So Many UNSAID Things

Autora: Pat Akemi
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: Danny Fics
Sub-Categoria: Romance - SongFic
Nota pelo desafio: 8,0.
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Nós dois estávamos sentados numa mesa na praça de alimentação do aeroporto. me encarava séria, batendo delicadamente as unhas na mesa, em sinal de impaciência.

- , dá pra parar? – Pedi a ela indicando a sua mão sobre a mesa. – Está irritando.

- Ah Danny, é que eu sempre fico assim antes de viajar. Sabe, pegar um avião e tudo mais. É medonho. – Ela disse pressionando os dedos com a mão fechada.

Eu soltei uma risada, enquanto me olhava, repreendendo. Ela morria de medo de viajar de avião. Apesar dela saber que aviões eram um meio de transporte muito seguro. Afinal, ela era uma das pessoas mais inteligentes que eu conhecia. Sério, às vezes eu ficava surpreso, não tinha nada que a não soubesse. Chegava a ser chato.

- Hey, o que você tem, Danny? – perguntou pegando uma de minhas mãos que estavam sobre a mesa, ao lado de minha xícara de café.

- Nada, eu só estava pensando...

- Pensando? Você? – Ela fingiu surpresa enquanto eu a cortei com o olhar.

- Você insiste em dizer que eu não penso, não é?

- E é mentira, Jones? – Ela perguntou soltando minha mão, rindo escandalosamente fazendo com que a atendente do café onde estávamos nos olhasse estranhamente. – Não, sério... – Ela respirou fundo recuperando o fôlego. – O que você tem?

- Eu só estava pensando, como é que vai ser agora hein? Quem é que vai me acordar todas as manhãs na hora certa? – Eu perguntei olhando para a espuma do meu café, lembrando que nunca conseguia acordar com o despertador, sempre ia me cutucar, mandando-me levantar.

- Você vai sobreviver. – Ela respondeu simples, colocando a xícara próxima a boca, sentindo o aroma do café, dando um pequeno gole em seguida.

Eu examinava silenciosamente cada movimento que ela fazia. Sempre o fiz. Sempre tive medo de me declarar para a , não sei ao certo, medo de perder sua amizade, a melhor que já tive. Ou simplesmente covardia. Ela me deixava assim, meu coração batia forte, e eu torcia para que ele se controlasse. Toda vez que ele resolvia me avisar que eu deveria falar e deixar a vergonha de lado eu sentia minhas mãos suarem, e aquele friozinho na barriga.

Sempre foi assim, desde que ela se mudou para Londres, para fazer faculdade. Eu prontamente dei um jeito para que ela fosse morar comigo. Bom, na verdade foi a amiga dela que me ajudou, , mas tudo bem, essa é uma história que não convém lembrar. Ela morava na Califórnia antes, eu a havia conhecido quando passou as férias de verão em Londres, ela estava na casa dos tios, que eram vizinhos de minha avó. Desde então, sempre nos falamos. Eu sempre soube que um dia ela iria voltar aos Estados Unidos, só acho que não estava pronto.

Eu não era apaixonado pela , acho que nunca me permiti tal sentimento em relação a garota que estava a minha frente. Mas tinha algo dentro da minha alma, que sempre dizia algo bom sobre ela, e sempre me empurrava em direção a .

- Escuta, , tem algo que eu preciso te dizer... – Respirei, tentando criar um modo de controlar meu coração que parecia bater do meu pé a cabeça.

- O que foi, Danny? – Ela me olhou sorrindo.

- Eu... Nunca te disse, mas... – Respirei de novo, provavelmente estava branco como o açúcar que há pouco havia derramado no meu café. Pensei no que iria dizer. Estou apaixonado por você? Eu te amo? Sempre te amei, só não sabia disso. Não, eu não podia. Estaria me enganando.

“Atenção passageiros do vôo 349 com destino a Califórnia, favor comparecer ao portão de embarque”.

Levantamos os dois o olhar para o teto, como se procurássemos a voz da mulher. Rimos logo em seguida, sempre fazíamos isso quando escutávamos uma voz do nada, vai entender.

- Então. É, é melhor eu ir andando. Digo, voando. – Ela brincou se levantando da mesa, pegando o casaco e me olhando. – Você ainda vai dizer alguma coisa, Danny? – Ela piscou rapidamente os olhos e eu pude ver ela desviar e voltar seu olhar para mim. Entendi que isso queria dizer que ela queria ir embora. Sempre era assim quando se sentia desconfortável.

Acenei que não com a cabeça, me levantando, deixei algumas notas embaixo da xícara e a olhei na minha frente. Tentando guardar cada pedacinho detalhadamente.

- Então é isso. Boa viagem. – Eu murmurei e ela me abraçou. Fechei os olhos, sentindo o perfume dela tomar conta de mim. Ia sentir falta disso. Ter o perfume dela impregnado pela cozinha durante o café da manhã. Ou de escutá-la cantar quando mexia no computador e pensava que ninguém estava olhando. Subitamente senti uma forte vontade de chorar, e não queria largá-la. Caso ela não tivesse me soltado, eu ficaria ali para sempre.

- Eu vou te ligar assim que chegar lá, Jones. Então fique de plantão no telefone, certo? Uma ligação internacional é bem cara, ainda mais para uma mera ajudante de cozinha. – Ajudante de cozinha. É, ela estava indo para lá trabalhar em um renomado restaurante. tinha se formado em gastronomia há alguns meses. Mais uma coisa que tinha me acostumado, ter uma chefe de cozinha em casa.

Ela me deu um beijo na bochecha, murmurou um tchau, e se virou. Tínhamos combinado que eu não iria até o portão de embarque. Não sei ao certo o porquê. Suspirei, e tomei o rumo contrário.

Sai do aeroporto encarando o céu nublado e uma Lua disfarçada por trás de pesadas nuvens. Senti falta de enxergar o céu limpo, o Sol nem se falava, também não aparecia há dias.

- Parece que até a natureza está conspirando com o meu humor. – Falei, indo em direção ao estacionamento do aeroporto, tentando esquecer o motivo de estar ali.

xxx


Acordei com aquela sensação de preguiça que nós sempre sentimos no começo de uma semana. Abri e fechei os olhos diversas vezes para espantar o sono. Sentei-me na cama, passando as mãos pelos cabelos, que provavelmente estavam bagunçados. Não que isso fosse novidade, mesmo que eu não tivesse dormido uma péssima noite, ainda assim, estariam bagunçados. Sempre estavam. Suspirei me lembrado que sempre reclamava pelo meu cabelo mal-comportado, soltei um riso pelo nariz. Menos de um dia que ela tinha ido embora, e eu já estava todo melancólico.

Vi meu violão jogado sobre a cama, aos meus pés. Gostava de brincar com a música nas horas vagas. Ontem tinha sido só uma forma de escape. que havia me dado aquele violão, ela sempre tocou muito bem, e eu constantemente desafinava o violão dela, até que ela me presenteou com um. Sorri, pensando em como tudo iria me lembrar ela.

xxx


- Por que eu nunca consigo achar a porcaria do pó de café, Bruce? – Falei para o Bruce, meu cachorro, que me encarava ao lado de seu pote de comida. - A sempre sabia onde estavam as coisas nessa casa, por que mesmo ela foi pra Califórnia, hãm?

Desisti do café, e resolvi simplesmente tomar um pouco de leite. Se é que encontraria o mesmo dentro da geladeira. Não me lembro de ter ido ao supermercado nos últimos meses, era tarefa da .

- Ah, que se dane a . Ela que resolveu me deixar aqui. Eu sou Danny Jones, posso me virar muito bem sozinho... Quero dizer, eu não estou sozinho. Eu tenho o Bruce. Quem precisa de algo mais quando se tem o Bruce? – Perguntei à cozinha vazia olhando meu cachorro balançar o rabo e em seguida se virar para o corredor. Suspirei, como vinha fazendo nos últimos dias. – Danny Patético Jones, isso sim.

Bufei, esquecendo a idéia de comer em casa, indo atrás de um casaco para ir a alguma lanchonete.

- Bruce, eu já volto. – Avisei meu cachorro. Estou dizendo, patético. Se ao menos o Bruce soubesse falar.

Liguei o carro e junto o aquecedor. Fazia um friozinho agradável nas ruas, mas eu definitivamente preferia sentir as pontas dos meus dedos.

- A Califórnia deve estar linda... – Respirei fundo, sentindo uma mistura de angústia com saudade. – Não adianta pensar nisso agora. Ela já foi, eu não me declarei, e serei eternamente o melhor amigo que dividiu as despesas de uma casa. Idiota.

Resolvi jogar aquele assunto para o lado. Liguei o rádio, música é sempre bom para espantar os males, certo? Fiquei escutando o fim de I miss you, do Blink, é, aquela rádio sempre tocava essas músicas um pouco esquecidas pelo mundo. Era uma boa rádio. Meu amigo trabalhava nela, ri lembrando dos encontros que Edward promovia na lavanderia que a noite se tornava um grande point de encontro para músicos, aspirantes e admiradores. sempre gostou de ir até lá.

- Talvez eu devesse ir até lá hoje... – Murmurei batucando com os dedos no volante. – Ou qualquer outro dia...

Empty Apartment, do Yellowcard começou e eu notei o quanto aquela canção era irônica para mim no momento. Desliguei o rádio ao ver um simpático café a alguns metros.

xxx


Fazia duas semanas que a havia ido a Califórnia, e ainda assim, eu sentia sua falta. Claro, eu não esperava esquecê-la em alguns minutos. Mas pensei que com o tempo, ela fosse se tornar só uma lembrança.

Eu observei todas aquelas pessoas a minha volta, algumas sobre as máquinas de lavar e outras ignorando os cestos para roupas. Vi sorrir para mim, fazendo algum sinal que não entendi.

- O quê? – Eu falei alto tentando fazer com que o som da minha voz chegasse até ela, mas era impossível, todas as pessoas conversaram entre si e a música ambiente estava bem alta. Bom, não era então mais música ambiente... veio até mim segurando um violão, murmurando algo como “vá tocar”, e eu logo estava no palco. Eu retrucava, dizendo que não iria tocar, mas acabei sendo interrompido pelo ruído de um microfone, que fez todos se calarem, e olharem em direção ao palco, onde eu me encontrava.

Com o silêncio que se fez, eu podia jurar que estava escutando o barulho da chuva que começara há pouco tempo. Olhei em direção à janela próxima a mim, vendo as gotas de água baterem, sacudi a cabeça lembrando onde estava. Aquele pequeno palco era improvisado no local onde pela manhã funcionava o balcão da lavanderia.

Foi então que a vi ali perto, da porta, ela estava passando as mãos nos cabelos, e fechava o guarda-chuva. Esfreguei os olhos tentando ver se era verdade, procurei com os olhos pelas pessoas que estavam ali perto e a vi acenando para mim, sorrindo e me indicando que agora era guiada pelos amigos para uma mesa. Segurei o violão, me sentei no banquinho, posicionando o microfone e limpando a garganta.

Eu encarei meus pés balançando sobre o metal do banco e voltei meu olhar às pessoas à minha frente.

– Eu espero que a pessoa para quem eu dedico essa música, esteja aí hoje. Eu queria ter dito tudo antes que ela fosse embora, mas não tive coragem, nunca tive certeza... – Eu senti meu coração disparar, o meu discurso finalmente estava sendo dito. – Espero que não seja tarde. – Falei, respirando fundo, sorri, bati de leve nas cordas do violão e eu senti o mesmo coração de sempre bater fortemente no peito. – Ela se chama Falling in Love. – Eu pude vê-la ficar imóvel na mesa.

Everyday feels like a Monday
There is no escaping from the heart ache
Now I wanna put it back together
'Cause it's always better later than never
Wishing I could be in California
I wanna tell you when I call ya
I could've fallen in love
I wish I'd fallen in love

Meu coração não mais me obedecia, e eu cantava cada palavra daquela música com todo meu sentimento. Cada palavra, cada frase, cada nota da música me tocava e dizia algo que eu sentia.

Out of our minds and out of time
Wishing I could be with you
To share the view
We could've fallen in love
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh

Waking up to people talking
And it's getting later every morning
Then I realise it's nearly midday
And I've wasted half my life to throw it away
Singing every day should be a new day
To make you smile and find a new way
Of falling in love
I could've fallen in love

Eu notei que algumas pessoas se abraçavam e balançavam no ritmo lento da música, mas eu nem sequer prestava atenção nisso. Éramos só nós dois. Pelo menos por alguns minutos. Eu e .

Out of our minds and out of time
Wishing I could be with you
To share the view
Oh we could've fallen in love
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
We could've fallen in love
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
Whoa oh oh oh
(Yeah)

Sick of waiting, I can't take it, gotta tell ya
I can't take another night on my own
So I take a breath and then I pick up the phone
She said oh, oh, oh, oh
She said oh, oh, oh, oh
She said oh, oh, oh, oh...
We could've fallen in love
Oh, we could've fallen in love
Oh, we could've fallen in love
Yeah, we could've fallen in love
Oh, we could've fallen in love

I wish I'd fallen in love.

Eu terminei a música e me levantei, só dando tempo para que as pessoas reagissem me dando aplausos. Deixei o violão jogado no canto do palco, e sai em disparada para onde havia uma pequena escada que levava a outro andar. Fechei os olhos não acreditando que realmente tinha cantando aquela música.

Será que ela havia entendido? Uma pergunta que não saia por nada da minha cabeça. Fiquei alguns minutos ali, pensando se deveria voltar ou ficar ali até o resto da minha vida. Acabei encostando em uma porta qualquer que estava fechada, deixei meu corpo cair, e me sentei.

- Danny. – Escutei a doce voz de atrás de mim.

- . – Eu falei no mesmo tom, tentando manter a calma, mesmo que eu sentisse minhas pernas estremecerem levemente.

- Não vai dizer nada? – Ela perguntou me encarando, mas logo virando a cara para o lado e suspirando. É, nós suspiramos demais. – Eu vou então, digo... – disse e se aproximou de mim, me puxando pela nuca, e parando assim que eu senti o nariz dela perto ao meu. – Danny...

Eu senti a respiração da tão ofegante quanto a minha. O que eu estava fazendo? Tanto tempo esperando. Eu puxei o corpo da para mais perto do meu, já que estávamos no chão, e colei seus lábios aos meus. A vi fechando os olhos, assim como eu. Fui aos poucos intensificando um beijo que eu sempre quis. Senti que tanto como eu, ela também almejava por aquilo. Aos poucos interrompemos o beijo com alguns selinhos.

- O que você está fazendo aqui, ?

- Não gostou de me ver? – Ela perguntou, brincando com meu cabelo. Soltei uma risada.

- Pensei que você só vinha daqui há alguns meses...

- É, mas a disse que você tinha algo importante a me dizer. Então, cá estou eu.

- A ? – Perguntei incerto. A sempre tentou me empurrar para a . Mas nunca pensei que ela poderia vir a desempenhar realmente o papel de cupido. – Bom, nesse caso, acho melhor nós irmos agradecer a ela.

- É, talvez. Mas que tal se ficássemos um pouco mais por aqui? – me perguntou marota, sorrindo de lado. Eu sorri juntamente a ela.

Finalmente a tinha nos meus braços da maneira que sempre desejei em meu íntimo.
Como minha.


FIM




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