Pára de Me Interromper!

Autora: Bee[Fe]
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: Tom Fics
Sub-Categoria: Comédia/Romance (ou tentativa) - ShortFic
Nota pelo desafio: 9,5.
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Londres, lugar entediante em que moro. Eu sei, você está provavelmente querendo me matar depois dessa afirmativa. Mas há muito tempo eu sinto que aqui não é mais o meu lugar. Eu já viajei o mundo inteiro com minha banda, hipérbole, hipérbole, hipérbole falar isso. Mas pelo menos uma boa parte do mundo eu conheço e juro que qualquer lugar que não seja no Reino Unido seria melhor pra mim. Principalmente se fosse onde...

-TOMatinho vermeeeelho, pela estrada rolou...
-Rolou!
-Um grande caminhoneiro o TOMatinho encontrou...
-Encontrou!
-Coitado do TOMatinho, pobre do TOMatinho...
-Catchup virou, catchup virou. –Ok, ok. Se você ainda não conhece essas duas criaturas felizes que cantaram essa música babaca eu os apresento, eles são respectivamente: Danny Jones e Dougie Poynter. E eles amam cantar essa música desde que ensinaram a eles.
-Pegue sua guitarra e pare de sonhar.- Dougie falou enquanto afinava seu baixo. Legal, me acordaram de um devaneio no mínimo, como diria uma amiga, supimpa para ensaiar. Isso teve sonoridade parecida com a do Gregory House* quando falam de trabalho.

Eu só peguei a guitarra e coloquei a alça no ombro. Afinar instrumentos é para fracos. Na verdade é pra gente com paciência e isso eu não estou com nem um pouco. Porém entendo perfeitamente que a banda depende de mim, por isso fiz minha melhor cara de Thomas Michael Fletcher abandonado e pedi para Danny afinar. Eu preciso dizer que ele não afinou? Maldito manipulador de afinadores de guitarra!
Começamos a ensaiar. Sol, si menor, dó, ré , ré novamente, sol, si menor mais uma vez.
I’m makin’ a list of things that I missed…

Ótimo, boa música para se lembrar que a me mandava fazer voz de homem nesse falsete e ainda me falava da estranha tara que ela tinha em bater em minha cara. E da mais estranha mania de querer desinfetar minha covinha para poder beijar, alegando que a pobre deveria ter baba até do cachorro que eu tive na infância. Ela deve ignorar o fato de eu gostar de higiene pessoal e de que mamãe me ensinou muito bem onde eu devo usar o sabonete, a pasta e o cotonete. Mas manias, cada qual com a sua.
-Eu tinha pra mim que a gente não parava nessa parte Tom. Mas é apenas um palpite.- Harry falou como se não quisesse nada. Interrompendo meus devaneios. Acho que isso é uma nova moda.
-Oh, uma nova versão!- Eu ri e voltei a cantar. Eu realmente espero que o Dougie não me expulse a vassouradas da casa dele como ameaçou fazer na vez passada, caso eu não ensaiasse direito . Afinal sabe-se lá onde ele vai usar a vassoura. Eu tenho a impressão que não seria na minha cabeça. Oh isso foi nojento!

Com muito sacrifício eu estou conseguindo cantar meus falsetes com uma voz especial e agora estamos terminando a música. Meus dedos estão felizes. Vai ter pestana assim lá longe!
-Qual música agora?- Dougie perguntou tomando água. É água, é raro a gente beber isso, mas às vezes acontece, reza a lenda que é saudável.
-Pela ordem é Falling in love.- Judd olhou pra mim como se perguntasse se eu poderia tocar aquela música. E creio eu que esse momento exija uma pausa para explicação. Falling in Love era o toque do celular da. E antes que você ressuscite o “Who the hell is she?” de 5 Colours, eu explico.

, apelidada por uma amiga de . anos, conheci no meio do ano aqui mesmo na Inglaterra. Eu não sei ao certo a nacionalidade dela, mas sei que sabe falar Italiano, português, inglês e um espanhol bem estranho. Então vou chutar qualquer uma das nacionalidades que falam essas línguas. Ela estava fugindo de compromissos viajando pelo mundo. Falou que não agüentava mais estudar e que só retornaria ano que vem, ou seja 2009, para entrar em uma faculdade. Então ela tirou o segundo semestre desse ano para viajar como mochileira. Mas antes que pense que o cabelo dela era algo parecido com o do Dougie quando ele não cortava e lavava, eu digo que você está enganado. Ela tinha os cabelos mais sedosos e brilhantes que me lembro. Eram cachos desordenados, mas que combinam com a aparência excêntrica que ela tem.

-Hey?- Danny estralou os dedos na minha frente. Já está ficando chata essa história de interromper meus pensamentos.
-Você pode tocar essa música?- Harry perguntou.
-Está duvidando dos meus dotes de cantor e guitarrista?- Eu levantei minha sobrancelha, na verdade tentei levantar. O bom com isso é o Harry.
-Não, quem faz isso é a .- Dougie parou de tomar água.
Os garotos olharam para ele como se ele tivesse cometido um erro muito grave.
-Ah o que foi agora?- Ele perguntou.
-Anda convivendo muito comigo, o lerdo sou eu. - Danny olhou meio agressivo para Dougie. Confesso que achei que nunca fosse ver uma atitude assim do Danny. Realmente ele cresceu.
-Gente, está tudo bem, ok? A gente pode e deve ensaiar essa música.- Eu comecei com os acordes e isso fez com que eles parassem de brigar. Ótimo, agora eu sei como fazer a gente parar de brigar, é só começar a cantar.

Eles estão me acompanhando e eu sinto o olhar de Harry sobre mim. Mas não há nada errado. Eu não vou ter um ataque no meio da música e jogar minha (amada) guitarra no chão para sair correndo pela porta, eu sou forte.

Pausa para outra explicação. O porquê de eu ser forte. Além de estar adquirindo músculos com o passar do tempo, eu também amadureci. De um modo forçado e acelerado, porém eficaz. O que vem sendo bem utilizado nessa época. Afinal a causou uma crise nos meus cinco anos de namoro com a Giovanna. Éramos ou somos, não sei ao certo, um casal forte. Mas dessa vez a minha (ex?) namorada de alguma forma se sentiu ameaçada. O pior de tudo é que a não fez nada demais pra Gio. Ela disse achava a Gio a melhor entre as três. Admitia que elas eram bonitas, exceto a Olivia. costumava dizer que se existia alguém com um gosto mais estranho que o meu para moda, esse alguém era a própria, e se existia alguém com um gosto mais estranho que o dela para moda, esse alguém era a Olivia.

Então à medida que nós ficávamos amigos da estrangeira, a Gio se distanciava e num dia em que estávamos todos na minha casa, inclusive a , ela deu o ponto final e me deixou sozinho. Não atende os telefonemas até hoje. Mas não é só isso que está exigindo força de mim. A se tornou uma pessoa essencial para o grupo. É como aquela amiga irmã que a gente sempre quis ter. Além de tudo ela era sincera o bastante para me mandar catar coquinho, como ela mesma dizia, quando necessário. E há tempos nós não éramos tratados assim por uma garota.

Ela era a nossa mãe às vezes. Amava mandar, mesmo sendo mais nova que a gente. Ela dava conselhos e ainda xingava o Dougie quando fazia burradas. E como já disse, me mandava fazer voz de homem em Do Ya. Falava que o Harry iria ficar careca e que o Danny tinha uma voz incrível. Pensando bem ela traumatizou a gente, mas de um jeito especial. Afinal, apesar de tudo o que ela falou, nós sentimos falta das suas besteiras e dos seus palpites. Danny costuma dizer que ela é a nossa parte gay que andava perdida pelo mundo.

-Olha, telefone! –Harry gritou. Tudo bem eu vou perdoar essa interrupção.
-Residência de Dougie Poynter!- Ele exclamou e logo soltou uma gargalhada. Eu acho que todos aqui sabemos quem é que está fazendo o Dougie rir agora.
-Eu sou importante!- Ele rebateu colocando a mão na cintura.- Como assim ligou para falar com meus lagartos? QUÊ? ELES NÃO SÃO MAIS BONITOS DO QUE EU! – Ela está brincando, mas o jeito que ela brinca parece ser tão verdadeiro que até dá medo
. -Ah, além de tudo quer ser colocada no viva voz? Você acha que merece?- Ele agora ria.- Não , você não é gostosa. –Ah, ela sempre explica seus motivos com um “é porque eu sou gostosa.”-É lógico que eu não estava de brincadeira.
Harry, Danny e eu só estamos observando, tenho certeza que temos o mesmo objetivo de descobrir o que ela está falando.
-E onde é que você está, hein sua maluca?- Ele perguntou. Eu não estou respirando nesse momento.
-Está brincando! Você é uma sem graça! A gente aqui penando pra fazer o Tom tocar direito e você aí na Califórnia? Você merece um puxão de orelha por fazer isso com a gente!- Dougie apertou o botão de viva voz.
-Ah qual é Dougie, eu sei que vocês estão todos bem, se pegando como sempre fazem e ensaiando usando meias. Er... ignorem a parte das meias, eu acho fofo garotos de meia...
-, deixa de ser gay!- Harry falou.
-Oi Judd!- Ela falou animada.- Bem, até hoje de manhã, a última vez que tomei banho, eu ainda era uma garota. Então eu posso achar meninos que usam meias fofos.
-Você ia adorar o Danny.- O Dougie soltou um comentário maldoso. Ela riu.

Eu não tinha percebido o quanto essa gargalhada me fazia falta. Parece loucura, mas em cinco anos de risadas com a Gio não tive nenhum momento como esse agora. A risada escandalosa dela me fez tão bem quanto uma boa dose de vinho tinto ao final do dia.
-Alguém quer amendoim? –Ela perguntou.
-Você está comendo e falando com a gente?- Eu perguntei.
-Tom!- Ela gritou mais alto do que gritou para Harry.- Eu posso dizer que vi ambigüidade nisso?
-Não traumatiza o Dougie!- O Judd respondeu.
-Tá, bebê Poynter finge que não escutou nada do que a tia disse.
-Sem graça.- Dougie deve estar com saudade, ou já teria cortado a garota.
-Mas sim, estou comendo amendoins enquanto eu falo.-Ela respondeu e um barulho ensurdecedor se fez presente.
-Vai sujar o telefone.- Danny comentou.
-Danny!- Tá ela gritou bem mais para o Danny.- Não tem problema é um telefone público. Ai merda.- Ela falou e nós ouvimos trovoadas.- Ah não! Chuva!
-Hahá! Tá chovendo na Califórnia! Toma ! Vai assanhar a gente! Garanto que vai estragar sua chapinha!- Dougie pulava entusiasmado. Incrível como ele gosta da desgraça alheia. E o pior ainda é que também está chovendo aqui. Coincidências sempre me assustaram.
-Dougie, eu não uso chapinha.- Ela falou com aquela voz que indica ‘ como você é estúpido!’.- E eu gosto de chuva, mas com a sorte que eu ando, é capaz de cair um raio bem do meu lado. Guys, se eu morrer saibam que vocês são a banda mais gay que eu já conheci. E que eu me orgulho de ter conhecido vocês. E se forem ao meu enterro vão vestidos de mariachos. E não esqueçam de ensinar a minha irmã a tocar Broccoli, afinal eu tenho certeza que não é aquela polca paraguaia que ela toca.
-, você não vai ser atingida por um raio. Chata como você é, eles fogem de você. Se você não der certo na sua profissão, vire pára-raios!- Harry disse e ela ficou em silêncio.
-Piadinha ruim hein!? Ah e por falar em profissão, adivinhem quem tem nota o suficiente para entrar numa faculdade?- Ela berrou.
-VOCÊ!- Eu gritei. Eu estou feliz, muito feliz. Afinal era o que faltava na vida dela nesse momento. Além de um namorado, como ela dizia. E agora eu até entendo porque ela provocou algo na Gio, pois ela provocou algo em mim que eu nunca tinha sentido por outra fã estranha. Eu me importo muito com ela... e não sei até que ponto isso é bom.
-Sim! Não é onde eu queria, mas eu realmente estou feliz em ter conseguido. Gente, seguinte. Eu vou ter que desligar, está escurecendo e meninas boazinhas e gostosas não devem andar sozinhas à noite. Isso sem contar que a minha blusa é branca e a chuva fez algo que não devia ter feito aqui... – Ela falou envergonhada. – Mas sem problemas eu ainda tenho o casaco do Dougie na minha mochila.
-Hey!- Dougie protestou.
-Ah, lembrança. Sempre carrego uma de algum lugar que eu fui, e o cabelo que eu cortei do Danny não vai ser útil agora.
-VOCÊ FEZ O QUÊ?- Danny está desesperado.
-Nada. E lembrem-se: mesmo vocês sendo os maiores chatos que eu já conheci eu os amo.

E agora só estamos com o tu,tu,tu,tu que o telefone faz. Eu depois desse telefonema eu entendo o que a Giovanna tentava me falar. Eu me apeguei mais do que eu deveria a essa garota, eu entendo a preocupação excessiva dos garotos. Eu compreendo tanta coisa que antes eu achava sem ligação alguma. Eu nunca quis tanto estar na Califórnia como estou querendo agora. Não que eu esteja apaixonado ou qualquer coisa. Mas eu me sinto num momento que somente uma pessoa seria capaz de me animar. E com todos esses bilhões de habitantes do planeta, nenhum pode preencher o espaço que está vago aqui. Nenhum, exceto ela.

-Ah qual é! Tom pára de sentimentalismo. Aviões existem para aproximar as pessoas. Você sabe até teoricamente pilotar um. Sem essa de depressão. Só quem pode ter depressão aqui sou eu, pois acabei de parir os filhos do Judd.- Dougie falou de um jeito brincalhão.

Nós demos uma risada pequena e logo depois Danny foi assaltar a geladeira do Poynter, roubar comida dos lagartos dele. Já que eles sempre comem melhor do que nós quatro juntos.

Mas eu estou sem saco para qualquer coisa e anunciei que estou indo para casa. Agora estou aqui olhando para minha janela e me perguntando o que eu fiz da minha vida. Abri a porta e percebi malas ao lado do sofá. Malas femininas. Por algum motivo eu estou radiante por dentro. E se for ela? E se ela tiver voltado pra ficar aqui? Mas o sentimento logo passou quando vi que Giovanna estava sentada no sofá.

-Olá Tom.-Ela foi curta. Isso machucou muito, muito mesmo.
-Oi Gio.- Sentei de frente para ela.- As malas são...
-Minhas.- Ela indicou com a cabeça.
-Mas tem muita roupa aí.- Eu comentei.
-Todas as que eu possuo.
-Acho que todo mundo esperava que a gente fosse casar.
-Para você ver.- Ela comentou com o jeitinho meigo dela.
-Então é só isso?- Está certo, nossa história nunca vai ser um ‘só isso’.
-O fim? Olha Tom, eu realmente não queria acabar com tudo. Mas eu sei que se eu continuar com você essa história vai acabar mal. Eu vejo isso nos seus olhos, o olhar que você lança para ela é o mesmo que lançava para mim quando a gente começou. O mesmo brilho e a mesma vontade de abraçar. Tom, eu sei que a gente tenta se enganar quanto tudo isso, mas pára. Existem coisas que podemos lutar contra e conseguimos ganhar, mas no entanto há tantas outras que somos tão impotentes que se entregar, evita sofrimento. Eu não quero que você pense que eu estou desistindo de você. Quem ama, procura a felicidade do amado e eu sei que a sua não está mais comigo.

Ela não me deixou falar. Levantou e me deu um abraço forte. Beijou minha bochecha e permitiu que eu a ajudasse com as malas. Coloquei-as no meu mini e agora estamos aqui num aeroporto esperando ela ser chamada para um vôo. Itália. Lugar fabuloso. Gio sempre teve bom gosto.

-Eu acho que é o seu vôo.- Eu disse. Ela sorriu.
-Eu quero que você se cuide. Eu volto em dezembro. Te vejo no Natal!- Ela sorriu com uma carinha sapeca e eu a abracei. Fiquei com meus olhos colados no avião que ela havia entrado para o ver decolando e levando uma pessoa que eu sempre vou admirar e amar, eu sei que pode parecer estranho eu falar isso. Principalmente depois de tudo que ela falou e que eu concluí. Mas eu já disse, eu não seria capaz de parar de amar uma pessoa como a Gio, há várias formas de amar. A que agora estou sentindo é a de querer o bem dela e querer que ela dê certo nas novas escolhas, e não a antiga que era querer ao meu lado para o resto da vida...

Coloquei minha chave na ignição e rumei para casa. A noite sempre cai como uma luva nesse momento, a escuridão e a lua sempre me inspiraram e de alguma forma me acalmam. Parei em um semáforo e resolvi ligar o rádio. Por ironia está tocando uma música numa das tantas línguas que a fala. E se eu não sou tão ruim de ritmo, como tenho certeza que não sou, essa música fazia parte do repertório do que ela gosta..

Dirigi pelas ruas londrinas, parando em todos os sinais e pensando. Fiquei surpreso de como Falling in Love está emplacando, em umas três rádios diferentes eu ouvi a música, é estranho ouvir sua própria voz sem você estar falando... E agora eu acabei de pôr o pé em casa e não tenho o que fazer. Os meninos devem estar colocando a casa do Poynter de cabeça para baixo. Mais do que já é. Então talvez até volte a ser uma casa normal, já que como negativo com negativo dá positivo...

No que eu estou pensando? Eu preciso pôr em ordem meus pensamentos. Maldita seja a que fez isso com a minha vida! Antes de eu estar em desespero num banheiro químico pedindo papel à Giovanna, que gritava do lado de fora do banheiro, que só tinha absorvente na bolsa, minha vida estava perfeitamente bem. Gravadora nova, namorada, vida estável. Daí me aparece uma maluca maníaca por lenços umedecidos e fala que poderia ser mais útil que absorventes.

Então eu paro e me pergunto. Por que alguém que não tem um bebê carrega lenços umedecidos na mochila? Então penso um pouco mais e me respondo. Quando se é mochileiro não se tem água a torta e a esquerda como se tem quando é um viajante normal. Está bem que a falou que tinha mania de tomar banho todo dia, mas nunca se sabe, não é?

Então nós aceitamos a ajuda, me sentindo um bebê com aquelas coisinhas cheirosas e ela entrou na nossa vida com um simples “ Olha você é o Tom do McFLY!” E eu realmente fico grato por o Harry não estar presente nesse momento. Já que ouvir que eu sou o Tom do McFLY foi desestimulante. Depois de eu oferecer algo pela ajuda, ela respondeu que seria legal indicar um lugar para ela ir comer. Giovanna foi mais solícita que eu a convidou para um almoço em nossa casa. E como Harry, Danny e Dougie não dispensam comida eles vieram. Conversamos bastante e Danny a adotou como inquilina por uma noite. Ela alegou que era faixa azul em Judô –depois descobrimos que não era muita coisa, na verdade, a terceira faixa da escala- e que saberia se defender.

Então o tempo passou e a Giovanna percebeu tudo que eu, lerdo demasiadamente, não havia percebido. Foi embora e a estrangeira seguiu seu caminho pelo mundo. E quando ela telefona e eu ainda sou patético o bastante para achar que o que eu sentia por ela era só uma curiosidade. Então agora me pego pensando que eu tenho uma forte atração por aquela maluca mandona. Que eu quero estar com ela para a descobrir, quero entender o que ela pensa e quero entender os sinais que ela exala. Ela falou que o toque do celular era uma homenagem. Não disse a quem. Imaginei que era à banda. Mas não, eu estou me surpreendendo com a minha lentidão.

Eu a quero e agora ela está a milhas e milhas daqui. Entrando em uma faculdade para ficar presa por mais alguns anos. E quando estiver novamente livre para viajar pelo mundo,vai estar com um namorado que quando conhecer o McFLY, vai querer ajuda para a pedir em casamento. Ela vai chorar, vai se casar e vai pedir para eu ser padrinho do primeiro filho e Danny do segundo. Harry então vai sentir ciúmes e junto com o Dougie vão iniciar uma campanha para que ela tenha mais dois filhos. Então quando ela estiver com uma família completa, eu vou olhar para ela e vou sentir vontade de me bater. Porque outro cara vai ter a família que eu queria ter, com a pessoa que eu quero no momento. E depois disso eu morro solteiro e infeliz. Valeu quem escreveu o meu destino! Roteiro mais clichê!

“Tom, você precisa de um toque de macho.” Legal, agora eu estou ouvindo a voz dela. E novamente, e mais uma vez e coincidentemente esse virou meu toque de celular. Já que vejo todas as cores avisando que ele está tocando. -, eu não preciso de um toque de macho!
-Precisa sim!- Ela respondeu e eu pude ouvir barulhos ao seu redor.
-Não, não preciso. Que barulho é esse?
-Barulho de restaurante.
-Não está tarde demais aí pra você estar comendo?
-Nunca é tarde para se comer.- Ela riu. Sim, tenho certeza que ela viu ambigüidade.- Sabe quem me ligou? HEY MARCEL! NÃO ROUBA MINHA COMIDA NÃO!

Legal, Marcel é o cara que vai acabar com meu destino. Prazer Marcel, Thomas Fletcher. Otário demais, ah sim e eu posso tocar piano enquanto você pede a garota que eu quero em casamento.
-Quem te ligou?- Garanto que foi o Marcel e agora vocês estão em um encontro.
-Giovanna. – Meu sangue gelou. Mas ela não estava num vôo? Quanto tempo leva um vôo da Inglaterra à Itália?
-Ahm...
-Você é um bundão.- Ela reclamou.
-É, dizem que é grande. Mas por que a ofensa?
- Você me disse que ela era a mulher da sua vida e agora você a deixa ir à Itália para só voltar no Natal?
- Eu sei que eu vou me arrepender, mas eu vou falar.
-A mulher que eu quero pra minha vida está agora falando comigo.

Sabia que eu ia falar merda. Beleza agora eu estraguei tudo. Thomas você é um boca aberta mesmo!

-Piadinha sem graça essa a sua. Garoto não me faça voltar à Inglaterra e puxar essa sua orelha albina! Mas olha, eu te ligo daqui a pouco, Estão querendo expulsar a gente daqui. É tarde para os padrões americanos, sabe como é. Mas promete pra mim que vai ficar longe de facas, cadarços ou qualquer coisa que poderia causar mal a você? Se a covinha estiver desinfetada, beijos nela. Se não tiver, vai ficar sem beijinho para aprender a desinfetá-la. Boa madrugada.

Não acredito que já é madrugada! Estou aqui olhando pela janela o céu. Escuro, poucas estrelas e a lua imponente e brilhando. Por um momento tive esperanças. Mas elas já se foram. E agora é melhor eu ir dormir.



Estou sentindo o sol bater na minha cara. Eu sei que é hora de acordar. E eu me pergunto por que não fechei as cortinas? Começando assim, esse dia só pode significar uma coisa: vai ser um saco. Nada marcado para fazer de manhã e nada marcado para fazer à tarde. À noite eu vou a algum lugar que eu não tenho idéia de onde fique. Muito legal. Pior ainda é não ter idéia de onde a minha agen... Legal a roubou de mim a agenda. Isso foi golpe baixo! Eu tinha letras de músicas lá! Mania maldita de pegar coisas para recordações. Mas reivindicarei! Cadê meu celular?

Tomara que eu a acorde!

Um toque
Dois toques
Três toques e...

-Você é um homem morto Tom!- Adoro o humor matinal das pessoas.
-Você é uma menina morta se não me devolver a minha agenda.
-Isso não é hora de me ligar para pedir agenda.
-Se eu não me engano aí deve ser quase de manhã
-Justamente, hora de gente boêmia dormir.
-, eu preciso da minha agenda!
-Tom...eu.
Maldita campainha!

-Oi!-Abri a porta e vi a falando comigo no celular.

Desde quando a Califórnia é perto assim?

Ela sorria e eu vi que sua mochila não estava com ela. Algo realmente estranho, já que ela não abandona aquilo.
-Bom dia Senhor “Você é uma menina morta!”- Ela riu. As pessoas poderiam parar de imitar minha voz, principalmente ela que não é boa nisso e fica uma mistura de pato e javali.
-Cadê minha agenda? Onde está a Califórnia e o que você está fazendo aqui?- Eu perguntei nervoso e embaralhando tudo. Sinceramente “ Cadê a Califórnia?” não é uma pergunta decente.
-Sua agenda está onde você sempre deixa, já que eu roubei outra coisa de você. A Califórnia está no mesmo lugar de sempre, creio eu. E eu estou aqui para fazer matrícula na faculdade. – Ela sorriu e espiou para dentro da minha casa.
-Você quer entrar não é?
-Só estava verificando uma coisa...- Ela disse entrando e se tacando no meu sofá.
-Tipo...?
-Se a casa está propícia para uma garota pura e inocente entrar.
-Ahm... E cadê ela?- Eu me sentei a sua frente, dobrando meus joelhos numa posição de ‘indinho’.
-Vai ter humor inglês assim lá longe! –Ela revirou os olhos.- Ela está na sua frente.
-, eu sou inglês.
-Isso me faz rever a teoria que criei. De que todos os ingleses são gostosos.- Isso foi a pior coisa que eu já ouvi. Isso que ela alega ter comprado todos os Cds e que sabe quase todas as músicas. Mulheres, complicadas demais para eu entender... Agora jogando uma questão no ar... Como o Jones se vira nos relacionamentos?
-Lógico, qual é a graça de murchar meu ego?
-É ver a carinha fofa que você faz. É algo como “ Mamãe falou que eu sou lindo. Eu acredito nela e em todas as fãs que me acham gostoso. Olha a minha covinha.”- Ela novamente me imitou.
-A parte de ‘olha a minha covinha’ foi sem contexto algum. –Fiz minha melhor cara de esnobe. – Mas... como você chegou tão rápido aqui?
-Voando.
-Isso foi vago.
-Sua pergunta também
-Tá, como você está aqui hoje às 9 da manhã se há pouco tempo estava com o Marcel em um restaurante?
-Isso é que eu chamo de objetividade! A questão é que eu estou aqui há dois dias. Vocês são lerdos demais para perceber. Pense, como eu sabia que eu tinha que ligar na casa do Poynter e não na sua, que é onde geralmente vocês ensaiam? Como você acha que eu sabia que a Giovanna tinha ido à Itália? Ou melhor, como você acha que ela do nada resolveu se acertar com você? Isso tudo é fruto da minha mente perigosa.- Ela sorriu orgulhosa.
-Você anda lendo muito Sherlock Holmes!- Eu sei foi a observação mais idiota que eu já fiz.
-É, um vôo da Califórnia a Londres dá muito tempo para você ler o que quiser. Mas e aí, não vai me perguntar quem é Marcel?- Os olhos dela brilharam. Isso é tudo para eu sentir ciúmes?
-Quem é Marcel?- Perguntei com a voz mais entediada o possível
-Meu Hamster! –Bem típico dela, brigar com um Hamster, e ainda o levar a um restaurante. Eu tenho medo dessa garota!
-Ahm...
-Seu filho.
-QUÊ?- Só falta essa agora.
-Se ficarmos juntos você ainda vai ter que chamá-lo de filho. Limpar fraldas e dar mamadeira.- Ela riu da própria insanidade.
-Do que você está falando?
-A Gio me contou muita coisa...- Ela fez uma cara séria. Pela primeira vez eu vi essas feições no rosto delicado dela.
-Ela te contou...?
-Que você me acha gostosa! Mas disso eu já sabia.- Ela piscou e soltou uma gargalhada.- Na verdade ela explicou o porquê de ter saído assim, e ter saído quando eu pisei na casa de vocês. Pode parecer que eu não tenho um pingo de consciência, mas eu tenho. Eu precisava pedir desculpas por qualquer coisa que eu tivesse feito, então eu fui atrás dela. Eu rodei nesses dois dias praticamente Londres inteirinha, e então eu a encontrei no parque em que você gastou todos os meus lencinhos umedecidos, por falar nisso você ainda não me comprou um pote novo, mas voltando ao assunto... Eu conversei com ela, ela me disse que precisava deixar as coisas claras com você, ela acima de tudo não queria se machucar. Então ela te deixou. Tom, você não tem idéia do quanto é difícil para nós duas. Ela falou que em um triângulo amoroso quem deve escolher é a parte que tem duas opções, e não ao contrário. Ela disse que você fez sua escolha mesmo sem perceber. Disse algo sobre olhos, mas isso eu não lembro muito bem. Então depois de tudo isso eu estou aqui na sua frente esperando qualquer reação sua para decidir o que a gente vai fazer. Só quero que saiba uma coisa, eu não amo você. Amor a gente adquire com o tempo, paixão pode ser algo para definir o sentimento, e loucura, pois eu estou disposta a enfrentar a sua legião de fãs, a legião que vai me odiar e a legião de fãs da Gio que não me odiar. Eu só queria saber se vale a pena eu estar disposta. O resto com o tempo a gente arruma. – Ela parou de falar e suas mãos repousaram sobre os joelhos. Eu me mexi da poltrona que estava e segurei as mãos dela.
-, você disse praticamente tudo o que eu acho, eu não sei realmente como denominar o que sinto por você. É uma vontade de estar perto misturada com uma curiosidade e necessidade. Pode parecer algo afeminado de se dizer, mas a verdade é que eu nem fiz questão de procurar minha agenda, eu queria era te ligar, saber quem era Marcel e apenas ouvir seu tão famoso humor matinal. , eu estou disposto a fazer você me amar, eu estou disposto a contar até dez para não brigar todo dia ao acordar. Eu estou disposto a até usar uma armadura como pijama. Eu estou disposto a parar para pensar no porquê de eu ter tanta disposição com alguém tão estranho e encantador como você. –Ela abriu um sorrisinho. Está aqui a prova de o que toda mulher quer é um cara romântico.
-Escovou os dentes?-Ela me perguntou com um olhar maroto
-Aham.- Eu respondi solícito.
-Então vai ter que fazer isso de novo. Eu quero tomar café da manhã.- Ela levantou e alisou a barriga.
-Você não quer aproveitar que minha boca está limpa para fazer outra coisa?- Eu sou esperançoso ok?
-Beijar?- Eu assenti.- Isso você vai ter que fazer por merecer! – Ela se aproximou de mim e lambeu minha covinha. Legal, mais um com essa mania.
-Ou- eu a segurei pela cintura.- Fazer você querer! – Esfreguei meu nariz na pontinha do dela. Ela fechou os olhos. Eu coloquei minha boca na bochecha esquerda dela e dei um pequeno beijinho, a senti enlaçar meu pescoço. Bom trabalho Tom, bom trabalho. Então, escorregando fui até a boca dela e encostei-as. Ela sorriu e logo minha língua pedia passagem para ela. Então a malvada maquiavélica mordeu a minha língua.
-Meninos maus não merecem beijinho.- Se distanciou. Espera aí! Tá faltando o quê? O chute nas partes baixas? Ou o...
-Você falou que não beija quem não é namorado né?- Eu tinha que ter esquecido desse detalhe!
-Não mesmo. Mamãe que falou que é feio menininhas como eu sair beijando qualquer um por aí.
-Eu não sou qualquer um! Você me ofende!- Ofende mesmo! Estou falando seríssimo!
-Ah, alguém tem que chamar vocês para a realidade!-Ela deu de ombros.
-Não tem clima para te pedir em namoro agora!
-Clima para mim é calor, frio...
-Vai ser broxante eu falar: Quer namorar comigo?
-Fale então: Quer ser o meu ovomaltine?
-Quer ser meu pote de Nutella?
-Ui sou gostosa!
-Muito!- Eu sorri de um jeito cafajeste. Sou homem, não me repreenda!
-Está falando sério?- Ela corou! Ahá! Ela também cora! Achei que a super cara de pau dela não deixasse isso acontecer
-, eu não minto para você, não vou mentir e não quero mentir.- Então, ela reagiu. Ela se jogou nos meus braços e me deu um selinho. Eu estou confuso. O que eu disse para eu merecer um selinho?
-Sabe...-Ela começou.
-Hum.- Eu respondi colocando uma mecha do cabelo dela para trás.
-Eu me achava tão errada quando no começo senti atração por você, senti culpada em colocar sua música, na verdade a da banda, como toque de celular. Principalmente depois que eu lancei a indireta. Nesses dias fora da Inglaterra eu fiquei realmente pensando em tudo. Eu não sou o tipo de menina que fica de boca aberta por contos de fadas. Eu sempre preferi os caras mais inteligentes. Mas então quando eu vejo um pequeno tumulto num banheiro e logo depois vejo um dos caras que eu mais admiro eu simplesmente me perdi. Eu queria me aproximar de você, mas era errado. Mas eu me aproximei, quando vi que eu havia causado uma grande devastação,o que eu não pretendia, eu fugi, fui pra Califórnia.Porém no dia em que minha mãe me contou da faculdade eu quase caí. Eu não podia me manter perto de você, correndo perigo de te encontrar. Então eu resolvi acertar as coisas. Liguei quando a saudade apertou demais e quando encontrei com a Gio recebi algo que eu não podia esperar. Às vezes me sinto suja por ter acabado com seu relacionamento. Desculpe mesmo.- Ela abaixou a cabeça.
-Você não tem que se desculpar. Minha vida antes parecia um dia padrão, uma segunda-feira. E daí você veio e acabou com toda a ordem existente e eu sinceramente gostei disso. Eu sei que você pode ter roubado coisa material, mas há uma que você levou e que eu não quero que devolva. Só quero que compartilhe.
-E ela seria...- Ela levantou uma sobrancelha.
-Meu coração.- Eu vi os olhos dela brilharem e o sorriso aumentar.
-Tom...- Ela me chamou.
-Fala
-Você já merece ser beijado.- E ao falar isso ela me puxou para o beijo mais doce e surpreendente que eu já dei. Às vezes as segundas-feiras podem te ajudar com músicas, mas sextas sempre vão ser melhores. Principalmente acompanhado da . Se bem que ela vai fazer os meus dias parecerem a mais agitada sexta-feira, mesmo sendo a mais chata manhã de trabalho.


--- Pequenino glossário xD:
Hipérbole: Se eu não estou bêbada e analfabeta, hipérbole é uma figura de linguágem que indica exagero.
Gregory House: Quem assiste a House M.D. entendeu o que eu quis dizer.Ele no início da série não fazia nada na clínica.
Para mais detalhes baixe a série. o/


FIM




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