra caaasa, Rach! – fiz manha.
- O te leva! – fiz uma cara desesperada pra Rach, que riu. – Não leva, ? – ela perguntou com um sorriso de lado.
- Uhum. – murmurou enquanto tomava um gole de suco.
Suspirei e olhei pra Rach, que sorria vitoriosa.
- Vamos, ? – levantou da mesa e me chamou.
- Já?
- Sim, olha isso! – ele apontou pra Rach e James, que já estavam aos beijos ali mesmo, na cozinha.
- Eww, vamos! – peguei minha bolsa e andei em direção a porta. – Tchau, seus pervertidos!
Caminhamos em direção ao carro de que estava estacionado perto dali, e ele abriu a porta pra mim, entrando em seguida.
- Não sabia que você era um cavalheiro. – brinquei.
- Tem muitas coisas que você ainda não sabe sobre mim. – ele me olhou com aquele olhar bem conhecido por mim. É, o olhar de ‘você sabe que eu sou gostoso’. Mordi o lábio e olhei pra frente novamente.
- Você se importa se eu passar em casa antes? – ele me perguntou após alguns minutos de silêncio no carro.
- Hmm... – eu sabia que eu ia acabar fazendo besteira se ficasse sozinha com ele. – Não, não me importo. – sorri largamente e tentei afastar os pensamentos da minha cabeça. Ele retribuiu meu sorriso.
Eu prestava atenção nos pingos de chuva que batiam contra o vidro, e ele prestava atenção na estrada e batia com os dedos no volante.
- Chegamos! – ele disse animado, estacionando em frente à um grande prédio.
Ele desceu do carro e colocou o capuz do moletom que vestia. Eu fiquei sentada dentro do carro, observando-o.
- Você não vem? – ele me perguntou, já de fora do carro.
- Tá chovendo! – respondi fazendo manha.
- São só uns pinguinhos, !
Suspirei e desci do carro, na chuva. Ele me puxou pela mão até o elevador.
Eu arrumava meus cabelos em frente ao espelho do elevador e ele estava escorado na parede, observando... bem... minha bunda.
- . – chamei. Ele nem mexeu os olhos. – . – de novo. – ! – falei mais alto e virei de frente pra ele.
- Eu? O quê? Que foi? – ele balançou a cabeça, me olhou com as bochechas rosadas e eu sorri com a timidez dele.
- Seu andar. – sorri amigavelmente pra ele, que resmungou um ‘ah’ e saiu do elevador.
Ele abriu a porta e eu fiquei boquiaberta com o tamanho e a decoração do apartamento dele. Pra um cara sozinho, aquilo era um castelo. É, parece que o McFly fazia mais sucesso do que eu imaginava.
sentou-se no sofá e ligou a tv oitocentasmil polegadas que havia ali. Eu continuava parada, de pé, próxima à porta.
- Quer sentar? – ele me olhou e apontou pro sofá.
- Não. Vai demorar muito?
- Demorar o quê? – ele deu um sorriso um tanto quanto tarado.
- O que você veio fazer aqui, ué!
- Eu não vim fazer nada... – levantou do sofá e caminhava devagar em minha direção.
- Então me leva pra casa? – eu já sentia uma leve vontade de chorar.
- Humm... – ele fez uma expressão pensativa. – Não! – sorriso.
- , sério, eu... – fui interrompida por um selinho rápido dele na minha boca. Ele me encarou com o olhar de ‘você sabe que eu sou gostoso’ novamente.
- Você...? – ele provocava e chegava mais perto.
- Eu... eu... esqueci! – puxei-o pela nuca e mordi seus lábios fortemente antes de beijá-lo com uma certa urgência. Ele apenas sorriu contra minha boca e foi me empurrando, entre beijos, até o sofá, onde ele sentou e me puxou pro colo dele, sem parar de me beijar.
Eu puxava levemente os cabelos dele, enquanto ele passava as mãos por dentro da minha blusa e distribuía chupões no meu pescoço.
Eu tinha agido por impulso e não sabia como parar. Eu tinha agido por impulso e não queria parar.
Separei nossas bocas apenas pra respirar.
me olhou com um sorriso bobo e me deu um beijo estalado na boca.
- Linda. – ele me olhava nos olhos.
- Cala a boca, ! – respondi, passando as mãos pelo rosto dele. Tudo parecia bom demais pra ser verdade.
- Eu adoro o jeito delicado que você me trata, ! – ele falou irônico e sorriu. Eu encarei seus olhos que pareciam querer me puxar pra dentro deles.
Aproximei minha boca da orelha dele, arrancando um suspiro de .
- Por que você não cala a boquinha e volta a fazer o que tava fazendo, ? – sussurrei no ouvido dele e aproximei novamente nossas bocas, sentindo a respiração quente de batendo nos meus lábios.
Ele apenas sorriu e acabou com qualquer distância existente entre nós dois.
levantou do sofá, me segurando no colo e caminhou até um corredor que dava para o banheiro. Ele me pressionou contra a parede, segurando-me pelas pernas e ficando entra elas, me beijando cada vez com mais intensidade. Nem eu e nem ele queríamos interromper aquele momento. Ele me colocou no chão novamente e foi me empurrando pelas escadas, parando a cada degrau pra nos beijarmos novamente. Eu não tinha mais controle sobre nada do que eu fazia, e sentia que ele poderia fazer o que quisesse comigo naquela hora.
Ele pressionou o corpo contra o meu, e o meu contra uma porta, que se abriu revelando o que eu deduzi ser seu quarto. Grande, espaçoso e com uma cama enorme, que era onde eu mais queria estar naquele momento – com ele.
Ele puxava minha blusa pra cima e me fazia arrepiar ao sentir as mãos dele em minhas costas. Ele me deitou na cama e deitou-se entre as minhas pernas, distribuindo mordidas pelo meu pescoço e boca. Ele empurrava minha saia pra baixo ao mesmo tempo em que eu abria o cinto dele e tirava sua bermuda larga.
Eu não sabia se o que eu estava fazendo era certo ou errado, e eu realmente não queria parar pra pensar naquele momento. A única certeza que eu tinha era que meu corpo pedia pelo dele.
Eu entrelacei meus dedos em seus cabelos úmidos e passei a distribuir chupões no pescoço de , enquanto as mãos dele procuravam uma maneira fácil de abrir meu sutiã. O quarto estava quente, assim como nossas respirações e corpos.
Ele me beijava de uma maneira cada vez mais provocante, ele sabia do poder que exercia sobre mim. Nos raros momentos em que nós desgrudávamos nossos lábios, ele olhava fixamente em meus olhos, fazendo as borboletas-rinocerontes aparecerem mais uma vez em meu estômago.
As mãos dele percorriam todo o meu corpo quase nu, e eu estremeci ao sentir sua mão descer da minha cintura para a minha calcinha. Eu não consegui pensar num bom motivo pra pará-lo, porque eu simplesmente não queria que ele parasse.
Assim que tirou minha calcinha, eu empurrei a boxer dele com os pés e ele sorriu contra minha boca, em meio ao beijo. Ele olhou nos meus olhos como se pedisse permissão. Eu apenas fechei os meus e beijei de leve seu pescoço.
Entrelacei minhas pernas na cintura de e ouvi um gemido dele ao me penetrar. Nossas respirações estavam sincronizadas, assim como nossos movimentos, que começaram com leves impulsos e gemidos abafados pela timidez, e aos poucos foram se tornando mais fortes e rápidos, me fazendo puxar seus cabelos e arranhar levemente sua nuca.
Alguns minutos depois, deixou o peso do corpo dele cair sobre o meu, ambos exaustos, descansando sua cabeça em meu peito, ainda segurando as minhas coxas, que forçavam meu corpo contra o dele.
Ele rolou para o lado e ficou encarando o teto. Eu estava ao seu lado e puxei o lençol sobre o meu corpo nu, ainda tímida.
O silêncio me incomodava e eu não tinha certeza sobre eu ter feito a coisa certa ou não.
me puxou delicadamente pela nuca e me fez deitar em seu peito. Eu fiquei em silêncio. Eu estava nervosa. Ansiosa. Havia uma sensação ruim dentro de mim, apesar daquilo ter sido incrivelmente bom.
- Palavras não seriam o bastante pra que eu pudesse te dizer o que eu tô sentindo agora. – falou, quebrando o silêncio.
- E o que você quer dizer com isso? – perguntei, sentindo ele acariciar meus cabelos.
- Eu tô querendo dizer que eu não quero mais te ver com o Matt. – ele se afastou um pouco de mim, de modo que nossos olhares se encontrassem.
- O Matt até bêbado tava, . É bem provável que a gente nunca mais se veja. – eu falei séria, ainda desconfortável com a situação.
- Não, , você não entendeu!
- Então me explica! – eu forcei um sorriso.
- Eu não quero te ver com o Matt, porque eu não quero te ver com mais ninguém. – ele falou simples e as borboletas-rinocerontes fizeram a festa.
- , eu não tô entend... – ele não deixou eu terminar a frase e me calou com um beijo. Um beijo diferente de todos que ele tinha me dado até aquele momento.
- Eu quero você pra mim, . – ele olhou em meus olhos e eu entrei em uma outra dimensão, onde só existia dizendo aquilo.
• Cap. 14 – Why don’t you come and go with me?
Um mês e meio se passou desde aquele dia na casa do , e nós não nos desgrudávamos. Ele me carregava pra todo e qualquer lugar que fosse, e eu adorava estar com ele o tempo todo.
Eu estava na casa do James, sentada entre as pernas de , no sofá, enquanto ele batia os dedos da mão na minha coxa e distribuía beijos pelo meu pescoço. Ele não parecia se importar com o fato do James e da Rach estarem ali junto com a gente.
- , a gente precisa conversar! – Rach me falou com um sorriso no rosto.
- Diiiga, meu xuxu! – brinquei com ela, colocando meu pescoço pro lado, tentando fazer parar de me morder. – Pára, , seu canibal! – falei rindo.
- Ahn, sabe... eu vou sair de casa. – Rach deu um sorriso tímido.
- Sair de casa, Rach? Como assim? – me desvencilhei dos braços de e aumentei um pouco o tom de voz.
- É, , eu vou vir morar aqui com o bebê. – ela olhou pra James, que deu o sorriso mais besta apaixonado que eu já vi na vida.
- Mas Rach... eu não tenho como pagar o aluguel do apartamento sozinha!
- Ah, ... desculpa, mas eu não posso fazer mais nada.
- Tudo bem, Rach... eu dou um jeito. – levantei do colo de e fui em direção à varanda. Sentei no chão frio e encostei minhas costas na parede.
Mentira que eu ia dar um jeito. Mentira que não tinha problema. Eu estava em Londres, e estava sem-teto. Sozinha eu não conseguiria pagar o aluguel do apartamento. Encostei minha cabeça em meus joelhos e fiquei tentando pensar em alguma coisa que pudesse me ajudar naquela hora.
Ouvi passos se aproximando, mas não levantei a cabeça. Eu sabia exatamente quem era.
deu um beijo em minha cabeça e sentou-se ao meu lado. - Vai ficar tudo bem, . – ele falou suavemente. - Não, ! Não vai ficar tudo bem, você não vê? – aumentei meu tom de voz, com os olhos marejados. – Cala a boca, você não tá sem casa!
Não consegui segurar minhas lágrimas e chorei, ali, na frente dele, pela primeira vez.
Ele apenas me abraçou e deixou eu chorar em seu ombro. Incrível como ele sabia o que eu precisava.
- Dorme comigo hoje, ? – pedi com a voz chorosa.
- Claro que sim, . – ele deu um beijo em minha testa e me abraçou novamente.
Eu estava sentada no sofá da sala do ainda meu apartamento, com deitado no meu colo, com a cabeça sobre minhas pernas.
- Agora que você tá mais calma, eu posso te fazer uma proposta? – ele me olhou com aquela carinha de cachorro sem dono.
- Você sabe que eu não recuso nada quando você faz essa cara! – sorri.
- Por que você não vai morar comigo? – ele falou simples, e eu quase engasguei com o chocolate que estava comendo.
- Enlouqueceu, é? – eu ri e ele levantou do meu colo, me encarando.
- Por quê?
- , a gente se conhece há pouco tempo, como você quer que eu vá morar junto com você? – eu não acreditava naquilo. Meu McFly preferido desde sempre me pedindo pra morar junto com ele, era demais, gosh!
- E daí? Nós passamos a maior parte do nosso tempo juntos! – ele falou com um sorriso no rosto.
- Não, , eu acho melhor não. Eu não quero te atrapalhar.
- E desde quando você me atrapalha, ? – ele fez uma cara tão fofa que eu tive vontade de mordê-lo.
- Shh, , não quero falar disso, ok?
- Tudo bem, eu não vou desistir enquanto você não estiver dormindo na minha cama todos os dias, mesmo! – ele deu um sorriso infantilmente lindo e eu não resisti dessa vez, mordi a bochecha dele, e logo estávamos nos pegando ali no sofá.
- Eu não acredito que você conseguiu me arrastar pra cá, ! – eu falava rindo, enquanto trazia minhas malas pra dentro do apartamento dele.
- E nem foi tão difícil, sabe? – ele largou as malas no chão e chegou perto de mim. – Foi só te abraçar assim... – ele passou os braços pela minha cintura e aproximou nossos corpos. – Te beijar assim... – ele me deu um beijo na boca. – E fazer minha melhor cara de McFly gostoso que você aceitou na hora!
- Uhn, bobo! – eu dei um selinho nele e saí do abraço. – Eu já falei que só fico aqui até achar um lugar melhor, e isso vai ser logo, ok? – respondi.
- Não existe lugar melhor do que a casa de um McFly, ! – ele sorriu convencido.
- Claro que existe... a casa do Ashton Kutcher deve ser... – fiz uma cara pervertida – Uhh!
Ele fechou a cara e sentou no sofá, aparentemente bravo.
- Own, alguém aqui ficou com ciuminho, é? – sentei no colo dele e tentei beijá-lo, mas ele virou o rosto pro lado. – Você sabe que eu não trocaria você pelo Ashton Kutcher, não sabe? – falei baixo, em seu ouvido.
- Sei, eu sou muito mais gostoso que ele! – ele sorriu e me deitou no sofá, deitando-se por cima de mim.
- Concordo plenamente! – sorri e o puxei pela nuca, beijando-o em seguida.
Entre um beijo e outro, parava por alguns segundos e ficava me olhando. Eu já estava me irritando com aquilo.
- Quê isso, ? – perguntei, com a respiração meio falha por causa dos beijos.
- Isso o quê? – ele me respondeu com outra pergunta.
- Por que você tá toda hora parando pra me olhar?
- Eu quero ter filhos com você. – ele sorriu e eu pensei que ele estivesse bêbado.
- , você andou bebendo, sweetie? – eu tirava os cabelos dele que caíam na testa.
- Não! Você não quer ter filhos comigo? – carinha fofa de indignado.
- Não! Quer dizer, não sei! Você tá indo tão rápido com tudo, tá me assustando, garoto! – eu sorria abobalhadamente olhando pro rosto dele a centímetros do meu.
- Ok, a gente não precisa ter filhos agora. Mas a gente pode começar a treinar pra fazê-los, não acha? – ele sorriu pervertidamente e eu apenas ri.
Nem tive tempo de responder algo, no minuto seguinte ele já estava acabando com o ar dos meus pulmões com beijos longos e arrepiantes.
• Cap. 15 – To see you when I wake up is a gift I didn’t think could be real.
Puxei-o para ainda mais perto de mim, beijando-o e levantei a camiseta delicadamente, passando as mãos pelas suas costas. Ele fez o mesmo com a minha blusa, segurando com força em minha cintura. Separei nossas bocas apenas pra retirar rapidamente sua camiseta. Passei minha mão pelo peito recém descoberto dele, sentindo-o contrair o abdômen com o meu toque. Eu adorava saber que ele continuava se arrepiando quando eu o tocava. Parei minha mão no cós da calça dele e voltou a me beijar com ainda mais vontade, puxando minhas coxas com força, fazendo com que eu entrelaçasse minhas pernas em volta da cintura dele. Ele desceu as mãos pelas minhas coxas, chegando também ao cós da minha calça.
Subi um pouco minhas mãos, arranhando de leve as costas dele, e desci novamente, apertando sua bunda. Ele separou nossas bocas e riu.
- Você sabe que era eu quem devia estar fazendo isso, não? – ele falou ofegante, sorrindo.
- Você é muito lento, . Se eu não faço, você também não faz. – provoquei, e ele riu novamente, escorregando cautelosamente as mãos para a minha bunda.
- Se você quer assim... – ele mordeu meus lábios, como se me chamasse pra mais.
Delicadamente ele tirou minha blusa, sem parar de acariciar meu corpo com as mãos. Empurrei-o pro lado, ficando por cima dele. Ele sorriu e segurou meus cabelos, puxando-me para outro beijo. Nunca foi tão calmo, tão sincero. Desci meus beijos para o pescoço dele, fazendo um rastro de beijos e mordidas leves pelo seu peito, até chegar em sua barriga, enquanto ele suspirava alto.
- Vem cá. – ele me puxou pelo cabelo delicadamente e voltou a me beijar. – Agora nós temos todo o tempo pra nós dois e não precisamos mais ter pressa. – sorriu e eu senti as borboletas comuns de quando eu estava com ele.
Eu sabia que nós tínhamos tempo. Mas eu não queria esperar mais nenhum segundo, e fiz com que ele entendesse isso. E ele pareceu entender, porque a única coisa que eu ouvi da boca dele entre os beijos foi um ‘cama’ sussurrado. E em menos de um minuto nós já estávamos no quarto dele, na cama dele, que ele insistia em chamar de ‘nossa cama’. Aquilo me dava um certo medo. Nossa ‘relação’ parecia estar evoluindo muito rápido, e aquilo realmente me assustava. Eu não queria me machucar, e sabia que mais cedo ou mais tarde, eu ia me dar mal.
A teoria dele de ‘nós não precisamos ter pressa’, se esvaiu no momento em que deitamos na cama. Parecíamos ter mais pressa do que nunca, não levou um minuto até estarmos nus e sentindo as respirações ofegantes um do outro, e em seguida, sentindo os nossos corpos exaustos se encostarem timidamente, como se nós não nos conhecêssemos mais. Eu gostava daquela sensação de novidade. De estar invadindo o território do , com a permissão dele. Mais que permissão, com o pedido dele.
Adormeci sentindo brincar com meus dedos, que estavam entrelaçados aos seus, enquanto cantava alguma música tão baixinho que eu não sei dizer qual era. Só sei que me fez sentir protegida e segura. E que me fez arrepiar e perceber que eu não estava só apaixonada por ele. Me fez perceber que eu o que eu sentia era mais que isso, o que eu sentia era amor.
Acordei tonta e sem saber direito onde estava. Aquela cama grande e confortável não se parecia nada com a cama com que eu estava acostumada a dormir. Só depois de uns minutos fui me tocar que eu não estava em casa, e que aquilo era permanente. Ouvi um resmungo de reclamação por eu ter me mexido no colchão e virei pra outro lado, encarando com os olhos fechados e cabelo bagunçado.
Mordi o lábio, tentando processar a informação de que o que eu tinha sonhado por tanto tempo tinha se tornado realidade. Não era a primeira vez que eu via acordar ao meu lado, mas daquela vez era mais especial do que todas as outras. Eu sentia ele mais meu do que nunca. Eu me sentia mais boba do que nunca. Eu sorria sozinha olhando ele ali, deitado, dormindo quietinho feito uma criança. Era um presente poder vê-lo daquele jeito, do jeito que muitas dariam um dos rins pra vê-lo. E eu via praticamente todos os dias, e dali pra frente todos os dias.
Estava sorrindo abobalhadamente quando o vi abrir os olhos lentamente, piscando algumas vezes pra se acostumar com a claridade.
- Você fica sempre me olhando assim? – ele passou a mão pelo meu rosto e ficou me encarando.
- Sempre. – respondi rindo e ficando estranhamente tímida. Parecia que agora que eu tinha descoberto que eu o amava mesmo, eu não conseguia agir naturalmente. Era como se tudo que eu dissesse, fosse estampar um ‘hey, eu te amo’ na minha testa. E aquilo era tudo que eu não queria. Não queria deixar ter certeza que eu amava ele, sem saber se eu era correspondida.
- Dormiu bem? – ele sorriu e me puxou pela cintura pra mais perto dele.
- Dormi sim, e você?
- Também. Você se mexe demais, mas nada que eu não esteja acostumado!
- Na próxima vez eu durmo no chão, seu chatinho! – apertei a bochecha dele, que riu e encostou os lábios contra os meus, murmurando um ‘nem pensar’ quase inaudível.
- Sonhou comigo, né? Essa felicidade que eu vejo nos seus olhos diz que você sonhou com ! – ele sorriu convencido e eu apenas o encarei séria.
- Na verdade, sonhei com o me fazendo um strip. E porra, o é muito gostoso! – gargalhei alto ao vê-lo fazer aquela carinha fofa de indignação e ciúme.
- Eu sei que você não me trocaria, . Eu sou seu McFly preferido!
- É, , vai nessa, convencidinho! – fui levantar da cama, mas apenas colocou o braço sobre o meu corpo, me impedindo de levantar.
- Sai , eu tenho que trabalhar! – eu queria muito ficar ali com ele, na verdade.
- Não tem não, você é fotógrafa, você quem faz os dias do seu trabalho. – ele se aconchegou em meu peito e me abraçou pela cintura. - E então eu digo que hoje é dia de trabalho!
- E eu digo que é dia de ficar na cama com seu McFly preferido! – sorriu convencido.
- Legal! Quando você vai ligar pro ? - fiz graça e ele ficou sério.
- Há-há-há, ! – ele virou-se pro lado e deitou de costas pra mim, fingindo estar bravo. Fingindo, porque eu conhecia ele e sabia que ele não estava bravo coisa nenhuma.
- Hmm, pára... – fiz manha, abraçando-o pelas costas. – Então eu declaro que hoje é dia de ficar com o , pode ser?
- Não, pode ir trabalhar, eu não me importo. – ele falava sério enquanto eu passava as pontas dos dedos em sua nuca e via os pêlos dali se arrepiarem. Eu amava ter esse efeito sobre ele.
- Agora eu vou ficar aqui com você, só de birra... – distribuí beijos pelas costas dele e ele virou-se de volta pra mim. Ficamos alguns bons minutos em silêncio, apenas nos encarando.
- É bom acordar com você aqui! – ele sorriu daquele jeito que só ele sorri, me fazendo sentir do jeito que só ele me faz sentir.
- E por quê? – provoquei. Queria muito ouvir a resposta dele.
- Bom... porque você beija minhas costas de manhã. E... e... só por isso, eu acho! – riu e eu dei um tapinha em seu braço. – É bom porque eu tenho quem eu quero aqui do meu lado, todos os dias.
Fiquei apenas encarando-o em silêncio. Eu estava boba demais pra responder alguma coisa.
Passamos a manhã inteira ali, deitados juntos, conversando e babando um no outro.
• Cap. 16 – I watch as you cry
Eu já estava morando com há exatos três meses. Eu tinha acostumado com os horários dele, ou melhor, com a falta de horários dele. Eu entendia que ele era ocupado com as coisas da banda e que eles estavam organizando a próxima turnê, mas ele nunca tinha se atrasava mais de uma hora quando a gente marcava algo. Nós tínhamos combinado de jantar juntos naquela noite, e eu estava pronta há três horas e meia, sentada no sofá, esperando que o chegasse ou pelo menos desse um sinal de vida. Mas nada.
Tirei meus sapatos e deitei no sofá, me sentindo angustiada por não ter tido notícias dele o dia inteiro.
Fechei os olhos pra descansar, quando ouvi o barulho de chave na porta.
atravessou a sala e foi direto pro quarto, sem nem ao menos me dar boa noite. Caminhei até a porta do quarto, descalça, e observei ele tirando as coisas do bolso da bermuda e largando no criado-mudo ao lado da cama.
- Você tá bem atrasado, . – falei, me escorando na porta do quarto e cruzando os braços, mas ainda mantendo um tom controlado de voz.
- Atrasado pra quê? – ele sentou na cama e me encarou.
- Nós combinamos de jantar, , esqueceu?
- Ah é... deixa pra amanhã. – ele deitou na cama e fechou os olhos, me ignorando.
- Qual é, ? Como deixa pra amanhã? – caminhei até a beirada da cama e fiquei de pé, ao lado dele, encarando-o.
- Deixando pra amanhã, que saco! Eu tô cansado! – ele aumentou o tom de voz e eu me irritei por ele estar sendo grosso.
- Caralho, ! Eu me arrumei toda e fiquei te esperando três horas aqui pra você chegar e dizer ‘deixa pra amanhã’? – eu mexia as mãos nervosamente, gesticulando enquanto falava alto com ele.
- Chega, ! Eu tô cansado e o que eu menos quero agora é você me enchendo com suas frescuras! – ele levantou da cama e saiu do quarto, empurrando a porta com força, causando um barulho pesado. - Frescura, ? Custava ter pego a merda do celular e ter me avisado que não queria mais sair? É muito difícil isso? – fui atrás dele, irritada e nervosa.
- , cala a boca! Eu nem lembrava que eu tinha marcado essa porra com você! Eu tenho mais o que fazer do que ficar sempre à sua disposição!
- ... – eu contei até três antes de continuar a falar, eu tinha certeza de que ia arremessar a primeira coisa que eu visse pela frente no rosto bonitinho dele. – Eu não sei por que você tá fazendo essa gritaria, eu só queria que você tivesse me avisado pra eu não ficar feito uma palhaça aqui te esperando! Eu não ia reclamar, você sabe que eu entendo os seus compromissos com a banda!
- Tá, , agora me deixa quieto aqui e pára com essas frescurinhas! – ele caminhava inquieto de um lado pro outro na sala, e eu estava nervosa com aquela nossa primeira briga séria. Nunca tinha chegado aquele ponto. Nós no máximo tínhamos discutido, e as nossas discussões sempre tinham terminado em amassos.
- Frescurinhas, ... queria ver se fosse com você. – resolvi parar de brigar e dei as costas pra ele, mas antes que eu pudesse sair da sala, continuou.
- E você não cala a boca mesmo! Eu tô pedindo pra você não falar mais nada e você continua de birra comigo! Que inferno isso, garota, você é mimada demais e tá sendo extremamente chata, você tá querendo mandar em mim? – virei pra encará-lo ao ouvir as palavras dele. Minha boca se entreabriu e fechou-se de novo, não tinha porque ele ter feito aquele discursinho ridículo.
- , se eu sou tão birrenta e chata, o que você ainda tá fazendo comigo? – perguntei, sentindo meus olhos marejarem lentamente.
Ele olhou no fundo dos meus olhos e pareceu pensar em uma resposta.
- Eu realmente não sei por que eu ainda tô com você... – ele respondeu me olhando fixamente e eu senti como se enfiassem facas no meu estômago. Senti minha boca se abrir novamente, mas nenhuma palavra saiu dali. Pela primeira vez naqueles três meses que eu estava morando com ele, eu não senti como se ele pudesse me proteger. Eu não senti ele meu, eu não vi aquele engraçado e carinhoso de sempre. Eu vi um que eu nunca tinha visto, que eu não conhecia ainda. Um bravo, estúpido e que me machucou. Muito.
Eu continuava parada no meio da sala, com a maquiagem e roupa em perfeito estado, até sentir a primeira lágrima rolar pelo meu olho. Baixei a cabeça e fui em direção ao quarto. Fechei a porta e deitei na cama, abracei um travesseiro e senti minhas lágrimas o deixando encharcado.
Todos os meus sentimentos se misturaram naquele momento, eu não podia saber o que se passava na cabeça de e aquilo me deixava assustada. Eu me sentia completamente rejeitada ali, chorando por causa dele, no quarto dele, deitada na cama dele. Sem poder sair, sem ter pra quem correr. A minha única saída era chorar.
Pude ver a porta do quarto se abrir e entrar, me observando chorar ali na cama. Completamente sozinha, assustada e rejeitada.
Eu soluçava alto, tentando abafar o som do meu choro com o travesseiro, o que era praticamente inútil.
deitou-se ao meu lado na cama e me abraçou, enquanto eu chorava. Eu não recusei seu abraço, mas também não correspondi. Eu continuei sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto e meu coração apertado, como se uma dorzinha irritante ali me fizesse continuar chorando.
passava as mãos pelos meus cabelos e estava em completo silêncio, apenas me confortando. Irônico. Eu me confortava nos braços de quem arrancava minhas lágrimas.
- Desculpa... – ouvi ele murmurar enquanto me dava um beijo na testa e me apertava mais contra seu corpo. Eu tremia e não sabia se era de frio ou de nervosismo. Talvez os dois. - Desculpa, ... – ele repetiu, e eu não respondi. Eu estava apenas aceitando um abraço dele, não era como se eu o tivesse perdoado pelas coisas que ele tinha dito.
Chorei mais. Chorei tanto que cansei. Cansei tanto que dormi, ali, nos braços dele.
• Cap. 17 – The reason
Abri meus olhos com mais dificuldade do que em todos os outros dias, pois eles estavam inchados do meu choro na noite anterior. Me mexi na cama e vi que não estava mais lá. Eu meio que já esperava por aquilo.
Levantei da cama e fui em direção ao banheiro, constatando meu estado deplorável ao me olhar no espelho. Meus olhos estavam inchados e vermelhos, minha maquiagem borrada e eu ainda estava com o vestido da noite anterior, completamente amassado.
Liguei o chuveiro frio e me enfiei embaixo dele até sentir meus dedos murcharem. Enquanto a água batia contra meu corpo, eu tentava pensar em alguma coisa pra resolver aquilo. Eu não queria mais ficar ali na casa do , brigada com ele. Eu não queria ter que encará-lo de noite, sabendo que ele nem ao menos sabia o porquê de ainda estar comigo. Cada vez que eu lembrava das palavras dele, eu sentia doer mais.
Saí do banho e coloquei a primeira roupa que vi pela frente. E a primeira roupa que eu vi pela frente era uma bermuda jeans curta e uma camiseta enorme – do – onde lia-se Hurley na frente, em letras brancas.
O cheiro dele na camiseta me entorpecia e eu sentia vontade de chorar mais, se meu estoque de lágrimas não tivesse praticamente esgotado. Eu terminava de pentear meus cabelos quando ouvi a campainha tocar. Caminhei me arrastando até a sala e abri a porta, me deparando com um buquê gigante de rosas vermelhas e um entregador com uma cara feliz, bem diferente da minha. O realmente estava bem enganado se achava que flores iam amenizar a situação. O cara feliz me entregou o buquê de flores juntamente com um cartão, que na capa estampava um ursinho branco com um curativo perto do coração.
Filho de uma puta, ele sabia como mexer comigo.
Dei uma gorjeta pro entregador, fechei a porta, atirei as flores sobre a mesinha de centro da sala e sentei no sofá com o cartão na mão.
É, eu atirei as flores mesmo. Eu tinha todo o direito de estar puta com ele.
Abri o cartão e reconheci a letra dele ali. Respirei fundo antes de começar a ler. Tanto podia ser um pedido de desculpas quanto um ‘oi, cai fora da minha vida.’
“,
Eu faço e falo tanta coisa da boca pra fora e não penso que eu posso estar machucando as pessoas que eu mais admiro. Como você.
Eu sei que você tá puta comigo, e sei que é bem provável que você não me desculpe pelas coisas que eu falei, mesmo eu não sentindo elas realmente.
Eu poderia te dar um milhão de motivos pra eu estar com você. Eu poderia ficar um dia inteiro listando suas qualidades e os defeitos que eu tanto gosto. E eu espero que você me desculpe, eu não quis falar aquelas coisas pra te machucar, eu só estava mal e descontei em você... Me perdoa e... diz que fica comigo?
”
Minhas lágrimas persistiam em querer sair dos meus olhos, mas eu não permiti. Tudo bem, ele tinha se desculpado. Mas não diminuía o impacto das palavras dele em mim.
Não tive nem tempo de reler o cartão, já que a campainha tocou novamente, e eu mais uma vez me deparei com o cara feliz de uniforme azul com um buquê maior ainda, só que dessa vez, de lírios. Lindos. Ao invés de um cartão, dessa vez tinha uma foto. Uma foto minha, sorrindo, e eu não fazia idéia de onde ela tinha saído. Olhei a foto por alguns segundos e li o que estava escrito no verso.
“Aposto como você nem sabia da existência dessa foto, não é mesmo? Pois é, eu carrego ela junto com as minhas coisas. Sabe, essa foto representa um dos milhões de motivos de eu estar com você. Uma hora você sorri como se fosse uma criança envergonhada, e na outra ri como se quisesse arrancar minha roupa, e eu acho um melhor que o outro e não teria como escolher entre um deles...”
Idiota. Não era com aquelas coisinhas bonitinhas que ele ia conseguir as minhas desculpas. Mas confesso que ele já me fez sentir um pouco melhor com aquilo. Saber que ele carregava uma foto minha junto com as coisas dele me fazia sentir um pouco mais confortável.
Dez minutos depois, outra vez a campainha, outra vez o cara feliz, outra vez flores. Gérberas cor-de-laranja. Outro bilhete. Escrito ‘Minha Menina’ bem grande, assim, em português. Sorri boba lendo aquilo. Ele sempre insistia em aprender português.
“Com você eu me tornei mais calmo, aprendi algumas coisas em português e aprendi a substituir palavras por olhares.” – estava escrito embaixo das palavras em português. Ele realmente estava me surpreendendo e fazendo amolecer novamente o meu coração.
Quinze minutos, mais um buquê de flores, mais uma foto. Uma foto de um beijo nosso. Tirada provavelmente do celular dele, pois nós estávamos na cama dele, de manhã, com as caras amassadas e felizes.
“Porque é apenas o seu beijo que me deixa mais chapado do que qualquer vodca, martini, cerveja ou qualquer substância que pudesse me deixar tonto...”
Nesse momento eu já tinha certeza que o tinha desculpado. Mas eu não ia admitir isso assim tão facilmente pra mim mesma. Não, não.
E como eu já esperava, mais flores. Jasmins, que perfumaram a casa inteira. E ao invés de um cartão, tinha uma foto recortada de alguma revista, com a letra de embaixo.
“Porque você faz questão de me beijar e ficar comigo mesmo quando eu tô suado e nojento depois do show”
A foto da revista era de algum paparazzi. Eu estava abraçada nele, e ele sem camisa e suado depois do show. Lembrei do quanto eu tinha ficado confusa sobre os sentimentos de por mim quando aquela foto foi publicada. Ele não comentou nada com a imprensa, e quando perguntavam pra ele sobre mim, simplesmente mudava de assunto sem dar nenhuma explicação.
Mais meia hora, a campainha tocou de novo. Juro que se eu não estivesse adorando aquilo eu batia no maldito entregador feliz. Mas não eram flores. Eram bombons. Em uma caixa vermelha com um laço, que continha uma outra caixinha menor dentro. Abri a caixinha, e tinha um iPod ali dentro. O iPod do , com apenas um arquivo salvo, e um pequeno cartão.
"Porque eu podia ficar falando com você o dia inteiro. Eu amo a sua voz. Ela é irritante, mas quando eu não ouço, eu sinto falta."
Dei play no único arquivo de áudio salvo no iPod dele e sorri ao ouvir o que era: uma ‘mensagem’ que eu tinha gravado pra ele uns dias atrás, quando estávamos meio bêbados voltando de um pub.
"Oi, ! Bom, você tá aqui na minha frente agora segurando esse iPod perto da minha boca e se você não percebeu, ele tá muito perto da minha boca! É pra comer ou pra falar? E aliás, iPods gravam áudio? (risadas)
Enfim, eu tô gravando isso pra você não esquecer de mim quando estiver longe. Oh como eu sou gay! E pra te lembrar que você tem que escovar os dentes antes de dormir, não colocar as toalhas molhadas na cama e que se eu sonhar em ver você com outra garota, você perde o seu bem mais precioso! Eu gosto de você, idiotinha! (...) Tá, , chega! (...) Pára, ! (...) Desliga isso!”
Cara, minha voz era realmente irritante. Como ele agüentava? Ele ainda tinha aquilo gravado? Ele era um fofo.
A campainha tocou mais uma vez, e o mesmo cara feliz estava ali, com mais uma caixa enorme de bombom nas mãos, e um outro buquê gigante de rosas vermelhas.
Dei um sorriso amarelo pro entregador e fechei a porta. Coloquei as flores e os bombons no mesmo lugar que eu havia colocado os outros, e peguei apenas um outro cartão grande que estava entre as flores. Me sentei no sofá e o abri.
“Eu tô com você por você ser exatamente assim. Ser a garota que briga, morde, irrita. Mas que elogia, faz carinho e agrada. Porque você às vezes consegue ser trinta vezes mais pervertida do que eu e bem... eu adoro isso! Porque eu amo acordar com você me dando beijos nas costas, e porque você é minha companheira pra qualquer coisa. Obrigada por me acolher, proteger, cuidar de mim, por ser tão linda, por me fazer sorrir, por estar na minha vida...
.”
Aí eu não consegui não chorar. Meu estoque de lágrimas se refez e eu acabei com ele de novo. Eu só ficaria mais feliz se eu tivesse visto um ‘eu te amo’ no final daquele cartão. Mas eu relevei esse pequeno detalhe, e fui pro quarto tentar descansar mais um pouco.
Deitei a cabeça no travesseiro e a maldita campainha idiota tocou mais uma vez. Caminhei até a sala pisando forte, irritada com aquele barulho idiota.
- Se você estiver com essa cara feliz mais uma vez eu juro que... – falei alto enquanto destrancava a porta, esperando ver a cara daquele entregador feliz. Mas não foi ele quem eu vi.
estava ali, parado na minha frente com aquela cara de cachorro sem dono que eu conhecia muito bem. Lindo, só pra constar.
- Err... Oi? – ele parecia medir as palavras pra falar comigo.
- Ah, oi. – dei as costas pra ele e saí andando de volta pro quarto, fingindo ignorar a presença dele ali.
- Bonita camiseta, ! – eu sabia que ele estava sorrindo e suspirei alto.
- É, a camiseta do meu McFly preferido, sabe? – virei de frente pra ele. Definitivamente não fazia sentido ficar brigada com ele.
- Eu sei. E eu fiquei sabendo que o seu McFly favorito fez merda ontem. – ele fez uma carinha fofa de arrependido.
- É, ele fez. Mas talvez seja só o que ele sente. – sorri amarelo, acreditando demais nas minhas próprias palavras.
- Eu acho que ele só tava meio babaca ontem e descontou em você. – ele sorriu e se aproximou de mim.
- Talvez, não tenho certeza sobre isso. – dei um pequeno passo pra trás, evitando nossa aproximação.
- Eu tô certo disso. – ele me abraçou pela cintura e eu apenas afastei o rosto do dele, ficando com apenas os corpos colados.
- Você não pode fazer isso sempre, . - empurrei ele pelo peito e fiquei séria. - Você não pode falar aquelas coisas e simplesmente me mandar flores e dizer coisas bonitas e achar que tá tudo bem. - o meu olhar estava triste, mas o dele estava mais.
- Desculpa, ... eu não sei o que deu em mim, eu nunca quis fazer nada pra te machucar e... - o interrompi com um beijo. Eu segurava o rosto dele com as duas mãos, eu necessitava sentir o meu de sempre ali, o engraçado e carinhoso, e não o que falava coisas ruins pra mim.
- Eu te desculpo, . Mas nunca mais faz isso comigo. - ele sorriu aliviado. - Isso dói. - sorri fracamente.
- Acredite, não dói mais do que te ver chorar e saber que fui eu quem provocou suas lágrimas. - ele me abraçou ainda mais forte e descansou a cabeça em meu pescoço. - Eu não te dei permissão pra usar minha camiseta, ! - ele olhou nos meus olhos com uma expressão que eu não soube dizer se era engraçada ou maliciosa.
- O quê? - eu não tinha entendido o porquê daquele comentário dele.
- Eu não te dei permissão pra usar minha camiseta. - ele colocou as mãos na barra da camiseta preta que eu vestia. - Ou seja, você vai ter que tirá-la... - maliciosa. Com certeza a expressão dele era maliciosa.
Ri alto e passei meus braços pelo pescoço de , beijando-o em meio a sorrisos aliviados. Aliviada por saber que ele estava ali comigo de novo. Aliviada por saber que ele continuava o mesmo por quem eu estava apaixonada.
• Cap. 18 - Do you like the beach, bitch?
- Acorda... - ouvi sussurrar em meu ouvido, mas não abri os olhos. Apenas resmunguei alguma coisa incompreensível e me mexi na cama. - Acorda, ... - ele dava pequenos beijinhos em meu pescoço e me fazia sentir arrepios gostosos pelo corpo inteiro. - , acorda, lindinha! - ele passou a beijar meu rosto. Beijo no queixo, beijo na boca, beijo no olho, beijo na testa...
- O que você quer essa hora da manhã, ? - eu abri meus olhos sorrindo fraco. Como se tivesse outro jeito de acordar com ele sem ser sorrindo.
- Quero que você acorde e vá pra praia comigo! – ele sorriu e me deu um beijo na ponta do nariz.
- Praia, ? – resmunguei. Eu tava com sono mesmo!
- Sim, praia, pequena! Eu quero ver você em um dos famosos biquínis brasileiros! – ele tentou dar um sorriso malicioso, mas caiu na gargalhada antes mesmo que eu pudesse achá-lo sexy.
Step one you say we need to talk
He walks you say sit down it's just a talk
He smiles politely back at you
You stare politely right on through
Some sort of window to your right
As he goes left and you stay right
Between the lines of fear and blame
And you begin to wonder why you came…
Eu cantava a música que tocava na rádio do carro de , enquanto ele me olhava de canto de olho, com um meio sorriso estampado no rosto, dirigindo em direção à praia. Até que ele desligou o rádio e eu fiquei olhando incrédula pra ele. Eu gostava da cantar The Fray, cara!
- Liiiga, ! É a melhor parte! Liiiga liiiga! – eu implorava parecendo uma criança e ele apenas ria de mim.
- Não, eu quero que você me dê atenção, e não fique cantando essa música! – ele fez uma careta.
- Idiota! – dei um tapinha no braço dele. – Eu quero cantar, , deeeixa vai! – fiz a cara mais pidona possível e ele riu, balançando a cabeça negativamente e ligando o rádio mais uma vez. Eu sorri e continuei cantando.
Fiz uma cara afetada, cantando junto com a música e fingindo ter um microfone nas mãos, vendo rir de mim, ainda prestando atenção na estrada.
How to save a life... – me estiquei pro lado e passei meus braços pelo pescoço de , dando vários beijinhos em seu rosto.
- Resolveu ficar carinhosa agora, é? – ele estampava um enorme sorriso no rosto e eu continuava pendurada no pescoço dele, vendo-o dirigir.
- Eu sempre fui, você que nunca percebeu! – beijei seu rosto novamente e ele colocou uma das mãos sobre a minha coxa, acariciando-a delicadamente.
- Óbvio que eu percebo, eu vejo isso todos os dias, . – ele me olhou nos olhos. – É por isso que eu já não consigo mais imaginar minha vida sem você. – ele sorriu timidamente e eu pensei que fosse explodir de tanta felicidade ao ouvir aquelas palavras. sempre foi carinhoso comigo, mas eram raras as vezes que ele falava alguma coisa do tipo.
- , quer que eu leve as suas malas lá pra cima? – me perguntou assim que chegamos na casa de praia de , que conversava comigo sobre qualquer coisa idiota que me fazia rir.
- Eu vou junto, ! – corri escada acima com a mochila nas costas e uma mala na mão, seguindo em direção ao quarto em que nós ficaríamos.
Entramos em um grande quarto com uma linda sacada iluminada pelo sol e que tinha vista pra praia. Fiquei estática, olhando aquela paisagem magnífica.
- Gostou? – me abraçou por trás e encostou a cabeça sobre o meu ombro.
- Muito! – virei meu rosto pro lado e o beijei. O beijo aos poucos foi se tornando mais intenso e eu me virei de frente pra .
- Quando você vai colocar o biquíni? – ele perguntou com um sorriso malicioso estampado no rosto.
- Você é um tarado, sabia? – ri e me desvencilhei dos braços dele, abrindo a minha mala que estava em cima da cama. – Vai, escolhe um. – apontei pros biquínis espalhados sobre o lençol branco.
- , eu não uso biquíni. – ele falou sério e eu gargalhei.
- Aii coisinha lenta, é pra você escolher um pra eu usar, né! – nós dois rimos e ele ficou concentrado olhando os biquínis em cima da cama.
- Esse. – ele apontou pra um biquíni branco com detalhes em lilás. – Esse é o menor. – cara de tarado.
- Você não cresce, . – sorri e peguei o biquíni de cima da cama. – Sai, eu vou me vestir.
- Nah. Eu fico aqui. – ele deitou na cama e colocou as mãos atrás da cabeça, como se fosse me assistir.
- Hmm, tudo bem então. – dei o meu melhor sorriso sexy e coloquei as mãos na barra da blusa que eu usava, como se fosse tirá-la. estreitou os olhos pra enxergar melhor e eu caminhei em direção ao banheiro do quarto, trancando-o por dentro em seguida.
- Isso não se faz, ! – ouvi gritar do lado de fora e sorri sozinha.
- , me ajuda a passar protetor solar? – eu saía do banheiro de biquíni e com uma saia de um tecido leve apenas. me olhou fixamente antes de responder, me deixando um pouco tímida com aqueles olhares nada discretos.
- Claaro que eu ajudo, ! – ele pegou o tubo de protetor solar das minhas mãos e sorriu da forma mais maliciosa que eu já tinha o visto fazer.
Me virei de costas pra ele e puxei meus cabelos pra frente, pra que ele pudesse espalhar o filtro nas minhas costas.
Senti um arrepio ao sentir o creme gelado em minhas costas quentes, juntamente com as mãos de se movendo lentamente pela minha pele.
Ele foi massageando minhas costas devagar, e passou a descer as mãos pela minha cintura, e cada vez ia descendo mais. Levantou facilmente a minha saia, já que ela era um pedacinho minúsculo de pano, e passou as mãos pelas minhas coxas.
- , é pra passar só nas costas... – falei com os olhos fechados, me arrepiando mais a cada centímetro de pele que tocava.
- Tem que passar em tudo, ... – ele escorregava cada vez mais as mãos pelas minhas pernas, e eu sentia que não ia conseguir me controlar. – Depois você se queima, e vai dizer que a culpa foi minha... que não espalhei isso direito... – ele mordeu levemente minha orelha e eu tive certeza de que não ia me controlar mais.
- ... – sussurrei, me virando de frente pra ele e colocando as mãos por dentro da camiseta vermelha que ele usava, arranhando de leve suas costas e sentindo-o contrair os músculos com o meu toque. Eu amava demais aquele efeito que eu surtia nele.
me segurou pelos cabelos e mordeu minha boca, apenas pra me provocar. E ele sabia fazer aquilo melhor do que ninguém. Não demorou muito pra que meus dentes estivessem mordendo seus lábios devagar, arrancando gemidos abafados dele, e também pra que nossas línguas se encontrassem e nossas mãos se divertissem pelas partes descobertas de nossos corpos. levantava a minha saia enquanto eu deixava pequenos chupões na pele extremamente branca do seu pescoço. As mãos dele não se decidiam entre apertar minhas coxas ou minha bunda, e eu estava concentrada em deixar as minhas marcas nele.
- Uhuull, pornografia grátis! – entrou no quarto rindo, quebrando totalmente o nosso clima. Eu corei e tentei arrumar a minha saia, que estava mais pra cima do que pra baixo.
- Valeu mesmo, ! – olhou com um sorriso falso e irônico pra , que riu alto.
- Vamos pra praia, vocês podem fazer sexo lá também! – ele riu mais alto e caminhou até a porta, empurrando pra fora do quarto.
- E uh, ... dá um jeito nessa garota, olha o que ela fez no seu pescoço! – apontava pro pescoço de com os olhos arregalados. – Ela é canibal, cara! – continuava rindo abobalhadamente. – Será que você podia fazer um clone dela pra mim? – riu mais e o empurrou de uma vez porta afora.
- O sempre estragando, incrível como ele adora fazer isso! – riu e se aproximou novamente de mim, segurando em minha cintura e encostando a boca na minha novamente.
- Perdi a vibe da pegação, ! – sorri ao ver a careta que fez com a minha resposta ao beijo dele.
- E eu vou ficar assim? – ele olhou pra baixo e fez uma expressão de dor.
- Uhn... você dá um jeito. – pisquei e me afastei dele.
- Vamos pra praia antes que eu fique louco com você aqui dentro. – Ele passou as mãos pelos cabelos e me observou enquanto eu pegava a toalha na mochila. – Eu preciso de um banho... – ele olhou diretamente pra minha bunda. – Bem frio! – me puxou pela mão e saímos do quarto.
- ! – gritei, vendo-o caminhar com e em direção ao mar.
- Quê? – ele gritou de volta, sem nem ao menos me encarar.
- Vem aqui AGORA! – gritei em um tom de autoridade, e ele virou rápido.
- Uhh tá obedecendo a ! – e zoaram , que abaixou a cabeça e veio em minha direção.
- O que foi, minha sargenta linda? – parou em minha frente, cerrando os olhos por causa do sol forte.
- Eu não quero ficar com um camarãozinho, então vem aqui passar protetor solar! – sorri e ele sorriu de volta pra mim.
Eu espalhava o protetor solar pelo rosto dele, que estava de olhos fechados, sentado na cadeira de praia, com as pernas abertas, de modo que eu ficasse de pé, entre elas, e ele acariciando de leve as minhas, enquanto eu estava concentrada em espalhar o filtro solar de maneira uniforme.
Um sorriso bobo se estampou no rosto de , e ele permanecia de olhos fechados.
- Que cara é essa, ? – passei as mãos pelo rosto dele, vendo-o abrir os olhos lentamente.
- Eu gosto quando você cuida de mim assim. – ele sorriu e eu me derreti por ele, mais uma vez. – Eu sinto que você gosta de mim. – ele levantou da cadeira e me deu um beijo estalado na boca, caminhando em direção ao mar em seguida e me deixando com cara de boba ali na areia.
Sorri olhando ele, , e brincando feito crianças no mar, e deitei na cadeira de praia, colocando os fones do iPod e dando play, com o playlist no shuffle.
Fechei meus olhos e fiquei apenas ouvindo a voz de Chris Carabba invadir meus ouvidos.
Quando os abri novamente, vi e os garotos todos sentados perto de mim, bebendo cerveja. Eu tinha cochilado uns vinte minutos, deitada ali. Nenhum deles percebeu que eu tinha acordado.
- Caaras, aquela de biquíni vermelho ali é muito gostosa! – apontava pra uma garota no mar.
- Uh, demais! – respondeu.
- Ahh o que eu não daria pra ter uma assim... – ouvi a voz de e senti raiva. Muita raiva daquele comentário infeliz que ele havia feito.
Levantei de onde eu estava e fui direto pro mar, sem nem olhar na cara de nem um deles. Pude ouvir o falando um ‘se fodeu’ e o comentando alguma coisa sobre a minha bunda. Pff, homens.
Alguns mergulhos depois, eu estava mais relaxada, molhada e com frio. Voltei pro lugar onde eu estava e estava sentado na areia, observando cada movimento meu.
- E aí, se divertiu bastante lá no mar com os meus amigos? – falou irônico, visivelmente enciumado.
- Me diverti horrores com eles! – falei cínica e peguei uma toalha pra secar meus cabelos. – E você, se divertiu cuidando a bunda das garotas quer passavam por aqui? – encarei-o nos olhos e soltou uma risada bufada, revirando os olhos.
- Eu não acredito que você tá com ciúmes, ! – me encarava sério, como se eu fosse a errada da história.
- É, ! Afinal, o que você não dava por uma daquelas! – apontei pra nossa frente, onde a garota do biquíni vermelho estava deitada, tomando sol.
Ele abriu a boca pra me responder, mas fechou-a em seguida, sabendo que eu tinha ouvido o comentário dele.
Parei de pé ao lado dele, que estava sentado enc
