Do Ya Love Me?
Autora: that girl :~
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Romance/Humor - LongFic
Número de Acessos:
estão lendo essa fic agora!
Comentários:
1.
Peguei o bilhete novamente em minha agenda para reler. Nada parecia estar certo. Eram palavras decoradas de algum livro da primeira série. Tinham que ser. Elas não faziam sentido, como se embaralhassem em minha cabeça.
,
Eu entendo o que você quer dizer, mas nós nunca vamos ser bons um para o outro. Você é uma criança e eu quero crescer.
Max.
Flashback
- MAAAX, meu tigrão! – Pulei em suas costas dando um susto.
- Oi, gata, está pronta pra sair?
- Claro que estou. – Olhei para eu mesma pela última vez. All star, calça jeans, moletom, lacinho no cabelo. Não poderia me arrumar melhor.
- OK então. – Ele abriu a porta da limusine de seu pai. Eu nunca gostei de entrar lá, era entranho pra mim. Foi nesta limusine que ele me pediu em namoro,dois meses atrás. Eu entrei e fiquei imaginando qual seria a ocasião especial de hoje.
- UAU! Está passando Bob Esponja na TV! – Gritei e comecei a cantar a musiquinha de abertura. Max desligou a TV logo que entrou e fechou a porta. Automaticamente, o carro começou a andar.
- Não é hora de assistir desenho, amor.
- Poxa, me decepcionou. – fiz biquinho
Ele se aproximou o máximo possível e começou a me beijar de um jeito diferente, mais ardente do que o necessário. Nós não conseguimos acompanhar o ritmo quente e em segundos estávamos precisando de ar. Enquanto respirava, ele encostou a cabeça em meu pescoço e suas mãos tentavam tirar o meu moletom.
- Pára Max. – sussurrei.
- Não, . Eu sei que você também quer.
- Não, eu não quero. E não vou mudar de idéia. – Meu nervosismo apareceu quando eu percebi o que ele queria de “especial” hoje.
- Pára a limusine. – Ele disse para o motorista e logo em seguia olhou para mim. – Então eu quero terminar.
- OK. Mas eu pensei que você me amava. É um pouco cedo pra mim, achei que entenderia. – Abri a porta e saí andando sem rumo, esperando chegar em algum lugar.
End Flashback
Uma lágrima rolou em meus olhos, a única que eu havia chorado por ele. Talvez porque agora eu tinha certeza: Nunca mais iria vê-lo. Londres seria como recomeçar. Como esquecer que um dia eu tive um “primeiro amor”. Eu estava pronta pra viver de verdade aqui. Bateram na porta e eu balancei a cabeça para esquecer no que estava pensando.
- Oi? – Olhei para o inglês parado na porta com várias malas.
- É, o anúncio do jornal, pra dividir apartamento. – Ele deu um sorriso perfeito e eu até tive que piscar para não ficar inconsciente.
- Sim, mas, seria uma menina.
- Eu viro gay se você quiser, sério! Eu preciso muito de um lugar pra morar. Eu vim pra Londres tentar alguma coisa com música. – Ele estendeu a mão. – Meu nome é .
Sim, o sorriso dele me convenceu, mas se minha mãe soubesse que eu estava morando com um homem, eu voltava para o Brasil no mesmo instante.
- Vai treinando então . – sorri e estendi a minha mão – Eu sou a, pode me chamar de mesmo. Vem, vou te mostrar o apartamento.
Ele entrou com suas malas e olhava curioso para todos os lados.
- Ali é a cozinha? – Ele disse apontando para o lado.
- Sim, aqui é a sala, aquela porta é a cozinha e naquele corredor tem os quartos e o banheiro.
- Onde eu posso colocar as malas?
- Ah, foi mal, é logo ali. – disse andando até o seu quarto. – Aqui. – Apontei para a porta.
Ele abriu e se surpreendeu. Era um quarto rosa, e a cortina era de borboletas. – Esse não é o seu quarto? – Ele disse sarcástico.
- Não, o meu é aquele da parede de zebrinhas – Apontei para uma porta aberta.
- Quer trocar?
- Não. – Saí e deixei ele parado lá, sem saber o que fazer naquele quarto cor de rosa super fofinho.
Sentei na minha cama e comecei a ler Crepúsculo. Já estava no final e quem me atrapalhasse ia ter os olhos furados. Mas ELE veio. Cara de coitado e cabeça abaixada. Eu admito que sua expressão me deu dó.
- Ah, . Eu prometo que mando pintar seu quarto e trocar a cortina.
- Aêê! – Ele pulava de um lado para o outro. – Mas eu não vim aqui pra falar isso.
- Não?
- Não, na verdade eu queria saber se você quer ir em uma festa comigo. É na casa do meu amigo, . Música, bebidas, vai ser legal.
Olhei para o meu livro e em seguida para ele. Como não aceitar?
- OK Tom, eu vou.
- Tá bom. Eu passo pra te pegar daqui meia hora darling. – Ele piscou e saiu pela porta. – E eu quero meu quarto pintado! – Ele gritou de longe.
Eu tinha meia hora para me arrumar. Tentei parecer menos estranha possível então coloquei uma saia xadrez e uma blusa branca de manga comprida. Peguei meu all star que não podia faltar e fiz um rabo de cabelo. Passei lápis preto no olho e coloquei meu brilho labial de maçã na bolsa. Nesse mesmo instante ele bateu na porta.
2.
- , a festa foi... UAU! Como você tá hot! – Ele parou de falar e eu corei – Então, a festa foi cancelada, vai ser só amanhã.
- Ah, OK.
- Maas, você está muito arrumada pra ficar em casa. Vamos sair? - Ele parecia envergonhado em perguntar, mas não mais do que eu para responder.
- Na verdade, eu tenho aula amanhã, . Me lembrei agora. Talvez seja melhor alugar um filme e fazer pipoca, sei lá.
- Ótima idéia! Vamos sair para alugar um filme então?
- OK, vamos. – Peguei minha bolsa e nós saímos de casa.
- Tem que alugar “De volta para o futuro”, ok? – Ele falava no caminho.
- Com certeza! A trilogia! – Era meu filme preferido.
- E algum filme de terror.
- O chamado?
- Terror, . O Chamado nem dá medo.
- OK, OK, você escolhe, só vou avisando que eu cago em filmes assim, fato.
- Eu também. – Ele riu.
A trilogia de 'De volta para o futuro' estava alugada , então ele me convenceu a alugar quatro filmes de terror que eu nem sabia o nome e ele também nunca tinha visto. Chegamos em casa e enquanto ele arrumava as legendas, eu fiz um balde de pipoca e peguei uma garrafa de coca.
- Quer dividir o edredom? – perguntou quando eu sentei ao lado dele.
- Claro – Me enfiei debaixo do seu edredom do Star Wars. - Que filme é esse?
- É o da capa de auto-relevo.
Me ajeitei no meu lugar ele pegou minha cabeça e encostou em seu ombro. Eu podia ouvir sua respiração ofegante enquanto as imagens do filme se embaralhavam na minha mente. Olhei para ele, que também não prestava atenção e dei uma risada. Ele escutou e virou para me olhar.
- Já está com medo? – Ele sorriu.
- Não, não estava prestando atenção.
- É, nem eu. – Ele coçou a cabeça.
- Quer dormir? – perguntei.
- Não, vamos ficar aqui. – Ele me fez deitar em seu colo e passava a mão pelos meus cabelos.
Ali eu me sentia segura. Me sentia bem. Meus olhos se fecharam e aquele estranho que bateu na minha porta há poucas horas me levou para minha cama, dando um beijo na minha testa. Eu queria agradecer por isso, mas meus olhos estavam pesados demais para se abrirem, então apenas me entreguei aos sonhos.
- Acorda , acorda! – me chamava no outro dia de manhã.
- Que foi?
- Seu despertador tocou na sala, Achei que você não ia escutar.
- Droga - me lembrei da escola. – Que horas são?
- 6 e meia.
- Você vai estudar na Brockwood Park School também?
- É, vou.
- Que série?
- Terceiro colegial.
- Eu vou tomar banho, depois você toma ok?
- Tá bom, quer alguma coisa para o café da manhã?
- Pode deixar que eu faço, obrigada. – Ele sorriu e eu entrei no banheiro.
Eu disse que eu fazia? Eu tinha que judiar dele, isso sim. Mas ele é tão, tão irreal. Ele tinha a qualidade fofura elevada ao mais alto nível. Entrei no banheiro e tentei tomar um banho relaxante, esquecer o que estava me esperando do lado de fora. Depois de 10 minutos eu percebi que já estava exagerando e daí de lá.
- , pode entrar! – Deixei a porta aberta e fui para o meu quarto me arrumar.
Enquanto ele tomava banho, eu fiz um misto quente e um Nescau e sentei na mesa.
- Estamos atrasados? – Ele apareceu na porta da cozinha
- Você não – olhei no meu relógio. – Eu estou.
- Ah? – Ele fez uma expressão de “não entendi”
- O terceiro entra 10 minutos depois. Eu sou do segundo, entro agora.
- Mas eu vou com você, não quero me perder.
- OK. Então corre. – Bebi o último gole de Nescau e deixei a louça na pia.
Saímos correndo do apartamento e atravessamos a rua quase morrendo atropelados. Mais uma rua e estaríamos na escola.
- Finalmente. – Suspirei ao entrar pela porta. – ! – Abracei minha melhor amiga que me esperava. ficou apenas olhando sem entender nada. - Ah, , essa é a , minha melhor amiga. – Dei ênfase a palavra melhor. – , esse é o , ele mora comigo agora.
- ! Como você se casa no fim de semana e não me convida? – choramingava.
- Não, sua lesada, ele só divide o apartamento comigo.
- Quando a gente for casar, eu aviso . – brincou. Eu acho.
- Acabou a conversinha. Já para a sala. – A inspetora chegou.
– Vejo vocês depois ok? – disse.
- Ok. – Nós respondemos.
3.
- Ei, , aquele é gatinho hein? – falava maliciosa. – E mora junto com você! Como você agüenta ver ele e não desmaiar? – Ela falava como se fosse uma jornalista.
- É difícil. – afirmei - Mas eu tento não olhar quando ele sorri. Aquele sorriso simplesmente me faz ter alucinações.
- Dá pra parar de falar? – A professora me interrompeu.
- Anyway, eu acho que você deve esquecer o Max agora, e ficar com ele. – O sinal bateu.
- Você está louca? – disse, me levantando. – E como eu vou olhar para ele depois?
- Com os olhos seria uma boa idéia.
- Muito engraçadinha. – saí da sala e dei de cara com a cena mais estranha da minha vida.
me esperava na porta, até aí, tudo bem. Mas ele não estava sozinho. Existiam outros quatro garotos com ele. Um deles, , eu conhecia bem. Sempre me ajudou com umas tarefas difíceis. Era um amor. O outro, não sabia direito quem era. , o garanhão, era como o chamavam. Todas as meninas babavam quando ele falava. Mas ele sempre namorou , que não estudava nessa escola. Um outro muito simpático com todos estava lá também. , o garoto que disse que daria a festa na noite passada.
Não eram essas pessoas que me incomodavam. Nem mesmo a garota que olhava descaradamente para me incomodava no instante. Era aquele garoto de cabelo loiro arrepiado e olhos verdes. Era aquele que usava um Adidas branco. Era aquele com as calças tão coladas na perna como os meus olhos estavam nele. Max me incomodava.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei sem querer saber o que iriam pensar.
- Seria legal dizer oi primeiro. – Ele respondeu com um sorriso no rosto. Não, seu sorriso agora não me afetava.
- Você tem que aprender que só dizemos oi para as pessoas que gostaríamos que estivessem presentes. – dei um sorriso falso.
- Calma, calma. – disse tentando resolver a situação. – Vocês se conhecem?
- foi minha namorada ano passado. Ela se mudou para Londres para me esquecer – Max quis dar uma de importante. – Conseguiu?
No mesmo momento, senti os braços de em volta de minha cintura. Ele olhava somente para Max, e não chegou a me encarar uma só vez.
- Ela está comigo agora. – beijou minha cabeça.
Não conseguia descrever a expressão de Max neste momento. Seu rosto parecia vermelho a ponto de explodir. Seus olhos não saíam dos braços de , que me abraçava, e se eu soubesse que ele poderia chegar ao ponto de sentir ciúmes, teria feito isso antes. Ele ficou muito, engraçado. Eu acho. Para quebrar o clima pesado, começou a falar.
- Então , vai ter a festa na sua casa?
- Sim, sim. Estão todos convidados. Até a , . Mesmo não estudando aqui.
- OK. Eu falo com ela.
- E , pode ir também. – disse enquanto viajava na maionese.
- Ah, ok, obrigada .
- E sem esquecer, todo menino tem que levar uma menina, senão não tem graça ok? – disse safado.
- Eu vou levar a ! – gritou.
- E a já é minha. – olhou pra ela.
Tocou o sinal para voltar do recreio e me puxou rapidamente, dando um tchauzinho com a mão para s meninos.
- , você ouviu isso? Ele me convidou para a festa!
- Ah, , estou tão feliz por você. Sei que sempre foi caidinha pelo , mesmo secretamente.
- Você tem razão. – corou. – Mas deixa eu te fazer uma pergunta. ou Max?
Os batimentos do meu coração se tornavam mais intensos. Essa não era uma pergunta que eu tinha que responder apenas para . Eu teria que responder para mim mesma. Eu mal conhecia o , e ele já me tratava melhor do que o Max me tratou todo aquele tempo. Mas como eu podia gostar de alguém que eu mal conhecia? Talvez com o tempo... Mas eu sabia o que sentia naquele exato momento. E aquela era a minha resposta.
- – disse sem graça, olhando pra baixo.
4.
Acabando a aula, me despedi de e estava me esperando na porta da sala de aula, pra ir embora. Fomos caminhando sem dizer uma palavra e ao chegar em casa, perguntou:
- Você ainda gosta do Max né?
- Não, , é passado – sorri.
- Não me engane . Eu vi o jeito que você olha pra ele. É como se precisasse dele para respirar.
- Eu não preciso, eu não preciso de mais ninguém.
- Falou então, independente. – virou as costas e foi para o seu quarto, batendo a porta ao entrar.
- Droga, ! – Eu gritei. – Não foi isso que eu quis dizer. Abre a porta. – Disse, batendo em seu quarto. – Por favor.
- Sem problemas, . Eu arrumo alguém para levar na festa.
Desisti de tentar fazê-lo entender, então fui para o meu quarto, liguei o som bem alto e fiquei pensando no que deveria fazer. Não estava apaixonada por , tinha certeza disso. Também não gostava mais de Max como antes. Ou talvez gostasse. Só sei que tinha medo de admitir isso ao . Era medo dele não gostar mais de mim. Estava sendo egoísta, confesso. Eu queria ter os dois ao mesmo tempo, de jeitos diferentes, mas queria os dois. Enquanto pensava, escutei meu telefone tocar.
- Alô?
- Hey, , é o Max.
- O que foi?
- Vai na festa comigo hoje à noite, não vai?
- Não, vou com o meu namorado. – Eu não sabia a quem estava tentando enganar.
- Pára de falar besteiras, eu vou te buscar às 8. E sim, eu sei onde você mora, gata.
Ele desligou e bateu na porta.
- Pode abrir. – gritei.
- Vai com o seu namorado?
- Eu sei que está com raiva de mim.
- Não respondeu a minha pergunta.
- Eu não tenho namorado, .
- Eu sou o que então? Ou melhor, o Max acha que eu sou o quê?
- Ele não acreditou.
- Mas vai acreditar.
pegou uma caixinha e abriu, tinha uma aliança dentro dela.
- Não me pergunte porque eu tenho isso. Você vai usar ela hoje na festa, comigo. – Ele deu ênfase na palavra comigo.
- Mas , se eu usar hoje, vou ter que usar sempre.
- É exatamente aí que eu queria chegar. Quer namorar comigo?
- Não.
- Por que não?
- Eu nem te conheço, .
- Você acha que não me conhece, é diferente.
- Não entendi.
- Um dia você vai entender, fica tranqüila.
- Você sabia que está me confundindo agora?
- Eu sei . Olhe bem nos meus olhos. Você realmente me conheceu ontem? – Ele pegou minhas mãos, e colocou-as em seu rosto. Eu olhei o máximo que pude para os olhos dele. Eu queria tentar descobrir onde tinha visto esses olhos antes. Mas eles me hipnotizaram. Todos os pensamentos mais absurdos perturbavam a minha mente. Menos o de ter visto ele antes.
- Me desculpe , eu não sei.
- Tudo bem, algum dia, talvez. – Ele saiu pela porta e eu achei que tinha deixado ele nervoso de novo. Mas ele voltou.
- Não se esqueça de cancelar seu encontro. – Ele revirou os olhos. – Com o Max.
5.
Exatamente 8 horas, a campainha tocou. Droga, eu tinha me esquecido de ligar para o Max. Coloquei aquela aliança o mais rápido possível e fui correndo até a porta. Era ele.
- Oi Max.
- Oi gata, ainda não está pronta? – Ele olhou para o meu cabelo molhado e minha roupa velha.
- Não, é que eu combinei de ir às nove com o . – Passei a mão no cabelo, fazendo ele notar a minha aliança.
- Poxa, eu...não sabia. – Ele gaguejava.- Então, é verdade?
- Por que eu brincaria com isso?
- Não sei, pra me fazer ciúmes, talvez.
- Acabou Max, você não entendeu? Acabou.
- Vamos ver então. – Max passou pela porta e bateu, O barulho acordou .
- , o que foi isso?
- Eu acho que o Max acreditou agora.
- Há, que loser. – fez um L na testa. Eu ri.
- Tenho que me arrumar.Te vejo depois, . – dei um beijo em sua bochecha e fui para o meu quarto.
______________._______________
- , já tá pronta? – batia na minha porta.
- Pode abrir, só estou acabando de passar o lápis. – Ele abriu a porta. – Pronto, acabei.
Ele ficou me olhando e sorrindo como um idiota.
- Eu definitivamente tenho a melhor companheira de casa.
- Me deixou sem graça – Dei um sorriso e ele também.
- Vamos?
- Claro.
Saímos de casa e pegamos o carro, sem muitas conversas, chegamos na casa de cinco minutos depois. E a festa já estava cheia.
- Eu acho que o Max não vem. Não precisamos usar a aliança, certo?
- Você sabe o que eu quero, , então a escolha é sua.
Tirei minha aliança e coloquei na bolsa, ele fez o mesmo. Saímos do carro e tocamos a campainha. que atendeu. Ele e estavam abraçados. Sorri para ela.
- Finalmente, hein? – disse. Deu pra ver que já estava meio alterado.
- A que atrasou. – brincou.
- É, sou eu que demoro duas horas no banho.
- Não enche, . – Ele bagunçou meu cabelo.
- Querem uma bebida? – perguntou.
- Claro né, que pergunta. – riu.
Fomos andando entre as pessoas e meu meus olhos procuravam o garoto do cabelo loiro. Onde Max estava? Será que ele estava? Sei que era difícil achar uma garota para levar à festa de última hora. Ainda mais alguém boa o bastante para Max. Droga. Ele estava lá. Quem era aquela? C-A-R-A-*-*-O! Era Cady. A garota só saía com os caras mais bonitos, ricos, populares e afins da escola. O que ela estava fazendo com Max? Ela tentou beijar ele! Não, eu não podia estar vendo aquilo. Era tortura. Ele não aceitou. Ele me ama. Ele a abraçou pela cintura, ele me odeia.
- ? ? ! – berrou.
- Ah, o que foi?
- Vai beber alguma coisa?
- Me dá uma batida.
- OK. - pegou uma garrafa de cerveja e me deu uma batida. - Espera aí, nossa banda vai tocar uma música. Fique bem aqui ok? E vê se gosta. – Ele deu seu melhor sorriso.
- Eu espero.
Vi ele indo atrás de e voltei a procurar Max, sem sucesso. Até que a luz do pequeno palco acendeu. Eu realmente queria ver tocando e... Calma aí, essa música! Eu conheço ela. De algum lugar...
- Ei , . – Max me cutucou.
- Max, o que você tá fazendo aqui?
- O mesmo que você, uma festa. O que se faz em uma festa?
- Escuta a música da banda que está tocando e pára de encher o saco das garotas que tem namorado.
- Então eu posso encher o seu saco. – Ele se aproximava.
- Eu já dise que tenho namorado!.
- Então, onde está sua aliança? Resolveram dar um tempo?
- Cala a boca.
- Não. Me escuta. Eu vim pra cá porque eu quero você, deu pra entender? Eu dispensei aquela garota gostosa pra vir aqui te ver!
- Então vai atrás dela, por favor. – Voltei a prestar atenção na música que tocava. Não era MESMO desconhecida. Eu já tinha escutado aquele “It’s all about you”.
Quando eu estava prestes a descobrir, Max me puxou. Ele olhou nos meus olhos e meu beijou. Não podia me separar dele, eu queria, mas algo me forçava a continuar. Quando me separei dele, olhei diretamente para . Ele me fuzilou com os olhos. Me fez sentir culpada, errada.
“Said you make my life worthwhile, it’s all about you"
Eu sabia que conhecia essa música. Não podia ser, mas era. “Você tem certeza que me conheceu ontem?“. A frase de fez mais sentido agora. . Não poderia acreditar.
6.
Quando encontrei , ele estava no bar, uma garrafa de vodka em uma mão e uma garota na outra.
- Gostou da sua música, ? – Ele disse sarcástico.
- . Como eu não me lembrei?
- Talvez eu não tenha sido tão importante para você como você foi pra mim.
- Não fale besteiras.
- Você fez a pergunta. – Ele deu outro gole na garrafa. – Eu só respondi. Satisfeita?
- Esquece, ok? Vem falar comigo quando você estiver sóbrio. E sozinho. – Lancei um olhar para a garota ao seu lado. – A chave está embaixo do tapete.
Cheguei em casa com a cabeça rodando. Havia cometido um erro enorme e jamais me perdoaria. Ouvi a porta abrir quando eu estava sentada no sofá e caiu na porta.
- O que aconteceu? – Fui ajudá-lo. Ele apenas riu e coçou a cabeça.
- Deixa que eu ajudo. – A vadia apareceu na porta. – Onde é o seu quarto? – Ela passava a mão embaixo da camisa de , ele sorria.
- Sua imbecil! Não está vendo que ele mal agüenta parar em pé?
- Eu perguntei alguma coisa?
- Não. Mas você está na MINHA casa e se eu falei que é pra você ir embora, você vai!
- Você acha que é quem para falar comigo assim?
- Não interessa, sai daqui! – Fechei a porta na cara dela.
- Você estrãgól minhã divérsão. Ic. – falava mole.
- Diversão, há. – Bufei. – Você vai tomar um banho frio agora.
Empurrei-o até o banheiro ouvindo as reclamações sem sentido dele. Quando liguei a água, ele quase teve um treco. Gritou, chorou, riu, me bateu e deu ataques gays. Coloquei ele embaixo do chuveiro e tirei sua camisa vomitada.
- Queria me ver sem camisa? Era só falar.
- Se enxerga, . - Tirei ele da água e o coloquei sentado no vaso sanitário.
- Seu pijama está aí. Toma banho direito e se troca que eu vou buscar uma aspirina.
- OK. – Ele disse de mal vontade. - Peguei a aspirina e um copo de água e coloquei em seu criado-mudo. - Obrigado – Ele chegou atrás de mim e me assustou.
- Era o mínimo que eu poderia fazer depois de tudo.
- A gente poderia esquecer tudo e começar de novo.
- É uma boa idéia. Mas calma... tem uma coisa que eu não quero esquecer.
- O quê?
- Aquela música. – Corei.
- Você lembrou de mim por causa da música, certo?
- Eu reconheceria aquela música até se ela fosse remixada e cantada em japonês. – Ele riu, mas não era pra ser engraçado. – Você mudou muito desde aquela época.
- Ah, sim. Obrigado por me chamar de gordo. – Ele rodou os olhos.
- Não é isso, . Eu não sei. Não consigo assemelhar seu rosto com aquele garotinho.
- Falando assim até parece que eu tinha quatro anos. – Eu ri.
- Não, mas...poxa. Foi o melhor ano pra mim.
- Idem.
- Bom, eu preciso dormir, te vejo amanhã, danone.
- Há, você lembrou!
- Claro. – Minha vez de rodar os olhos. – Eu sempre te chamei de danone porque você nunca me contou o seu nome.
- Eu lembro, você achava que eu era um alien.
- Eu ainda acho.
- Anyway...
- Preciso mesmo dormir.
- Espera, posso te fazer uma pergunta, ?
- Fala rápido.
- Você... – Ele coçou a cabeça. – Você me ama?
- Tome sua aspirina , . Amanhã tem aula e eu não vou te deixar faltar. E...ah, durma bem. – Mandei um beijo e apaguei a luz do seu quarto.
- Ela me ama. – Ouvi ele dizer, dando um sorrisinho.
Fechar a janela para voltar ao PoP
Peguei o bilhete novamente em minha agenda para reler. Nada parecia estar certo. Eram palavras decoradas de algum livro da primeira série. Tinham que ser. Elas não faziam sentido, como se embaralhassem em minha cabeça.
,
Eu entendo o que você quer dizer, mas nós nunca vamos ser bons um para o outro. Você é uma criança e eu quero crescer.
Max.
Flashback
- MAAAX, meu tigrão! – Pulei em suas costas dando um susto.
- Oi, gata, está pronta pra sair?
- Claro que estou. – Olhei para eu mesma pela última vez. All star, calça jeans, moletom, lacinho no cabelo. Não poderia me arrumar melhor.
- OK então. – Ele abriu a porta da limusine de seu pai. Eu nunca gostei de entrar lá, era entranho pra mim. Foi nesta limusine que ele me pediu em namoro,dois meses atrás. Eu entrei e fiquei imaginando qual seria a ocasião especial de hoje.
- UAU! Está passando Bob Esponja na TV! – Gritei e comecei a cantar a musiquinha de abertura. Max desligou a TV logo que entrou e fechou a porta. Automaticamente, o carro começou a andar.
- Não é hora de assistir desenho, amor.
- Poxa, me decepcionou. – fiz biquinho
Ele se aproximou o máximo possível e começou a me beijar de um jeito diferente, mais ardente do que o necessário. Nós não conseguimos acompanhar o ritmo quente e em segundos estávamos precisando de ar. Enquanto respirava, ele encostou a cabeça em meu pescoço e suas mãos tentavam tirar o meu moletom.
- Pára Max. – sussurrei.
- Não, . Eu sei que você também quer.
- Não, eu não quero. E não vou mudar de idéia. – Meu nervosismo apareceu quando eu percebi o que ele queria de “especial” hoje.
- Pára a limusine. – Ele disse para o motorista e logo em seguia olhou para mim. – Então eu quero terminar.
- OK. Mas eu pensei que você me amava. É um pouco cedo pra mim, achei que entenderia. – Abri a porta e saí andando sem rumo, esperando chegar em algum lugar.
End Flashback
Uma lágrima rolou em meus olhos, a única que eu havia chorado por ele. Talvez porque agora eu tinha certeza: Nunca mais iria vê-lo. Londres seria como recomeçar. Como esquecer que um dia eu tive um “primeiro amor”. Eu estava pronta pra viver de verdade aqui. Bateram na porta e eu balancei a cabeça para esquecer no que estava pensando.
- Oi? – Olhei para o inglês parado na porta com várias malas.
- É, o anúncio do jornal, pra dividir apartamento. – Ele deu um sorriso perfeito e eu até tive que piscar para não ficar inconsciente.
- Sim, mas, seria uma menina.
- Eu viro gay se você quiser, sério! Eu preciso muito de um lugar pra morar. Eu vim pra Londres tentar alguma coisa com música. – Ele estendeu a mão. – Meu nome é .
Sim, o sorriso dele me convenceu, mas se minha mãe soubesse que eu estava morando com um homem, eu voltava para o Brasil no mesmo instante.
- Vai treinando então . – sorri e estendi a minha mão – Eu sou a, pode me chamar de mesmo. Vem, vou te mostrar o apartamento.
Ele entrou com suas malas e olhava curioso para todos os lados.
- Ali é a cozinha? – Ele disse apontando para o lado.
- Sim, aqui é a sala, aquela porta é a cozinha e naquele corredor tem os quartos e o banheiro.
- Onde eu posso colocar as malas?
- Ah, foi mal, é logo ali. – disse andando até o seu quarto. – Aqui. – Apontei para a porta.
Ele abriu e se surpreendeu. Era um quarto rosa, e a cortina era de borboletas. – Esse não é o seu quarto? – Ele disse sarcástico.
- Não, o meu é aquele da parede de zebrinhas – Apontei para uma porta aberta.
- Quer trocar?
- Não. – Saí e deixei ele parado lá, sem saber o que fazer naquele quarto cor de rosa super fofinho.
Sentei na minha cama e comecei a ler Crepúsculo. Já estava no final e quem me atrapalhasse ia ter os olhos furados. Mas ELE veio. Cara de coitado e cabeça abaixada. Eu admito que sua expressão me deu dó.
- Ah, . Eu prometo que mando pintar seu quarto e trocar a cortina.
- Aêê! – Ele pulava de um lado para o outro. – Mas eu não vim aqui pra falar isso.
- Não?
- Não, na verdade eu queria saber se você quer ir em uma festa comigo. É na casa do meu amigo, . Música, bebidas, vai ser legal.
Olhei para o meu livro e em seguida para ele. Como não aceitar?
- OK Tom, eu vou.
- Tá bom. Eu passo pra te pegar daqui meia hora darling. – Ele piscou e saiu pela porta. – E eu quero meu quarto pintado! – Ele gritou de longe.
Eu tinha meia hora para me arrumar. Tentei parecer menos estranha possível então coloquei uma saia xadrez e uma blusa branca de manga comprida. Peguei meu all star que não podia faltar e fiz um rabo de cabelo. Passei lápis preto no olho e coloquei meu brilho labial de maçã na bolsa. Nesse mesmo instante ele bateu na porta.
2.
- , a festa foi... UAU! Como você tá hot! – Ele parou de falar e eu corei – Então, a festa foi cancelada, vai ser só amanhã.
- Ah, OK.
- Maas, você está muito arrumada pra ficar em casa. Vamos sair? - Ele parecia envergonhado em perguntar, mas não mais do que eu para responder.
- Na verdade, eu tenho aula amanhã, . Me lembrei agora. Talvez seja melhor alugar um filme e fazer pipoca, sei lá.
- Ótima idéia! Vamos sair para alugar um filme então?
- OK, vamos. – Peguei minha bolsa e nós saímos de casa.
- Tem que alugar “De volta para o futuro”, ok? – Ele falava no caminho.
- Com certeza! A trilogia! – Era meu filme preferido.
- E algum filme de terror.
- O chamado?
- Terror, . O Chamado nem dá medo.
- OK, OK, você escolhe, só vou avisando que eu cago em filmes assim, fato.
- Eu também. – Ele riu.
A trilogia de 'De volta para o futuro' estava alugada , então ele me convenceu a alugar quatro filmes de terror que eu nem sabia o nome e ele também nunca tinha visto. Chegamos em casa e enquanto ele arrumava as legendas, eu fiz um balde de pipoca e peguei uma garrafa de coca.
- Quer dividir o edredom? – perguntou quando eu sentei ao lado dele.
- Claro – Me enfiei debaixo do seu edredom do Star Wars. - Que filme é esse?
- É o da capa de auto-relevo.
Me ajeitei no meu lugar ele pegou minha cabeça e encostou em seu ombro. Eu podia ouvir sua respiração ofegante enquanto as imagens do filme se embaralhavam na minha mente. Olhei para ele, que também não prestava atenção e dei uma risada. Ele escutou e virou para me olhar.
- Já está com medo? – Ele sorriu.
- Não, não estava prestando atenção.
- É, nem eu. – Ele coçou a cabeça.
- Quer dormir? – perguntei.
- Não, vamos ficar aqui. – Ele me fez deitar em seu colo e passava a mão pelos meus cabelos.
Ali eu me sentia segura. Me sentia bem. Meus olhos se fecharam e aquele estranho que bateu na minha porta há poucas horas me levou para minha cama, dando um beijo na minha testa. Eu queria agradecer por isso, mas meus olhos estavam pesados demais para se abrirem, então apenas me entreguei aos sonhos.
- Acorda , acorda! – me chamava no outro dia de manhã.
- Que foi?
- Seu despertador tocou na sala, Achei que você não ia escutar.
- Droga - me lembrei da escola. – Que horas são?
- 6 e meia.
- Você vai estudar na Brockwood Park School também?
- É, vou.
- Que série?
- Terceiro colegial.
- Eu vou tomar banho, depois você toma ok?
- Tá bom, quer alguma coisa para o café da manhã?
- Pode deixar que eu faço, obrigada. – Ele sorriu e eu entrei no banheiro.
Eu disse que eu fazia? Eu tinha que judiar dele, isso sim. Mas ele é tão, tão irreal. Ele tinha a qualidade fofura elevada ao mais alto nível. Entrei no banheiro e tentei tomar um banho relaxante, esquecer o que estava me esperando do lado de fora. Depois de 10 minutos eu percebi que já estava exagerando e daí de lá.
- , pode entrar! – Deixei a porta aberta e fui para o meu quarto me arrumar.
Enquanto ele tomava banho, eu fiz um misto quente e um Nescau e sentei na mesa.
- Estamos atrasados? – Ele apareceu na porta da cozinha
- Você não – olhei no meu relógio. – Eu estou.
- Ah? – Ele fez uma expressão de “não entendi”
- O terceiro entra 10 minutos depois. Eu sou do segundo, entro agora.
- Mas eu vou com você, não quero me perder.
- OK. Então corre. – Bebi o último gole de Nescau e deixei a louça na pia.
Saímos correndo do apartamento e atravessamos a rua quase morrendo atropelados. Mais uma rua e estaríamos na escola.
- Finalmente. – Suspirei ao entrar pela porta. – ! – Abracei minha melhor amiga que me esperava. ficou apenas olhando sem entender nada. - Ah, , essa é a , minha melhor amiga. – Dei ênfase a palavra melhor. – , esse é o , ele mora comigo agora.
- ! Como você se casa no fim de semana e não me convida? – choramingava.
- Não, sua lesada, ele só divide o apartamento comigo.
- Quando a gente for casar, eu aviso . – brincou. Eu acho.
- Acabou a conversinha. Já para a sala. – A inspetora chegou.
– Vejo vocês depois ok? – disse.
- Ok. – Nós respondemos.
3.
- Ei, , aquele é gatinho hein? – falava maliciosa. – E mora junto com você! Como você agüenta ver ele e não desmaiar? – Ela falava como se fosse uma jornalista.
- É difícil. – afirmei - Mas eu tento não olhar quando ele sorri. Aquele sorriso simplesmente me faz ter alucinações.
- Dá pra parar de falar? – A professora me interrompeu.
- Anyway, eu acho que você deve esquecer o Max agora, e ficar com ele. – O sinal bateu.
- Você está louca? – disse, me levantando. – E como eu vou olhar para ele depois?
- Com os olhos seria uma boa idéia.
- Muito engraçadinha. – saí da sala e dei de cara com a cena mais estranha da minha vida.
me esperava na porta, até aí, tudo bem. Mas ele não estava sozinho. Existiam outros quatro garotos com ele. Um deles, , eu conhecia bem. Sempre me ajudou com umas tarefas difíceis. Era um amor. O outro, não sabia direito quem era. , o garanhão, era como o chamavam. Todas as meninas babavam quando ele falava. Mas ele sempre namorou , que não estudava nessa escola. Um outro muito simpático com todos estava lá também. , o garoto que disse que daria a festa na noite passada.
Não eram essas pessoas que me incomodavam. Nem mesmo a garota que olhava descaradamente para me incomodava no instante. Era aquele garoto de cabelo loiro arrepiado e olhos verdes. Era aquele que usava um Adidas branco. Era aquele com as calças tão coladas na perna como os meus olhos estavam nele. Max me incomodava.
- O que você está fazendo aqui? – Perguntei sem querer saber o que iriam pensar.
- Seria legal dizer oi primeiro. – Ele respondeu com um sorriso no rosto. Não, seu sorriso agora não me afetava.
- Você tem que aprender que só dizemos oi para as pessoas que gostaríamos que estivessem presentes. – dei um sorriso falso.
- Calma, calma. – disse tentando resolver a situação. – Vocês se conhecem?
- foi minha namorada ano passado. Ela se mudou para Londres para me esquecer – Max quis dar uma de importante. – Conseguiu?
No mesmo momento, senti os braços de em volta de minha cintura. Ele olhava somente para Max, e não chegou a me encarar uma só vez.
- Ela está comigo agora. – beijou minha cabeça.
Não conseguia descrever a expressão de Max neste momento. Seu rosto parecia vermelho a ponto de explodir. Seus olhos não saíam dos braços de , que me abraçava, e se eu soubesse que ele poderia chegar ao ponto de sentir ciúmes, teria feito isso antes. Ele ficou muito, engraçado. Eu acho. Para quebrar o clima pesado, começou a falar.
- Então , vai ter a festa na sua casa?
- Sim, sim. Estão todos convidados. Até a , . Mesmo não estudando aqui.
- OK. Eu falo com ela.
- E , pode ir também. – disse enquanto viajava na maionese.
- Ah, ok, obrigada .
- E sem esquecer, todo menino tem que levar uma menina, senão não tem graça ok? – disse safado.
- Eu vou levar a ! – gritou.
- E a já é minha. – olhou pra ela.
Tocou o sinal para voltar do recreio e me puxou rapidamente, dando um tchauzinho com a mão para s meninos.
- , você ouviu isso? Ele me convidou para a festa!
- Ah, , estou tão feliz por você. Sei que sempre foi caidinha pelo , mesmo secretamente.
- Você tem razão. – corou. – Mas deixa eu te fazer uma pergunta. ou Max?
Os batimentos do meu coração se tornavam mais intensos. Essa não era uma pergunta que eu tinha que responder apenas para . Eu teria que responder para mim mesma. Eu mal conhecia o , e ele já me tratava melhor do que o Max me tratou todo aquele tempo. Mas como eu podia gostar de alguém que eu mal conhecia? Talvez com o tempo... Mas eu sabia o que sentia naquele exato momento. E aquela era a minha resposta.
- – disse sem graça, olhando pra baixo.
4.
Acabando a aula, me despedi de e estava me esperando na porta da sala de aula, pra ir embora. Fomos caminhando sem dizer uma palavra e ao chegar em casa, perguntou:
- Você ainda gosta do Max né?
- Não, , é passado – sorri.
- Não me engane . Eu vi o jeito que você olha pra ele. É como se precisasse dele para respirar.
- Eu não preciso, eu não preciso de mais ninguém.
- Falou então, independente. – virou as costas e foi para o seu quarto, batendo a porta ao entrar.
- Droga, ! – Eu gritei. – Não foi isso que eu quis dizer. Abre a porta. – Disse, batendo em seu quarto. – Por favor.
- Sem problemas, . Eu arrumo alguém para levar na festa.
Desisti de tentar fazê-lo entender, então fui para o meu quarto, liguei o som bem alto e fiquei pensando no que deveria fazer. Não estava apaixonada por , tinha certeza disso. Também não gostava mais de Max como antes. Ou talvez gostasse. Só sei que tinha medo de admitir isso ao . Era medo dele não gostar mais de mim. Estava sendo egoísta, confesso. Eu queria ter os dois ao mesmo tempo, de jeitos diferentes, mas queria os dois. Enquanto pensava, escutei meu telefone tocar.
- Alô?
- Hey, , é o Max.
- O que foi?
- Vai na festa comigo hoje à noite, não vai?
- Não, vou com o meu namorado. – Eu não sabia a quem estava tentando enganar.
- Pára de falar besteiras, eu vou te buscar às 8. E sim, eu sei onde você mora, gata.
Ele desligou e bateu na porta.
- Pode abrir. – gritei.
- Vai com o seu namorado?
- Eu sei que está com raiva de mim.
- Não respondeu a minha pergunta.
- Eu não tenho namorado, .
- Eu sou o que então? Ou melhor, o Max acha que eu sou o quê?
- Ele não acreditou.
- Mas vai acreditar.
pegou uma caixinha e abriu, tinha uma aliança dentro dela.
- Não me pergunte porque eu tenho isso. Você vai usar ela hoje na festa, comigo. – Ele deu ênfase na palavra comigo.
- Mas , se eu usar hoje, vou ter que usar sempre.
- É exatamente aí que eu queria chegar. Quer namorar comigo?
- Não.
- Por que não?
- Eu nem te conheço, .
- Você acha que não me conhece, é diferente.
- Não entendi.
- Um dia você vai entender, fica tranqüila.
- Você sabia que está me confundindo agora?
- Eu sei . Olhe bem nos meus olhos. Você realmente me conheceu ontem? – Ele pegou minhas mãos, e colocou-as em seu rosto. Eu olhei o máximo que pude para os olhos dele. Eu queria tentar descobrir onde tinha visto esses olhos antes. Mas eles me hipnotizaram. Todos os pensamentos mais absurdos perturbavam a minha mente. Menos o de ter visto ele antes.
- Me desculpe , eu não sei.
- Tudo bem, algum dia, talvez. – Ele saiu pela porta e eu achei que tinha deixado ele nervoso de novo. Mas ele voltou.
- Não se esqueça de cancelar seu encontro. – Ele revirou os olhos. – Com o Max.
5.
Exatamente 8 horas, a campainha tocou. Droga, eu tinha me esquecido de ligar para o Max. Coloquei aquela aliança o mais rápido possível e fui correndo até a porta. Era ele.
- Oi Max.
- Oi gata, ainda não está pronta? – Ele olhou para o meu cabelo molhado e minha roupa velha.
- Não, é que eu combinei de ir às nove com o . – Passei a mão no cabelo, fazendo ele notar a minha aliança.
- Poxa, eu...não sabia. – Ele gaguejava.- Então, é verdade?
- Por que eu brincaria com isso?
- Não sei, pra me fazer ciúmes, talvez.
- Acabou Max, você não entendeu? Acabou.
- Vamos ver então. – Max passou pela porta e bateu, O barulho acordou .
- , o que foi isso?
- Eu acho que o Max acreditou agora.
- Há, que loser. – fez um L na testa. Eu ri.
- Tenho que me arrumar.Te vejo depois, . – dei um beijo em sua bochecha e fui para o meu quarto.
______________._______________
- , já tá pronta? – batia na minha porta.
- Pode abrir, só estou acabando de passar o lápis. – Ele abriu a porta. – Pronto, acabei.
Ele ficou me olhando e sorrindo como um idiota.
- Eu definitivamente tenho a melhor companheira de casa.
- Me deixou sem graça – Dei um sorriso e ele também.
- Vamos?
- Claro.
Saímos de casa e pegamos o carro, sem muitas conversas, chegamos na casa de cinco minutos depois. E a festa já estava cheia.
- Eu acho que o Max não vem. Não precisamos usar a aliança, certo?
- Você sabe o que eu quero, , então a escolha é sua.
Tirei minha aliança e coloquei na bolsa, ele fez o mesmo. Saímos do carro e tocamos a campainha. que atendeu. Ele e estavam abraçados. Sorri para ela.
- Finalmente, hein? – disse. Deu pra ver que já estava meio alterado.
- A que atrasou. – brincou.
- É, sou eu que demoro duas horas no banho.
- Não enche, . – Ele bagunçou meu cabelo.
- Querem uma bebida? – perguntou.
- Claro né, que pergunta. – riu.
Fomos andando entre as pessoas e meu meus olhos procuravam o garoto do cabelo loiro. Onde Max estava? Será que ele estava? Sei que era difícil achar uma garota para levar à festa de última hora. Ainda mais alguém boa o bastante para Max. Droga. Ele estava lá. Quem era aquela? C-A-R-A-*-*-O! Era Cady. A garota só saía com os caras mais bonitos, ricos, populares e afins da escola. O que ela estava fazendo com Max? Ela tentou beijar ele! Não, eu não podia estar vendo aquilo. Era tortura. Ele não aceitou. Ele me ama. Ele a abraçou pela cintura, ele me odeia.
- ? ? ! – berrou.
- Ah, o que foi?
- Vai beber alguma coisa?
- Me dá uma batida.
- OK. - pegou uma garrafa de cerveja e me deu uma batida. - Espera aí, nossa banda vai tocar uma música. Fique bem aqui ok? E vê se gosta. – Ele deu seu melhor sorriso.
- Eu espero.
Vi ele indo atrás de e voltei a procurar Max, sem sucesso. Até que a luz do pequeno palco acendeu. Eu realmente queria ver tocando e... Calma aí, essa música! Eu conheço ela. De algum lugar...
- Ei , . – Max me cutucou.
- Max, o que você tá fazendo aqui?
- O mesmo que você, uma festa. O que se faz em uma festa?
- Escuta a música da banda que está tocando e pára de encher o saco das garotas que tem namorado.
- Então eu posso encher o seu saco. – Ele se aproximava.
- Eu já dise que tenho namorado!.
- Então, onde está sua aliança? Resolveram dar um tempo?
- Cala a boca.
- Não. Me escuta. Eu vim pra cá porque eu quero você, deu pra entender? Eu dispensei aquela garota gostosa pra vir aqui te ver!
- Então vai atrás dela, por favor. – Voltei a prestar atenção na música que tocava. Não era MESMO desconhecida. Eu já tinha escutado aquele “It’s all about you”.
Quando eu estava prestes a descobrir, Max me puxou. Ele olhou nos meus olhos e meu beijou. Não podia me separar dele, eu queria, mas algo me forçava a continuar. Quando me separei dele, olhei diretamente para . Ele me fuzilou com os olhos. Me fez sentir culpada, errada.
“Said you make my life worthwhile, it’s all about you"
Eu sabia que conhecia essa música. Não podia ser, mas era. “Você tem certeza que me conheceu ontem?“. A frase de fez mais sentido agora. . Não poderia acreditar.
6.
Quando encontrei , ele estava no bar, uma garrafa de vodka em uma mão e uma garota na outra.
- Gostou da sua música, ? – Ele disse sarcástico.
- . Como eu não me lembrei?
- Talvez eu não tenha sido tão importante para você como você foi pra mim.
- Não fale besteiras.
- Você fez a pergunta. – Ele deu outro gole na garrafa. – Eu só respondi. Satisfeita?
- Esquece, ok? Vem falar comigo quando você estiver sóbrio. E sozinho. – Lancei um olhar para a garota ao seu lado. – A chave está embaixo do tapete.
Cheguei em casa com a cabeça rodando. Havia cometido um erro enorme e jamais me perdoaria. Ouvi a porta abrir quando eu estava sentada no sofá e caiu na porta.
- O que aconteceu? – Fui ajudá-lo. Ele apenas riu e coçou a cabeça.
- Deixa que eu ajudo. – A vadia apareceu na porta. – Onde é o seu quarto? – Ela passava a mão embaixo da camisa de , ele sorria.
- Sua imbecil! Não está vendo que ele mal agüenta parar em pé?
- Eu perguntei alguma coisa?
- Não. Mas você está na MINHA casa e se eu falei que é pra você ir embora, você vai!
- Você acha que é quem para falar comigo assim?
- Não interessa, sai daqui! – Fechei a porta na cara dela.
- Você estrãgól minhã divérsão. Ic. – falava mole.
- Diversão, há. – Bufei. – Você vai tomar um banho frio agora.
Empurrei-o até o banheiro ouvindo as reclamações sem sentido dele. Quando liguei a água, ele quase teve um treco. Gritou, chorou, riu, me bateu e deu ataques gays. Coloquei ele embaixo do chuveiro e tirei sua camisa vomitada.
- Queria me ver sem camisa? Era só falar.
- Se enxerga, . - Tirei ele da água e o coloquei sentado no vaso sanitário.
- Seu pijama está aí. Toma banho direito e se troca que eu vou buscar uma aspirina.
- OK. – Ele disse de mal vontade. - Peguei a aspirina e um copo de água e coloquei em seu criado-mudo. - Obrigado – Ele chegou atrás de mim e me assustou.
- Era o mínimo que eu poderia fazer depois de tudo.
- A gente poderia esquecer tudo e começar de novo.
- É uma boa idéia. Mas calma... tem uma coisa que eu não quero esquecer.
- O quê?
- Aquela música. – Corei.
- Você lembrou de mim por causa da música, certo?
- Eu reconheceria aquela música até se ela fosse remixada e cantada em japonês. – Ele riu, mas não era pra ser engraçado. – Você mudou muito desde aquela época.
- Ah, sim. Obrigado por me chamar de gordo. – Ele rodou os olhos.
- Não é isso, . Eu não sei. Não consigo assemelhar seu rosto com aquele garotinho.
- Falando assim até parece que eu tinha quatro anos. – Eu ri.
- Não, mas...poxa. Foi o melhor ano pra mim.
- Idem.
- Bom, eu preciso dormir, te vejo amanhã, danone.
- Há, você lembrou!
- Claro. – Minha vez de rodar os olhos. – Eu sempre te chamei de danone porque você nunca me contou o seu nome.
- Eu lembro, você achava que eu era um alien.
- Eu ainda acho.
- Anyway...
- Preciso mesmo dormir.
- Espera, posso te fazer uma pergunta, ?
- Fala rápido.
- Você... – Ele coçou a cabeça. – Você me ama?
- Tome sua aspirina , . Amanhã tem aula e eu não vou te deixar faltar. E...ah, durma bem. – Mandei um beijo e apaguei a luz do seu quarto.
- Ela me ama. – Ouvi ele dizer, dando um sorrisinho.

