Stay With Me

Autora: that girl :~
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Romance/Drama - ShortFic
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Lua nova. Céu escuro. Vento perturbante. O som das árvores que derramavam folhas sobre seu rosto pálido. Descrever a paisagem seria melhor do que retratar sua face. Qualquer coisa seria melhor do que ela se sentindo...assim. Peguei em sua mão coberta de lágrimas que havia enxugado em seu rosto inchado. Acariciei sua palma, até chegar em seus dedos. Tentei olhar novamente em seus olhos. Por trás daquelas manchas vermelhas de tristeza, se escondia os olhos vivos de . Aqueles pelos quais eu me apaixonei. Sua boca se curvava em um sorriso torto, falso. Dor. Com minha outra mão, alisei suas bochechas coradas. Não sabia o que falar.
- Vai ficar tudo bem. – Não poderia arranjar algo mais clichê para aquela ocasião. Nada que fizesse menos sentido.
- Agora não vai ficar tudo bem, . – Eu sabia que não. Reconfortá-la não adiantaria, porque estava mesmo tudo acabado.
- Talvez... não sei, alguma chance? Eu... – Sabia que se começasse a chorar agora, pioraria a situação. Mas eu não era capaz de fazer uma mínima coisa sair certa. – Não quero que você vá.
- Você sabe que estarei sempre com você. – Ela entrelaçou sua mão na minha e levantou-as, tocando meu peito. – Aqui.
Seus lábios tocaram as nossas mãos.

Flashback

Natal. 2004. A lua brilhava no horizonte. Uma bela paisagem para uma foto em família. Sorrisos. Felicidade. É para isso que o Natal existe para todos. Menos pra mim. Caminhava solitário com a única garrafa de vinho que restou. Não estava bêbado, nem ao menos “alegrinho”. Era compulsivo. Bebia quando tinha vontade de gritar, por alguém.
- Não é sempre que vejo alguém solitário no Natal. – Procurei pela voz doce que me chamava. Me deparei com belos olhos me encarando de longe.
- Família longe, sem amigos e muito menos namorada – Fiz uma careta e sentei ao lado da garota. E você?
- Escolha própria. Todo Natal eu leio Romeu e Julieta. – Notei o livro em sua mão. – Desde os nove anos. Um brinde à solidão. – Ela levantou sua latinha de Coca-Cola. Eu fiz o mesmo com minha garrafa de vinho.

End Flashback

Naquele momento o silêncio seria melhor do que qualquer palavra. Nossos olhos não se desviaram um instante. Podia ler o sofrimento estampado em suas pálpebras cansadas. Era um destino tão cruel.
- Quanto... tempo?
- Não sei, . Talvez dias, meses, se eu for muito sortuda...anos. – Anos. Eu poderia me acostumar com essa idéia. Mas a incerteza corroía meus órgãos e ardia em meus olhos. Chorei. Eu não conseguia mais lutar contra essa vontade. O que ela sentia, eu sentia. O que ela temia, eu temia. – Não chora amor... Eu que vou morrer, não você.
Toquei seus lábios com o dedo.
- Nunca. – Levantei a voz. – Nunca diga essa palavra de novo, entendeu? Eu não vou deixar isso acontecer. Eu não posso deixar isso acontecer.

Flashback

- Feche o olhos, , se não não tem graça. – Coloquei minha mão sobre seus olhos.
- Para que tanto suspense, ? – Ela sorria
- Tcharam!
Várias bexigas em forma de letras escreviam “Feliz Aniversário .” E havia um bolo, que eu mesmo fiz, só para ela. Já éramos os melhores amigos e dividíamos os melhores momentos um com o outro.
- E lembra... do que você me disse no Natal? Sobre o seu maior sonho. – Entreguei o embrulho meio amassado amarrado com um laço de fita vermelha.
- ...você não...
- Abre, .
Seus olhos inundaram-se de lágrimas e seus braços contornaram o meu pescoço. Seu olhar se perdeu em meus olhos, seus pensamentos aprisionaram o meu e sua testa se encostou delicadamente na minha. Seus lábios sensíveis tocaram os meus. Era como um primeiro beijo. Eu queria que fosse. Os primeiros e últimos lábios que eu tocaria. O calor mais intenso. Cada toque causava calafrios em minha nuca. Agora o presente nada importava. A primeira edição publicada de Romeu e Julieta se encontrava no chão enquanto minhas mãos acariciavam suas costas nuas.

End Flashback

- Vou ter que ir embora , ele está me esperando.
- Não vá. Por favor. Fique aqui comigo, você sabe que eu preciso de você. – Segurei seu ombro. Meu sofrimento era maior do que o dela.
- Isso foi passado, pode fingir que eu não existo agora, vai ser melhor. – Ela tocou meus cabelos com a ponta dos dedos. Pela última vez.
- ! – Ela não respondeu.

Flashback

- O que é isso, ?
- Presente de Sete de Setembro. – Sorri de um jeito envergonhado.
- Nunca recebi um presente nessa data. – Ela levantou uma única sobrancelha.
Fazia dois anos desde o nosso primeiro beijo, em seu aniversário. Desde aquele dia, eu nunca a pedi em namoro, mas ela sabia que era minha. E eu era apenas dela. Tinha certeza disso. Ela começou a abrir a grande caixa, que chegava a medir metade de seu corpo. Dentro dela havia outra menor. E outra. E outra. Até chegar em uma pequena caixinha que tinha uma mensagem dentro: “Eu te amo”
- , eu... – Quando ela olhou para o lado, eu estava ajoelhado, com uma caixinha na mão. Ela estava aberta e mostrava uma simples aliança.
- Casa comigo, ? – Eu peguei em sua mão. Ela ficou sem reação. Sorria. Chorava.
- Sim, . Sim. – Coloquei a aliança em seu dedo, beijando-a.

End Flashback

Câncer no cérebro. Não tinha algo menos dramático para ela? Não existiria um destino feliz para aquela mulher sonhadora? Aquela que nunca desistia. Aquela perfeita. Minha . Ousava chamá-la de minha, pois era um fato. Ela sempre seria minha pequena, meu amor, minha vida. E todos os apelidos clichês já inventados. Aquele homem não tinha nada a ver com ela. Ambicioso. Ocupado. Ela merecia alguém melhor, alguém até melhor que eu. Não podia perdê-la assim, ainda mais agora, que ela precisava de mim. Não importava se ela ia me dar um fora, eu estava pronto para sofrer as conseqüências e lutar, pela primeira e última vez, pelo amor da minha vida.

Flashback

- Tenho uma novidade pra você, amor. – veio saltitando ao meu encontro. Eu estava suado e cansado, então me joguei no sofá, com ela em meus braços.
- Novidade? Huum... – Alisei sua fase perfeita.
- Primeiro, como foi o show? – Rodei os olhos.
- Você já sabe. Meninas gritando a blá blá blá.
- ... – Ela pegou a minha mão e passou pela sua barriga. – Eu estou grávida.
- O quê? – Me separei dela e arregalei os olhos. – Você não está pensando em... er... ter o bebê, né? – Passei a mão pelo cabelo, confuso.
- Como assim, ? Você quer que eu tire ele? – Ela parecia indignada.
- Claro!
- Como você pode ser tão cruel? – Ela saiu aos prantos. Eu sabia que tinha ferido seus sentimentos. Você aí lendo deve estar me achando estúpido, mas eu não estava preparado pra isso. Entenda. Banda famosa, não é fácil. Eu tenho que ser um exemplo. Imagina todos os jornais com a manchete: “ teve um filho”. Não, eu não poderia imaginar isso, por mais que ela quisesse.

End Flashback.

- , se você não abrir essa porta, eu vou arrancá-la! – Eu dizia batendo em sua casa. Seu marido que atendeu.
- O que você quer com ela?
- Não é da sua conta. Preciso vê-la.
- Não acha que já machucou demais a minha pequena? – “Minha pequena”? Esse era o jeito que EU a chamava.
- Me deixa entrar. – Segurei a minha raiva.
- ! – Ela gritou. Pude perceber que havia chorado ou ainda estava.
- Ela me chamou. – Levantei as duas mãos.
- , por favor. – Ela estava chorando mais agora.
- Cala a boca! – Seu marido berrou com ela.
- Se você não me deixar entrar, vou ter que chamar a polícia. – Qualquer coisa que ele estivesse fazendo, estava machucando minha . E eu não ia permitir isso.
- Sim, eles vão ficar muito felizes em saber que você está tentando invadir a minha casa.
- O que você fez com ela?
- Ela sabia que não era pra te ver. Você cometeu o erro, . Ela sofre as conseqüências.
- Você não...
- Sim, eu bati nela, está feliz? Ela está lá, sangrando e gemendo que nem uma vagabunda. Está satisfeito agora? – Meus olhos queimaram, mas não era hora de chorar. Aquele homem que me recuso lembrar o nome, ria como um psicopata. Meu punho se fechou. E quando estava prestes a desfazer a cara do sujeito, soquei a porta.
- Eu vou entrar nessa casa e eu vou tirá-a daí. Eu fico quieto, você a deixa em paz e nada vai acontecer.
- Tarde demais, idiota. Ela está morrendo. Não dura um dia.
Nada podia descrever o que senti com aquelas palavras. Elas atravessaram meus órgãos como uma faca. A verdade doía, disso eu tinha certeza agora. Empurrei-o e saí correndo em direção à ela. Minha. Apenas minha. Não importava quanto tempo de vida ela tinha, continuaria amando-a. Não conseguia saber o que sentia olhando em seus olhos, mas algo dentro deles me chamava pra perto, me hipnotizava aos poucos, até acabar com a minha consciência. Seus sorriso ultrapassava as barreiras de meu pensamento e fazia minhas veias tremerem de medo do desconhecido. Faltava uma parte de mim agora. Que pertenceria à ela. Eternamente.


FIM




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